A notícia de que determinada associação de indígenas tutelada por ONGs ambientalistas está pedindo intervenção do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na Amazônia é de um lado inquietante e de outro jocosa. Inquietante, pois sabemos que no contexto geopolítico mundial a real preocupação de muitas nações não é verdadeiramente com a situação dos povos indígenas, mas com a real possibilidade de exploração da ainda não totalmente inventariada riqueza em recursos naturais existentes na região. Os indígenas, como sempre, são apenas o pretexto. Inocentes úteis nas mãos de interesses econômicos maiores. A ironia decorre do pedido de ajuda para um país que dizimou tragicamente os seus povos originários com a erradicação dos indígenas se constituindo em uma política estimulada pelo Estado. O que eles têm a nos ensinar?
terça-feira, 30 de março de 2021
INDÍGENAS, AMAZÔNIA E INTERESSES INTERNACIONAIS
segunda-feira, 29 de março de 2021
Incentivos fiscais outorgados (ABDF)
Assista ao painel “A federação brasileira e os incentivos fiscais outorgados pelos entes tributantes” na íntegra no canal da ABDF no YouTube. O conteúdo fez parte do V Congresso Internacional de Direito Tributário do Rio de Janeiro.
https://lnkd.in/ezEVVDU
Aula 1 - A Importância da Disciplina História Econômica Geral
Compartilho a primeira aula da disciplina História Econômica
Geral. Ao longo do semestre irei disponibilizar a cada semana duas novas aulas
no canal do YouTube Professor Eduardo Costa. Se tiver interesse em acompanhar o
conteúdo do curso e outros sobre economia se inscreva no canal.
Link da aula: https://www.youtube.com/watch?v=kkVYrzyg8vE
quinta-feira, 25 de março de 2021
As finanças públicas e o grande desafio do município 4.0 por Geraldo Biasoto Junior e Murilo Ferreira Viana publicado por NEXO (3/2021)
“Com a pandemia, a transformação digital se acelerou em ritmo muito elevado. Cabe ao setor público, especialmente aos governos locais, acompanhar esse processo
Nas últimas duas décadas, o avanço das tecnologias de informação e comunicação transformou de forma profunda as sociedades, as empresas e a economia. Efeito que será intensificado com a generalização do uso de big data e da inteligência artificial, que já ocorre e aumentará de forma exponencial nos próximos anos. Ainda assim, vivemos problemas típicos do século 19, como a não provisão adequada de saneamento básico em municípios brasileiros, o que pode nos fazer perder o bonde da história quando se trata de implementar políticas de transformação digital no setor público…”
Gestão fiscal e federativa no Brasil por IBDF (2021)
CONFERÊNCIA “QUAL O PAPEL DO CRISTÃO DIANTE DO GOVERNO E DA POLÍTICA?”
Nesta próxima segunda-feira (29/03) o Instituto Aviva Brasil
realizará o lançamento do seu II Círculo de Leitura do Eixo Governo e Política.
Na ocasião termos o privilégio de contar com a conferência que será ministrada
por Marcelo Safraid, fundador e presidente do Centro Cultural Civitas, uma ONG
que atua com ênfase em projetos sociais a partir da Cosmovisão Bíblica. O
evento ocorrerá a partir das 21h na plataforma Google Meet. Interessados em
participar favor enviar mensagem para o correio eletrônico: ejmcosta@gmail.com
sexta-feira, 12 de março de 2021
ESGARÇAMENTO INSTITUCIONAL DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO: EM NOTA TRF4 EXPRESSA A SUA CONTRARIEDADE SOBRE DECISÃO DO STF
De forma incomum o Tribunal Regional da 4ª
Região (TRF4), que conduziu o processo de condenação do ex-presidente Lula em
segunda instância, emitiu uma forte e incontroversa nota pública que expressa
publicamente o processo de esgarçamento institucional dentro da justiça
brasileira.
Pode, aos olhos dos menos versados, parecer
um fato de menor importância. Porém, uma nota de um Tribunal, que certamente
foi ratificada por seu colegiado, expõe a contrariedade pública de magistrados
de carreira, desembargadores (que ocupam os seus cargos meritocraticamente),
ante a decisão monocrática de um membro do Supremo Tribunal Federal (STF),
indicado como de praxe para esta corte, politicamente, portanto sem o devido
concurso público.
A nota não avança em maiores comentários,
posto, inclusive, isto não ser permitido pela Lei Orgânica da Magistratura
Nacional. Aliás, os únicos que descumprem o rito jurídico de não se
manifestarem fora dos autos são os “deuses” do STF, que opinam publicamente de
forma constante, inclusive politicamente.
Com esta nota o TRF4 reafirma a legalidade processual
que levou a condenação do ex-presidente Lula e expõe o esgarçamento da
institucionalidade jurídica brasileira, patrocinado pelas decisões inconstitucionais
do próprio STD, órgão que deveria zelar pelo cumprimento da nossa Carta de
Direitos (sic).
A seguir compartilho a nota do TRF4 na
íntegra. Para bom entendedor resta, nas entrelinhas, claro o recado dado ao
STF, mas, sobretudo, a população brasileira.
Nota oficial – TRF4
Em atenção
aos preceitos contidos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a Justiça
Federal de primeiro e de segundo graus da 4ª Região observa o dever de não
manifestar opinião sobre processos pendentes, nem juízo depreciativo sobre
despachos, votos ou sentenças de quaisquer órgãos judiciais.
Atento a esse
dever e em função do noticiário acerca de recentes julgamentos envolvendo a
denominada Operação Lava Jato, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região vem a
público para prestar os seguintes esclarecimentos:
a) todas as questões relativas ao
caso que aportam no Tribunal são decididas à luz da ordem jurídica, tomam por
base os elementos de comprovação a ele pertinentes, prestigiam a jurisprudência
aplicável à espécie e levam em consideração os argumentos expendidos pelos
representantes das partes envolvidas;
b) todos os julgamentos,
jurisdicionais ou administrativos, seguem o devido processo legal e atendem o
dever de fundamentação/motivação das decisões judiciais, assim como observam os
princípios da colegialidade e da livre apreciação das provas e o predicado da
independência da magistratura;
c) em face do direito ao
contraditório e à ampla defesa, com os meios e os recursos a ela inerentes, as
partes interessadas têm a possibilidade de submeter as decisões deste Tribunal
ao escrutínio dos Tribunais e Conselhos superiores.
Para acesso a nota no sitio eletrônico do TRF4: https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=pagina_visualizar&id_pagina=2149
GILMAR MENDES X SÉRGIO MORO: SOMOS TODOS OTÁRIOS
Parte da população brasileira, em especial aqueles que lutaram nos últimos anos contra a cleptocracia (expressa pela corrupção sistêmica que assola drasticamente a nação), aguarda com muita preocupação o desdobramento do voto do ministro Gilmar Mendes (STF) com relação ao habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, que pede a nulidade das suas condenações, sob alegação de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.
Muitos não
perceberam que quem está na verdadeiramente na “berlinda” não é Sérgio Moro,
mas toda a Força Tarefa da Operação Lava Jato, que apresentou centenas de
denúncias e levou a condenação mais de 200 criminosos que desviaram bilhões de reais
em recursos públicos. Se Gilmar Mendes deferir a suspeição de Sérgio Moro irá, ao
mesmo tempo, afirmar que as dezenas de pessoas envolvidas nas investigações, nas
apurações das denúncias e nos julgamentos, atuaram movidas por uma parcialidade
nada republicana. Ou seja, condenar Sérgio Moro é condenar todos os policiais
federais, procuradores do Ministério Público Federal, procuradores da
república, magistrados, desembargadores e ministros (STJ) que investigaram, instruíram,
acusaram, julgaram e condenaram os réus em várias instâncias.
É isso mesmo.
O que está em julgamento não é a simples nulidade do processo no qual o Lula foi
condenado. É toda uma institucionalidade que reagiu a cleptocracia sistêmica brasileira
e que disse BASTA DE CORRUPÇÃO. Uma institucionalidade que deu a esperança para
milhões de que o Brasil poderia mudar a sua trajetória de subdesenvolvimento,
sempre ancorara em interesses nada republicanos de determinados grupos
políticos e econômicos; que, em conluio, saquearam, e continuam saqueando, a
nação brasileira.
Lamento
profundamente que alguns tenham festejado a decisão recente do ministro Edson
Fachin (STF) – alguns inclusive com certo nível de compreensão de fatos
públicos, posto devidamente letrados. Ver determinadas manifestações, de quem
foi e continua sendo permissivo com a corrupção, ou se comporta apenas como um “inocente
útil” (que se permite ser ideologicamente manipulado), me causou profundo
desgosto, tristeza e náuseas.
Para estes, o
projeto de poder de seus grupos políticos e de seus partidos está sempre acima
dos interesses mais gerais da sociedade. Projeto de sociedade? Jamais! O que
conta sempre é, maquiavelicamente, os seus projetos de poder, valendo para isso
qualquer tipo de prática, mecanismo ou aliança, ignorando-se a ética, a
civilidade, a res pública e a probidade.
Ao festejarem
a anulação da condenação de um irrefragável condenado, com mais de um milhar em
provas acusatórias, dão um “murro na cara” do cidadão honesto, probo e ético. Claramente
não se importam com a corrupção, desde que o seu grupo político esteja no
poder. Pelo contrário, flertam com a corrupção, pois a mesma faz parte de um
mecanismo que não só os conduziu, mas também estabelece as bases para a sua recondução
e perpetuação no poder, consolidando uma “fétida república das ratazanas”.
Neste jogo
político, marcado pelos nossos “ismos” do subdesenvolvimento e do atraso
(personalismo, individualismo, populismo, patrimonialismo...), promovem atos de
culto e idolatria a personagens claramente destituídos de caráter e valores.
Constroem, para isso, num jogo ideológico eivado de uma retórica, com narrativas
falseadas que produzem em muitos o mesmo encanto que levou os ratos ao suicídio
no famoso conto dos irmãos Grimm, o Flautista de Hamelin.
É nesse
contexto que determinar a suspeição de Sérgio Moro não é somente “libertar” o Lula.
É declarar a nulidade de atos jurídicos convalidados por dezenas de magistrados
nas três instâncias judiciais (a condenação de Lula por Sérgio Moro foi
convalidada por juízes da primeira instância, desembargadores do TRF, ministros
do STJ e, inclusive, ministros do STF).
É declarar a suspeição e nulidade de centenas de condenações, num “trem da alegria” da cleptocracia brasileira. Uma declaração pública de que o crime de corrução compensa no Brasil porque as instituições republicanas do país são, não somente coniventes, mas, inclusive, cúmplices.
É chamar quem lutou contra a corrupção nos últimos anos, foi para a rua e fez a sua parte de otários. Desculpem-me pela forte afirmação com que termino esta reflexão. Mas este é o único sentimento que tenho pelo momento, um sentimento de que somos todos otários!
quinta-feira, 11 de março de 2021
BATE PAPO COM PR. RAWLINSON RAGEL SOBRE COSMOVISÃO BÍBLICA – PAPO DE FUSCA
Em 2018 tive o privilégio de participar do curso “Fundamentos
de Cosmovisão Bíblica, Governo e Política” ministrada pelo Pr. Rawlison Rangel
na Base Alcance Amazônico da JOCUM em Barcarena, estado do Pará (Amazônia).
Na volta, para Belém, aproveitando um agradável passeio de
fusca, tivemos a ideia de gravar um bate-papo sobre Cosmovisão Bíblica. Acho
que ficou bem legal.
É, também, um aperitivo para o curso que ele irá ministrar
no mês de abril de 2021, pelo Instituto Aviva Brasil, de forma remota.
Convido todos a assistirem a nossa conversa.
terça-feira, 9 de março de 2021
O SUPREMO EXCRETA, O CONGRESSO FESTEJA, O EXECUTIVO SE CALA, OS RATOS FESTEJAM E O POVO...
Alguém tinha
dúvidas que o ministro Gilmar Mendes (STF) iria votar pela suspeição de Sérgio
Moro e em favor de Lula? Qualquer pessoa um pouco mais antenada já sabia de
antemão qual seria o voto. Restava somente acompanhar a ginástica retórica e o
jogo de hermenêutica eivado de proselitismo jurídico para justificar o
injustificável. Infelizmente, como não possuo imunidade parlamentar não posso
emitir publicamente, neste momento, a minha opinião sobre o STF sob o risco de
receber sansões judiciais. Porém, assistir ao voto do senhor ministro em tela no
dia de hoje foi um exercício de embrulhar o estomago, que comprimiu um pouco
mais uma alma já angustiada. Alma de quem um dia sonhou com um Brasil longe da corrupção
sistêmica e que seria possível pela boa política alcançar uma nova trajetória
como sociedade.
Mais uma vez,
como já enfatizou o seu colega de Corte, ministro Luiz Roberto Barroso, o voto
de Gilmar Mendes foi eivado de ódio e rancor. A cada sentença uma adjetivação.
A cada adjetivação a manifestação de sentimentos nada republicanos dando voz a
alguns que operaram sorrateiramente nos bastidores de Brasília. A vingança dos
canalhas chega, constrangendo instituições, rasgando a Constituição, rompendo com
ritos jurídicos consagrados, constrangendo publicamente aqueles que ousaram se levantar
na luta contra a corrupção, invertendo valores, consagrando a ilicitude e
atacando quem ousa se levantar contra o status quo.
Resta
concluir que os “ratos da república” a cada dia ganham mais força. Sobretudo,
porque na condução da Câmara dos Deputados hoje está alguém que comemora
publicamente o retrocesso ao combate à corrupção. Aliás, como réu na Lava Jato
e ancorado no apoio Palaciano, num jogo de governabilidade, Lira representa
hoje o tal do “Centrão”, aquilo que há de mais promíscuo na política
brasileira. Criticavam o Rodrigo Maia (DEM)? O Arthur Lira (PP) mostrou que
pior do que está é sempre possível ficar, desde que haja conivência e acordão
nos bastidores. Hoje o Supremo excreta, o Congresso festeja, Executivo se cala,
os ratos festejam e o povo...
Mais um dia
se passou na fétida República Federativa do Brasil.
AS RATASANAS DA REPÚBLICA COMEMORAM
A anulação
das condenações de Lula pelo ministro Edson Fachin do STF (Supremo Tribunal
Federal), em uma decisão monocrática, só reafirma o fato de que estamos vivendo
um período de acelerado retrocesso no combate à corrução no Brasil. Enquanto
muitos brigam pelos seus "políticos de estimação", num jogo
ideológico que só interessa para quem está polarizando o debate, o acordão
feito nos bastidores de Brasília vem sendo operacionalizado rapidamente dia
após dia. Hoje as "ratasanas da República" estão em festa,
principalmente por mais um precedente que foi aberto para o "trem da
alegria" da corrupção.
Enquanto a
população brasileira deixar ser usada e manipulada, e enquanto existirem
"inocentes úteis" nas mãos de políticos inescrupulosos, o Brasil
continuará em sua triste e trágica trajetória de subdesenvolvimento. Triste o
país no qual pessoas ainda são idolatradas e colocadas acima daquilo que é correto,
do que é ético e do que é moral.
quarta-feira, 3 de março de 2021
BANDEIRAMENTO VERMELHO, TOQUE DE RECOLHER, HOSPITAIS REGIONAIS E ESTÁDIO DE FUTEBOL: PRECISAMOS REFLETIR OU O PARADOXO ENTRE A REFORMA DE ESTÁDIO E A FALTA DE LEITOS
Prof. Dr.
Eduardo Costa
Para alguém que,
talvez, tenha lido o título desta reflexão de forma abrupta, as medidas de
restrição adotadas no dia de ontem (02/03/21) pelo governo do Pará, a princípio,
não tem nenhuma relação com estádio de futebol. Contudo, no atual contexto, as
duas questões estão tragicamente relacionadas, tonando-se expressão do atual estágio
de nossa irracionalidade pública e social.
Ontem foi anunciado o já esperado (e
arriscaria dizer acertado) anúncio do acirramento das medidas para o combate a
pandemia do Covid 19. Decretou-se no Pará a bandeira vermelha e o toque de
recolher a partir das 22h. A justificativa da medida decorre, segundo anúncio
do próprio governador, do “alto risco de transmissão e da baixa capacidade do
sistema de saúde”. Qualquer pessoa sensata, bem informada e que consegue se
colocar para além do atual e rasteiro uso político e midiático da crise
sanitária e econômica, entende a gravidade do momento e a necessidade da adoção
de medidas para, pelo menos, diminuir o ritmo do contágio; amenizando, com
isto, a sobrecarga do sistema de saúde (público e privado).
Sem ter a
intensão de alongar o debate, cabe, neste momento, trazer a tona duas
importantes considerações. Uma sobre a importância dos hospitais públicos
regionais. E outra sobre a conveniência de se investir recursos públicos na
reforma de um estádio de futebol.
Indiscutivelmente
o sistema público de saúde do estado do Pará ainda está aquém das reais
necessidades e demandas da população. Todavia, os 11 hospitais regionais que
existem atualmente no estado estão adotando estratégias de enfrentamento à
pandemia fundamentais para minimizar a sobrecarga do sistema de saúde. De um
lado, prestando serviços importantes em várias regiões e, de outro, aliviando a
sobrecarga dos hospitais da Região Metropolitana de Belém. Aliás, poucos sabem
mas dois de nossos hospitais (Hospital Regional Público da Transamazônica em
Altamira e Hospital Regional do Baixo Amazonas em Santarém), em um passado não
muito distante, foram ranqueados entre os 10 melhores do Brasil.
Neste ponto,
é preciso reconhecer a visão estratégica de descentralização dos serviços
públicos de saúde que foi alinhavada como diretriz nas gestões do ex-governador
Simão Jatene. Mesmo sobre ferrenhas críticas e oposições ao projeto, por parte
de alguns grupos políticos do estado, inclusive com pronunciamentos
contundentes críticos de alguns deputados, a decisão mostrou-se acertada e hoje
o Pará só não vive um caos muito maior em termos de saúde pública justamente
pelas decisões estratégicas tomadas no passado. Reconhecer e dar os devidos
créditos a quem de direito é uma virtude que somente homens de espírito público
possuem.
Mas fica uma
pergunta, quanto custa à construção de um hospital regional? Obviamente o valor
de uma obra é variável dependendo do tamanho, número de prédios e grau de
complexidade dos serviços que serão prestados. Tomemos, contudo, como
referência o valor da conclusão do Hospital Regional de Castanhal, que em seu
projeto possui a destinação de 160 leitos, sendo 120 leitos clínicos e 40
leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hoje quem está à espera de um
leito de UTI sabe a importância, em especial para quem vive no interior.
Conforme a
placa da obra, uma exigência legal, o valor destinado para a sua conclusão foi
de R$ 56 milhões. Indiscutivelmente um valor muito baixo para a importância dos
serviços que serão prestados a população da Região do Caeté e do estado, com
destaque para as áreas de traumatologia e oncologia.
Muito bem.
Façamos agora um paralelo. No meio da pandemia, ainda no ano de 2020, o governo
do estado anunciou como prioridade de gestão a reforma do estádio do
Mangueirão, uma obra orçada, segundo o próprio governo, em R$ 146 milhões.
É aqui o
ponto central de nossa discussão.
Na semana que
antecedeu a decretação do bandeiramento vermelho, sob a alegação de que o
sistema de saúde do estado está sobrecarregado, o governo estadual anuncia com “pompas
e circunstâncias” o início das obras de reforma do Estádio Olímpico do Pará
(Mangueirão).
Celso
Furtado, um dos mais brilhantes economistas brasileiros, em várias de suas
obras insistia em afirmar que o subdesenvolvimento é expressão de um
determinado grau de irracionalidade pública e social. Em meio ao quadro atual
anunciar, festejar e iniciar uma obra de reforma de um estádio de futebol, de
valor expressivo, enquanto milhares de paraenses padecem a espera de melhores
serviços públicos de saúde é, indiscutivelmente, a mais trágica expressão do
grau de irracionalidade publica e social que nos condena a trajetória do
subdesenvolvimento.
Em qualquer
lugar, com uma sociedade mais esclarecida e engajada, com um parlamento mais
independente, coerente e atuante, e com um maior grau de maturidade sobre
assuntos referentes a res pública, certamente não estaríamos presenciando
o paradoxo da reforma de um estádio enquanto ainda faltam leitos hospitalares.
terça-feira, 2 de março de 2021
ANÁLISE DE ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE OS RECURSOS FEDERAIS DESTINADOS AO ESTADO DO PARÁ NA PANDEMIA NO ANO DE 2020
A pandemia do
Covid-19 provocou gravíssimas repercussões na saúde e na economia. A
paralização das atividades econômicas decorrentes das estratégias de lockdown, somada com a retração dos
investimentos e do consumo, causou uma nova recessão na economia brasileira que
ampliou o desemprego para níveis históricos, a informalidade e a vulnerabilidade
social.
Medidas de
contenção tornaram-se necessárias e urgentes, seja em termos da saúde pública
como econômicas. Neste contexto indiscutivelmente a transferência de recursos
via auxílio emergencial serviu como “colchão de amortecimento” não somente
social, mas também econômico, na medida em que o volume injetado na economia
ajudou a estimular o consumo e a amenizar a recessão econômica. Pelos dados
oficiais apresentados pelo governo federal o Pará recebeu em termos de
benefícios aos cidadãos, em especial os com comprovada vulnerabilidade social (e
cadastrados no CadÚnico) o montante significativo de R$ 15,5 bilhões. Este
montante ganha expressão ao ser comparado com o PIB do estado que, de acordo
com a FAPESPA, foi estimado em R$ 161 bilhões para o ano de 2018. Ou seja, o
montante transferido em temos de auxílio social aos cidadãos em situação de
vulnerabilidade no Pará foi quase que da ordem de 10% do PIB estadual. É
conveniente reiterar que esses beneficiários injetaram esses recursos na
economia de seus municípios, e, portanto, do estado, estendendo essa cadeia,
via efeito multiplicador, para o comércio local e para a economia informal,
evitando o aumento do desemprego e da vulnerabilidade social. Houve também um
efeito positivo na arrecadação estadual pelo estímulo dado ao consumo através
da cobrança do ICMS.
Há de se
destacar que a crise econômica também impactou fortemente as finanças públicas
dos três entes da federação (União, estados e municípios). No caso do Pará, as
finanças públicas do governo estadual foram beneficiadas no ano de 2020 com a
suspensão da dívida pública por parte da União no montante de R$ 539 milhões; o
que indiscutivelmente colaborou com o equilíbrio das contas públicas e com a
garantia do cronograma de pagamento dos fornecedores do Estado, mantendo o fluxo
circular da renda no estado, novamente, via efeito multiplicador, impactando a
economia.
Outro ponto que
merece ser enfatizado é que o governo federal repassou no ano de 2020 o total
de R$ 21 bilhões para o governo do Pará e para os municípios do estado,
mantendo os compromissos de transferência de recursos, cooperando, também, para
a amenização da crise fiscal dos estados e municípios.
Em termos
específicos da saúde, os dados apresentados pelo governo federal apontam o
repasse para o governo do estado e município da ordem de R$ 3,4 bilhões, seja
como recursos ordinários para a saúde, seja como recursos adicionais para o
enfrentamento da pandemia.
Inúmeros
desafios se colocam a sociedade brasileira neste momento. A crise econômica,
que impactou negativamente as finanças públicas dos estados e municípios,
trouxe a tona, com maior intensidade, a importante de uma revisão no
federalismo fiscal brasileiro, um tema que não pode ficar de fora do projeto da
Reforma Tributária que está tramitando no Congresso Nacional. Ademais, em
virtude da não superação da recessão econômica, a extensão do auxílio
emergencial é uma necessidade social e econômica de primeira ordem. Porém, no
final da crise e da pandemia, tornar-se-á inevitável um rearranjo das contas
públicas.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
REVISÃO DO ARTIGO 53 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
O anúncio na última sexta-feira de que o Presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) criou uma Comissão Extraordinária para propor alterações legislativas no Artigo 53 da Constituição Federal, que trata da imunidade parlamentar, é preocupante e exige atenção máxima a todos os movimentos que estão acontecendo no Congresso Nacional e nos bastidores de Brasília. Dependendo das mudanças a serem propostas o alcance da medida pode ser devastador para a liberdade política, de opinião e de crença religiosa.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
SOBRE A PRISÃO DO DEPUTADO: O STF NOVAMENTE EXTRAPOLOU O SEU PODER?
Recebi com
surpresa, e afirmo que com certa preocupação, a notícia de que o Ministro
Alexandre de Moraes do STF determinou a prisão do deputado Daniel Silveira
(PSL-RJ). Porém, antes de tecer a minha opinião sobre a descabida decisão de
Alexandre de Moraes, enfatizo que parte da manifestação do deputado em tela é
digna de repúdio por expressar claramente quebra de decoro ao ofender os magistrados
da Corte e incitar violência. Outra parte de sua intervenção, pode até ser alvo
de discordância e debate, mas ele está em seu direito de liberdade de
expressão. O próprio ministro Alexandre de Moraes expressa isso em sua decisão:
“A liberdade de expressão e o pluralismo de ideias são valores estruturantes do
sistema democrático. A livre discussão, a ampla participação política e o
princípio democrático estão interligados com a liberdade de expressão tendo por
objeto não somente a proteção de pensamentos e ideias, mas também opiniões,
crenças, realização de juízo de valor e críticas a agentes públicos, no sentido
de garantir a real participação dos cidadãos na vida coletiva.”
Mas vamos ao
ponto que interessa. Se houve quebra de decoro parlamentar é dever do STF
processar, julgar e condenar mediante ação judicial. Conversei com o jurista
Helenilson Pontes sobre o assunto que possui o mesmo entendimento. Segundo ele:
“Não podemos aceitar que Ministro do STF saia prendendo parlamentares por
manifestações ainda que criminosas como esta. Pode processar, julgar e
condenar. Esta é a função do Poder Judiciário. A Câmara deveria suspender a
prisão e imediatamente abrir processo de perda de mandato por quebra de decoro
parlamentar.”
Concordo com
Helenilson. A prisão de Daniel Silveira ocorreu em decorrência do inquérito
instaurado pela Portaria GP Nº 69, de 14 de março de 2019, do Ministro
Presidente Dias Toffoli, numa clara ação que extrapola a função constitucional
do STF, que novamente rompe com o devido processo legal.
Volto a
dizer, em nenhum momento estou me colocando ao lado da fala do referido deputado.
Creio que ele errou no tom, quebrou o decoro e demonstrou pouco apego as
instituições democráticas ou republicanas; ainda que estas mereçam sim ser alvo
de críticas, reflexões e aprimoramentos. Eu mesmo sou muito crítico do
aparelhamento político e ideológico do STF e da forma como são indicados os
ministros da Corte. Já me manifestei algumas vezes sobre o assunto.
Em sua
decisão Alexandre de Moraes toma como justificativa a manutenção do Estado
Democrático de Direito brasileiro e suas instituições republicanas. Porém, a
sua decisão, e a forma como o STF está tratando do assunto, superando as suas
atribuições constitucionais, é que verdadeiramente coloca em xeque as nossas
instituições republicanas.
O adequado
desenrolar desta situação passa pela suspensão do mandato de prisão pela Câmara
dos Deputados, pela abertura pela mesma de um processo de perda de mandato
parlamente por quebra de decoro e pelo ajuizamento de ações contra o deputado,
por parte daqueles que se sentiram ofendidos, na esfera judicial adequada. Com
isto, segue-se o rito judicial que todo cidadão brasileiro “normal” precisa
enfrentar.
Em síntese, o
STF precisa ser lembrado que lhe compete, em última instância, ser o guardião
da Carta Magna de nosso país.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
O intelectual errante - Mario Vargas Llosa*
Vez ou outra
nos deparamos com ensaios que valem a pena serem lidos, debatidos e
compartilhados, em especial aqueles que são escritos por intelectuais que
notoriamente estão acima da média, que dispõem de um vasta e rica cultura, e
que se tornam capazes de nos brindar com reflexões para além do usual, rasteiro
e pobre debate contemporâneo.
Hoje me
deparei com esta pérola de Mário Vargas Llosa, publicada no periódico O Estado
de S. Paulo, que comenta sobre a falta que intelectuais da estirpe de Albert O.
Hirschman fazem no mundo atual. Além de uma reflexão provocante, é muito
interessante ver um grande intelectual tecer comentário sobre a vida, a obra e
as visões econômicas e políticas de outro grande intelectual, em especial pelo
fato de que, apesar de estarem em espectros ideológicos diferentes, prevalece o
respeito e a admiração.
Vargas Llosa
e Hirschman possuem em comum o fato de terem ambos rompido com visões
revolucionárias de esquerda que os conquistaram na juventude. Mas, enquanto
Vargas Llosa se tornou um renomado pensador liberal, Hirschman caminhou numa
via mais desenvolvimentista – não por acaso ele é (ao lado de François Perroux
e Gunnar Myrdal), considerado um dos principais autores da chamada Economia do
Desenvolvimento.
Fica o
convite a leitura deste ensaio que resolvi publicar em meu blog pessoal.
Mario Vargas Llosa* -
O intelectual errante - O Estado de S. Paulo (2/2021)
Neste mundo abalado, a voz
equilibrada de Albert O. Hirschman há de nos fazer falta
Albert O.
Hirschman era um judeu-alemão que, assim como seus compatriotas Hannah Arendt e
Walter Benjamin, parecia ter lido todos os livros e falar todas línguas.
Nascido em Berlim no ano de 1915, ele fugiu em 1933 da Alemanha nazista, onde
começara a estudar economia e a militar no Partido Socialista. Continuou seus
estudos na França, em Londres, Trieste e se especializou em economia italiana,
enquanto viajava com frequência a Paris, onde ajudou a embarcar para os Estados
Unidos muitos intelectuais, professores e políticos perseguidos pelo fascismo.
Durante a Guerra Civil Espanhola, ao lado de George Orwell, foi membro das
Brigadas Internacionais, por simpatia ao Poum, um pequeno partido de inspiração
trotskista. Acabou ferido na guerra, mas sempre se recusou a falar sobre sua
experiência na Espanha. Mais tarde, seguiu para os Estados Unidos, onde, além
de outros doutorados, continuou sua luta intelectual em prol do socialismo
democrático.
Eu o conheci
no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, uma instituição admirável, que
acolheu Albert Einstein quando ele se refugiou nos Estados Unidos. Ali, os
membros não precisam lecionar, apenas pesquisar. Eles dispõem da biblioteca da
universidade e de recursos para organizar simpósios e conferências relacionadas
aos temas em que trabalham. Hirschman não gostava de lecionar, preferia a
pesquisa. Trabalhou para a Fundação Ford e para o Banco Mundial e lecionou nas
melhores universidades. Viveu vários anos na Colômbia e conhecia como ninguém
os problemas da América Latina (e do mundo inteiro). A Claves de Razón Práctica
acaba de publicar uma nova edição de seu último livro, La Retórica
Reaccionaria, em uma nova tradução que traz um excelente e extenso prefácio de
Joaquín Estefanía, bem como um posfácio não menos interessante de Alberto
Gerchunoff.
A obra de
Hirschman não é muito conhecida na Espanha, embora o seja na América Latina,
nos Estados Unidos e no resto do mundo ocidental, e muitos, como Estefanía,
lamentam que ele nunca tenha recebido o Prêmio Nobel de Economia, o qual
merecia pela originalidade, riqueza e amplitude de seu trabalho. Decepcionado
com os grandes esquemas revolucionários aos quais aderira na juventude,
defendeu a ideia de pequenos avanços econômicos e sociais, entre eles a
liberdade, para garantir o progresso e abrir ao Terceiro Mundo a possibilidade
de desenvolvimento e democracia política. Ao mesmo tempo que, nos seus ensaios,
refletia sobre essa ação prática e “o direito de se contradizer”, ele combatia
economistas liberais como Friedrich Hayek – apesar de o livro O Caminho da
Servidão ter lhe causado um grande impacto – ou Milton Friedman, para não falar
dos Chicago Boys chilenos que haviam se aliado a um ditador para promover as
reformas econômicas que propunham.
Chegara ele à
conclusão de que o comunismo estava morto e de que a única solução justa para
os problemas da sociedade humana – desigualdade, exploração, ditaduras e
enormes rupturas sociais – era o capitalismo à maneira escandinava, moderado
pelo voto popular, pela seguridade social e por outras medidas adotadas pelo
Estado para reduzir as distâncias e melhorar a condição econômica de
trabalhadores e camponeses? Ele nunca o disse explicitamente, mas tenho a
impressão de que sim, embora o homem sábio e culto que conheci também fosse
muito prudente e não gostasse de se expor muito, pensando no meio em que vivia
e escrevia.
Este livro,
La Retórica Reaccionaria, começou a ser escrito na época de Ronald Reagan e
Margaret Thatcher, que aterrorizaram populistas e progressistas de todo o mundo
porque, embora conservadores, ambos os chefes de estado promoveram reformas
liberais muito ambiciosas que, entre outras coisas, enterraram o comunismo e
pareceram iniciar o renascimento da democracia e do capitalismo. Mas não foi
assim que aconteceu, e o que veio a seguir foi, antes de tudo, um novo
populismo de direita, tão nefasto quanto os populismos de esquerda, que – como
aconteceu com Donald Trump nos Estados Unidos e Boris Johnson no Reino Unido –
desequilibrou com sua demagogia as ideias que afirmava encarnar.
A tese de La
Retórica Reaccionaria é muito simples e, segundo Hirschman, nasceu das objeções
de Edmund Burke à Revolução Francesa do século 18. Em Reflexões sobre a
Revolução na França, Burke argumentou que, ao contrário do que alegavam os
revolucionários, as reformas promovidas pela guilhotina e pelas revoltas
populares, em vez de revolucionar a sociedade na direção certa, destruiriam todos
os avanços sociais e políticos alcançados até então. Essa tese, com os
acréscimos sutis da perversidade, da futilidade e do risco, será repetida por
uma longa lista de pensadores – entre os quais Hirschman cita o enlouquecido
Joseph de Maistre, que acreditava que Deus havia mandado a Revolução Francesa
para castigar os seres humanos por sua impiedade – até mesmo por economistas
rigorosos como Hayek ou pelo tão moderado Isaías Berlin, que sempre defendeu
uma posição muito semelhante à sua e fomentou o diálogo entre esquerda e
direita.
A voz de
Albert O. Hirschman há de nos fazer falta neste mundo abalado, quando menos se
esperava, por um coronavírus que causou estragos quando acreditávamos que os
seres humanos e a ciência haviam conquistado o mundo natural. Mas não foi assim
que aconteceu e, quando a pandemia passar, os sobreviventes deste cataclismo
medieval vão despertar num mundo empobrecido, no qual o Estado terá crescido em
toda parte, sufocando a liberdade mais do que já sufoca, no qual os novos populismos,
impregnados de racismo e nacionalismo irracional, se preparam para acabar com
as últimas instituições e tomar o poder. Não será fácil, claro. A batalha será
duríssima e nela poderia ter um papel fundamental alguém como Hirschman, que
acreditava nas ideias e no diálogo entre adversários, que desconfiava de
esquemas totalizantes, que propunha avanços modestos, sem violência e sem
vítimas, resultantes de um diálogo em que os antigos inimigos chegassem a
consensos e a acordos concretos.
É a mais bela
postura e, em seus livros, Albert O. Hirschman a defendeu de maneira
persuasiva. Era um homem decente e limpo, de enorme cultura e, quando já estava
bem avançado nesse último livro – ele próprio o conta em suas páginas –
percebeu que a retórica “reacionária” que descrevia também podia se aplicar,
milimetricamente, a uma esquerda que, sobretudo na América Latina, era sectária
e intolerante e tendia a ver as coisas de um só lado. Ele então tentou mudar o
título do ensaio e trocar “reacionária” pela palavra “intransigente”, mas o
editor não permitiu. No entanto, no sexto capítulo de seu ensaio, essa nova
fórmula é bem explicada, e os elogios de Gerchunoff, dos quais compartilho
plenamente, premiam o realismo e o senso prático de Hirschman. É de atitudes
como as dele que vamos precisar nesta nova etapa incerta e nebulosa que se abre
diante de nós: desconfiar das grandes configurações que prometem trazer o
paraíso à Terra e promover aquilo que, por mais insignificante que pareça, faça
avançar a justiça e a liberdade e retroceder a hostilidade e a política
convertida em religião, onde há mocinhos e bandidos e só um deles sobreviverá.
O paraíso está muito longe para que consigamos trazê-lo à Terra. Entre os
ideais possíveis está algo mais modesto e eficaz, no qual Hirschman apostou:
aprender a conviver, pôr fim à brutalidade, dar à democracia e à liberdade o
dinamismo que perderam, salvar o que ainda é possível no sinistro panorama
futuro que se desenha diante de nós. / Tradução de Renato Prelorentzou
*É autor de ‘Pantaleão e as
Visitadoras’ e ‘Conversa no Catedral’
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
CURSO FUNDAMENTOS DE COSMOVISÃO BÍBLICA, GOVERNO E POLÍTICA
Já estão abertas as inscrições para o “Curso Fundamentos de Cosmovisão Bíblica, Governo e Política”, promovido pelo Instituto Aviva Brasil.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
INDEPENDÊNCIA DO BANCO CENTRAL
A aprovação hoje pela Câmara dos Deputados do texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 19/2019, que trata da autonomia do Banco Central, é um tema polêmico que divide opiniões. Ao mesmo tempo em que a independência do BC blinda a instituição de uma maior interferência política no curto prazo, acaba retirando do governo federal um importante instrumento de política macroeconômica que pode ser justamente importante no curto prazo.
Recentemente o Brasil viveu uma
positiva trajetória de redução da taxa básica de juros da economia, atingindo o
seu menor nível desde o início do Plano Real, justamente pela influência do
Ministro da Economia Paulo Guedes na condução da Política Monetária pelo BC.
Até então o BC estava subordinado ao Ministério da Economia. A partir do novo
modelo o BC irá adquirir maior autonomia, na medida em que se tornará uma
Autarquia de Natureza Especial, desvinculada do Ministério da Economia.
Na prática, cada presidente
eleito poderá ter que conviver durante parte de seu mandato com um Presidente
do BC nomeado pelo seu antecessor. Enquanto houver confluência de rumos, em
termos de política macroeconômica, não haverá problemas. Porém, quando houver
divergências, o conflito será sentido pela população em razão da descoordenação
das medidas de política macroeconômica (fiscal e monetária).
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Sobre princípios e valores
Admiro aqueles que permanecem fiéis aos seus princípios e valores, independente das circunstâncias. Provam que existe coerência em suas atitudes. Noutro extremo, me entristeço por alguns que mudam de discurso conforme a oportunidade, interesses e conveniência. Provam que no fundo tudo não passa de uma retórica oportunista.
Início do 1º Círculo de Leitura do Eixo Governo e Política do Instituto Aviva Brasil
O Instituto Aviva Brasil por meio
do Eixo Governo e Política iniciou ontem, segunda-feira (01/02/2021), o 1º Círculo de
Leitura com o livro “Economia Política na Cosmovisão Cristã: contribuições para
uma teologia evangélica”, de autoria do teólogo Wayne Grudem e do economista Barry
Asmus. Ao todo se inscreveram 22 participantes de várias denominações cristãs,
inclusive de fora do estado do Pará.
Ainda na primeira noite houve a
palestra “Cosmovisão: Por quais lentes você enxerga o mundo?” ministrada pelo Pr.
Daniel Berg.



