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quarta-feira, 31 de março de 2021

ATENÇÃO ALUNOS DO ENSINO MÉDIO: DESAFIO QUERO SER ECONOMISTA

 

Vem aí à edição 2021 do Desafio Quero Ser Economista, um game online realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon). O Desafio Quero ser economista é uma competição sobre conceitos básicos da Ciência Econômica destinado exclusivamente a estudantes de Ensino Médio.

As inscrições ocorrem de 5 de abril a 3 de maio de 2021 pelo site desafioquerosereconomista.org.br. Basta ter acesso à internet para participar do game, que será disputado de 3 a 28 de maio. Além de muito conhecimento, os vencedores ganham prêmios em dinheiro. O primeiro lugar receberá R$ 2 mil; o segundo, R$ 1,5 mil; e o terceiro, R$ 1 mil.

O jogo é disputado em um ambiente online, onde os participantes respondem a enigmas, assistem a vídeos interativos e são desafiados a cumprir missões, tudo de uma forma divertida, simples e dinâmica. Assim, o estudante tem a oportunidade de conhecer melhor as escolas de pensamento econômico, os economistas históricos e diversos conceitos básicos da Economia.

Mais informações em desafioquerosereconomista.org.br, no Facebook em @querosereconomista e no Instagram no perfil @querosereconomista_

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Artigo: O estilo paranoico em economia


Autor: Por Raghuram Rajan - Valor Econômico - 09/08/2013
 

Por que divergências econômicas de grande notoriedade transformam-se tão rapidamente em ataques pessoais? Talvez o exemplo recente mais conhecido tenha sido a campanha de Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel, contra os economistas Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff1, quando ele passou rapidamente da crítica contra um erro em um dos estudos e passou a criticar a não adesão (da dupla de economistas) à transparência acadêmica.
Para quem conhece esses dois soberbos macroeconomistas, como eu, é evidente que estas acusações deveriam ser imediatamente desconsideradas. Mas há uma questão mais abrangente: por que o estilo paranoico tornou-se tão importante?
Parte da resposta está no fato de que a economia é uma ciência inexata, existindo exceções para as previsões de quase todos os modelos de comportamento que os economistas assumem como inquestionáveis. Por exemplo, os economistas preveem que preços mais elevados de uma mercadoria reduzem a demanda por ela. Mas estudantes de economia certamente recordam-se dos "bens de Giffen", que destoam do padrão usual. Quando tortillas tornam-se mais caras, um trabalhador mexicano pobre poderá acabar comendo mais tortillas, porque reduzirá o consumo de alimentos mais caros, como a carne.
Políticas econômicas baseadas em bom senso muitas vezes produzem consequências inesperadas, pois os alvos de uma política não são agentes passivos, como na física, mas agentes ativos que reagem de maneiras imprevisíveis.
Essas "aberrações" ocorrem também em outros mercados. Os clientes muitas vezes atribuem maior valor de uso a um bem quando seu preço sobe.
No período que antecedeu a crise financeira de 2008, os macroeconomistas tendiam a excluir o setor financeiro de seus modelos de economias avançadas. Não tendo ocorrido nenhuma crise financeira significativa desde a Grande Depressão, era conveniente assumir como certo que os dutos financeiros funcionavam adequadamente nos bastidores.
Os modelos, assim simplificados, sugeriam políticas que pareciam funcionar - isto é, até que o encanamento entupiu. E o encanamento deixou de funcionar porque o comportamento de manada - que políticas moldaram de maneiras que só agora estamos começando a entender -entupiram os condutos.
Então, por que não permitir que evidências, em vez de teoria, sejam o balizamento de política econômica? Se uma dívida nacional elevada é associada a um crescimento econômico lento, será porque o endividamento excessivo impede o crescimento ou será que um crescimento lento faz com que os países acumulem mais dívidas?
Muitos econometricistas construíram carreiras descobrindo uma maneira inteligente de estabelecer a direção da causalidade. Infelizmente, muitos destes métodos não podem ser aplicados às questões mais importantes para os formuladores de políticas econômicas. Em outras palavras, as evidências realmente não nos dizem se um país altamente endividado deveria pagar sua dívida ou captar empréstimos e investir mais.
Além disso, políticas econômicas baseadas em bom senso muitas vezes produzem consequências inesperadas pois os alvos de uma política não são agentes passivos, como na física, mas agentes ativos que reagem de maneiras imprevisíveis. Por exemplo, controle de preços, em vez de baixar os preços, muitas vezes causa escassez e o surgimento de um mercado negro onde produtos controlados custam mais.
Assim, os formuladores de políticas econômicas necessitam de enorme dose de humildade, abertura a alternativas (inclusive a possibilidade de estar errados).
Mas, para os economistas que dirigem-se diretamente ao público é difícil influenciar corações e mentes fazendo ressalvas à sua análise. É melhor, para o analista, afirmar seu conhecimento inequivocamente, especialmente se honrarias acadêmicas passadas certificam a reivindicação de know how do analista.
O lado obscuro dessas certezas, no entanto, é a maneira como ela influencia a forma como esses economistas enfrentam opiniões contrárias. Como convencer seus passionais seguidores se outros economistas igualmente credenciados têm opinião contrária? Com muita frequência, o caminho fácil passa por impugnar os motivos e os métodos do outro campo, em vez de reconhecer e contestar os pontos de um argumento adversário.
Em sua monumental pesquisa sobre séculos de endividamento público e de dívida soberana, os normalmente muito cuidados Reinhart e Rogoff cometeram um erro em um de seus textos analíticos. O erro não está em seu premiado livro de 2009.
As pesquisas de Reinhart e Rogoff mostram que de modo geral o crescimento do PIB é mais lento em ambientes de elevado nível de dívida pública. Embora haja um debate legítimo sobre se isso implica que endividamento elevado provoca crescimento lento, Krugman voltou a questionar os motivos (da dupla de autores). Ele acusou Reinhart e Rogoff de manterem deliberadamente seus dados fora do domínio público. Reinhart e Rogoff, chocados diante dessa acusação - equivalemente a uma acusação de desonestidade acadêmica - divulgaram uma refutação cuidadosa, incluindo provas na internet de que não tinham sido reticentes quanto ao compartilhamento de seus dados.
Talvez o estilo paranoico do debate público, com foco em motivações e não em substâncias, seja uma tática de defesa útil contra críticos raivosos. Infelizmente, isso também contamina o combate a diferenças mais fundamentadas de opinião. Talvez o debate econômico respeitoso só seja possível no mundo acadêmico. O discurso público resulta empobrecido por causa disso.

(Tradução de Sergio Blum)

Raghuram Rajan, professor de Finanças na School of Business, da Universidade de Chicago, foi economista chefe do FMI e vai assumir o cargo de presidente do Banco Central da Índia. Copyright: Project Syndicate, 2013.

sábado, 24 de agosto de 2013

Comissão define ganhadores do XIX Prêmio Brasil de Economia; veja a lista

         A Comissão Avaliadora do XIX Prêmio Brasil de Economia (PBE) teve no último sábado, 17 de agosto, a reunião para definir os ganhadores desta edição. O encontro aconteceu em Brasília na sede do Cofecon. O PBE é dividido em cinco categorias: Monografia de Graduação, Artigo Técnico/Científico, Dissertação de Mestrado, Tese de Doutorado e Livro de Economia.
         A Comissão Avaliadora foi dividida em subgrupos, cada um deles responsável por uma categoria diferente. Os integrantes de cada subgrupo apresentaram suas avaliações e, com base nelas, definir os ganhadores.
        Ao todo foram inscritos 62 trabalhos, sendo 19 monografias, cinco artigos, 17 dissertações, seis teses de doutorado e 15 livros.
Ganhadores

Os ganhadores do XIX Prêmio Brasil de Economia são:

CATEGORIA LIVRO DE ECONOMIA

1º Lugar (Prêmio de R$ 6.000,00): Reinaldo Gonçalves (CORECON-RJ)
Desenvolvimento às avessas: verdade, má-fé e ilusão no atual modelo brasileiro de desenvolvimento
2º Lugar (Prêmio de R$ 4.000,00): Gustavo H. B. Franco (CORECON-RJ)
As leis secretas da economia

3º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Eduardo Simões de Almeida (CORECON-SP)
Econometria Espacial Aplicada.


CATEGORIA TESE DE DOUTORADO

1º Lugar (Prêmio de R$ 6.000,00): Pedro Linhares Rossi (CORECON-RJ)
Taxa de câmbio no Brasil: dinâmicas da especulação e da arbitragem - Instituto de Economia - Unicamp
2º Lugar (Prêmio de R$ 4.000,00): João Hallak Neto (CORECON-RJ)
A distribuição funcional da renda e a economia não observada no âmbito do Sistema de Contas Nacionais do Brasil - UFRJ

3º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Aline Souza Magalhães (CORECON-MG)
Economia de baixo carbono no Brasil: alternativas de políticas e custos de redução de emissões de gases de efeito estufa - UFMG


CATEGORIA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

1º Lugar (Prêmio de R$ 5.000,00): Débora Bellucci Modolo (CORECON-SP)
A competição das exportações chinesas em terceiros mercados: uma aplicação do modelo gravitacional - UNICAMP
2º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Kallenya Thays Lima Limeira Oliveira (CORECON-GO)
Qual o valor de uma praia limpa? Uma aplicação do método de valoração de contingente no Bairro Rio Vermelho, Salvador, BA - PUC-GO

3º Lugar: (Prêmio de R$ 2.000,00): Tiago Barbosa Diniz (CORECON-PE)
Impacto socioeconômicos do Código Florestal Brasileiro: uma discussão à luz de um modelo computável de equilíbrio geral - USP;

Menção Honrosa: Francisco de Assis Mourão (CORECON-AM)
Uma contribuição metodológica ao cálculo do valor adicionado nas atividades de exploração de recursos naturais latentes - UCAM/FCPERJ


CATEGORIA ARTIGO TÉCNICO OU CIENTÍFICO

1º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Luciano Luiz Manarin D'Agostini (CORECON-PR)
Recente aumento dos preços de imóveis no Brasil: existe ou não a bolha imobiliária?
2º Lugar (Prêmio de R$ 2.000,00): Janete Leige Lopes e Rosangela Maria Pontili (CORECON-PR)
Uma discussão da interrelação entre gravidez na adolescência e permanência na escola, a partir da aplicação do modelo próbit

3ª Lugar: (Prêmio de R$ 1.000,00): Silvio Cezar Arend (CORECON-RS)
O impacto da reforma da previdência social rural brasileira nos arranjos familiares

Menção Honrosa: Antonio Correa de Lacerda (CORECON-SP)
A crise internacional e a estrutura produtiva brasileira


CATEGORIA MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO

1º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Lívia de Carvalho Freire
Pobreza Multidimensional: Uma aplicação às unidades federativas brasileiras - UFF;
2º Lugar (Prêmio de R$ 2.000,00): José Francisco Guedes Junior
Fragilidade financeira, regulação bancária e os acordos da Basileia - UFES;

3º Lugar (Prêmio de R$ 1.000,00): Paula Monteiro de Almeida
O Índice de Desenvolvimento Humano e a Teoria de Desenvolvimento de Amartya Sen - PUC Minas

Menção Honrosa: José Alderir da Silva
Política Macroeconômica no Brasil, estabilidade, crescimento e restrição externa: O Governo Lula, 2003-2010 - UFRN


Avaliadores

A comissão avaliadora foi coordenada pelo conselheiro Eduardo José Monteiro da Costa e contou com a participação dos seguintes integrantes:
· Livro de Economia: Celina Martins Ramalho (FGV/SP), João Paulo de Almeida Magalhães (CED - CORECON-RJ) e Roberto Brás Matos Macedo (FAAP);
·   Tese de Doutorado: Dércio Garcia Munhoz (UNB), Tânia Bacelar de Araújo (UFPE), Fernando Holanda Barbosa (FGV/RJ) e Wilson Cano (Unicamp);
·        Dissertação de Mestrado: José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho (IPEA e UNB), Sérgio Goldbaum (FGV/SP), Gesner de Oliveira (FGV/SP) e Clélio Campolina Diniz (UFMG);
·         Artigo Técnico/Científico: Fernando de Aquino Fonseca Neto (BACEN), Mauro Thury de Vieira Sá (UFAM) e João Rogério Sanson (UFSC);
·         Monografia: José Luiz Pagnussat (ENAP), Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari (IFES) e Armando Lírio de Souza (UFPA).

Escrito por Manoel Castanho – Jornalista do COFECON

Fonte: http://www.cofecon.org.br/destaques/204-slideshow-principal/2766-comissao-avaliadora-define-ganhadores-do-xix-premio-brasil-de-economia

Palestra na UFOPA no encontro de economia

        Fiquei muito feliz com o convite e com a recepção que tive na noite de ontem por ocasião do I Encontro de Economia da UFOPA que teve como tema “O Profissional de Economia no Brasil e na Amazônia”. Grata foi a surpresa de que além dos alunos de economia, também haviam alunos do curso de Gestão Pública. Não tenho dúvida de que a UFOPA irá impactar positivamente o desenvolvimento do oeste paraense formando uma mão de obra qualificada e crítica para pensar o planejamento do desenvolvimento desta região do estado e do Pará.  Pelo que vi os cursos em questão estão nascendo bastante promissores, graças aos alunos interessados e ao esforço de professores como Zilda Santos, Jarsen Guimarães e Socorro Pena. Espero que logo seja resolvido o problema de falta de professores com novos concursos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Artigo: Uma ciência, muitas aplicações


Por Luiz Alberto Machado (*)

“Meus estudantes vão prestar mais atenção 
às minhas aulas a partir de agora.”
Alvin Roth

Venho acompanhando, há anos, a redução da procura pelas vagas oferecidas pelos cursos de Economia no Brasil, fenômeno que, aliás, aconteceu anteriormente também nos Estados Unidos e em diversos países da Europa.
Já li e ouvi as mais diferentes explicações para este fenômeno que vão da dificuldade do curso em comparação a outros cursos universitários, passam pelo seu viés excessivamente teórico e macroeconômico, e chegam à baixa empregabilidade que o curso oferece a quem se forma em Ciências Econômicas.
Não considero convincentes quaisquer dessas explicações, embora reconheça que o curso apresenta um grau de dificuldade superior ao de outros cursos de áreas limítrofes, como o de Administração, por exemplo.
Sustento minha posição na extraordinária abrangência oferecida pelo curso de Economia, o que é válido tanto no plano da teoria como no da aplicação prática.
A concessão do Prêmio Nobel de 2012, divulgada no dia 15 de outubro, aos norte-americanos Lloyd Shapley, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Alvin Roth, de Harvard, é apenas mais um reforço ao meu ponto de vista. Suas contribuições no que se convenciona chamar de “teoria da combinação”, uma ramificação da “teoria dos jogos”, permite a utilização de modelos teóricos para associar, com a maior eficiência possível, pares ou grupos de agentes em situações em que há uma falha de mercado, ou, para usar o jargão econômico, “situações em que o mercado não teria um ponto de equilíbrio, onde a oferta e a demanda se cruzam”. Entre os vários exemplos de aplicação desse modelo teórico podem ser citados a escolha mais adequada entre doadores e recebedores de órgãos, a dos homens e mulheres mais indicados para se casarem ou a alocação mais eficiente de estudantes em escolas e hospitais, no caso de residência médica.
Não é qualquer ciência que permite uma aplicação tão ampla de seus modelos teóricos, o que só é possível pela rígida e abrangente formação do economista, que combina teoria econômica, métodos quantitativos e formação histórica.
Shapley e Roth não são pioneiros nesse sentido, pois seguem uma tradição que inclui nomes como, por exemplo, o de Gary Becker, da Universidade de Chicago. Becker, reconhecido como um dos principais especialistas na teoria do capital humano, aplicou modelos econômicos baseados na problemática neoclássica (fundamentada na racionalidade dos indivíduos) para explicar como os agentes econômicos tomam decisões nos mais distintos aspectos. Segundo Becker, para se casar, para se dedicar ao crime, para consumir drogas, para ter filhos, para comprar um eletrodoméstico ou para se divorciar, o indivíduo toma sua decisão comparando racionalmente os custos e os benefícios, tendo em mente a maximização de sua satisfação.
Mais recentemente, Steven Levitt tornou-se mundialmente conhecido por ter escrito, em parceria com Stephen Dubner, o best seller Freakonomics, no qual também utiliza ferramental teórico da economia, da estatística e da econometria – que é uma espécie de soma das duas primeiras – para chegar a conclusões surpreendentes e raras vezes relacionáveis a respeito de temas aparentemente tão distantes como redução da criminalidade e legalização do aborto, trapaças envolvendo professores de ensino médio nos Estados Unidos ou lutadores de sumô no Japão.
A mesma amplitude observada no plano teórico pode ser observada no plano real, quando se observa o mercado de trabalho e a enorme gama de ocupações que podem ser desempenhadas pelos economistas.
No Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE), realizado em Belo Horizonte em setembro último, o Prof. Roberto Macedo, utilizando-se de dados que vêm sendo constantemente atualizados, chamou atenção para uma tendência verificada recentemente no mercado de trabalho, representada pelo crescente descolamento entre profissão e ocupação. Tal descolamento é maior em algumas profissões do que em outras, estando a de economista entre as que apresentam maior grau de dispersão, o que indica que o mesmo pode atuar em um número significativo de ocupações, como se vê na tabela 1, conferindo-lhe um elevadíssimo grau de empregabilidade.

Dispersão Ocupacional
Nº de ocupações que alcançam mais de 70% dos trabalhadores, por profissão – 2010
Curso/Profissão
Número
Curso/Profissão
Número
Odontologia
1
Engenharia Civil
12
Medicina
2
Matemática
13
Farmácia
2
Agronomia
13
Biologia
3
Biblioteconomia
14
Enfermagem
3
Física
17
Artes
4
Contabilidade
21
História
4
Teologia
23
Serviço Social
6
Engenharia Mecânica
25
Sociologia
6
Química
25
Filosofia
7
Engenharia Química
26
Arquitetura
8
Estatística
27
Veterinária
8
Economia
33
Psicologia
10
Administração
35
Direito
11
Engenharia Elétrica
37


Diante dos argumentos aqui apresentados, recomendo aos jovens que estão em fase de decisão do curso universitário que irão fazer para considerarem com mais carinho a opção pela Economia. Seguramente terão que se esforçar bastante ao longo de todo o curso, mas, desde que escolham uma boa faculdade e tenham um bom aproveitamento, serão amplamente recompensados na carreira profissional, seja ela mais voltada para o plano teórico, como pesquisadores e/ou professores, seja ela mais voltada para o chamado setor real da economia, atuando em empresas públicas ou privadas, tanto na macro como na microeconomia.

Iscas para ir mais fundo no assunto

Referências e indicações bibliográficas
BECKER, Gary. Teoría económica. Traducción de Ana Catalina Mayoral. México: Fondo de Cultura Econômica, 1987.
______________ Educação é o melhor investimento. Entrevista. Think Tank, Ano III, Número 9, Dezembro de 1999, pp. 13 – 16.
BECKER, Gary S. e BECKER, Guity N. The economics of life: from baseball to affirmative action to immigration. Chicago: McGraw-Hill Trade, 1998.
CHACRA, Gustavo. Americanos dividem Nobel de Economia. O Estado de S. Paulo, 16 de outubro de 2012, p. B 6.
LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Tradução de Regina Lyra. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2007.
MACEDO. Roberto. Seu diploma, sua prancha. São Paulo: Saraiva, 1998.
MACHADO, Luiz Alberto. Como enfrentar os desafios da carreira profissional: antes e após sua escolha. São Paulo: Trevisan Editora, 2012.
Referências e indicações webgráficas
MACHADO, Luiz Alberto. Grandes Economistas: Gary Becker e as diferentes aplicações de métodos econômicos. Disponível em http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1080&Itemid=114.
SEIBT, Taís. Entenda como o Nobel de Economia ajudou a melhorar o sistema de transplantes de rins nos EUA. Disponível em http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/bem-estar/noticia/2012/10/entenda-como-o-nobel-de-economia-ajudou-a-melhorar-o-sistema-de-transplantes-de-rins-nos-eua-3919439.html. 
TEORIA da combinação rende Nobel. Diário do Comércio, 16 de outubro de 2012, p. 2. Disponível em http://www.dcomercio.com.br/index.php/economia/sub-menu-economia/97833-teoria-da-combinacao-rende-nobel.
____________________________________________________________________
(*) Economista, conselheiro federal, professor da Fundação Armando Álvares Penteado

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Americanos dividem Prêmio Nobel de Economia


A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta segunda-feira (15) os nomes de Alvin E. Roth (Harvard) e Lloyd S. Shapley (Universidade da California em Los Angeles - UCLA) como ganhadores do Prêmio Nobel de Economia 2012. A escolha reconhece o trabalho de ambos "pelas teorias de alocações estáveis e modelos de mercados" - Roth trabalhou na prática com a teoria desenvolvida por Shapley. Os dois norte-americanosdividirão o prêmio de 8 milhões de coroas suecas. 
"O prêmio deste ano diz respeito a um problema central da economia: como juntar diferentes agentes da melhor forma possível. Por exemplo, estudantes precisam de parcerias com escolas e doadores de órgãos precisam ser unidos a pacientes que necessitam de um transplante", afirmou a Academia em comunicado à imprensa. "Como fazer isso da forma mais eficiente possível? Que metodos beneficiam quais grupos? O prêmio reconhece dois estudiosos que responderam estas questões passando da teoria das alocações estáveis para a prática de mercado".


Lloyd Shapley nasceu em Cambridge, Massachussets, em 1923. É PhD (1953) pela Universidade de Princeton e professor emérito da UCLA. Ele se considera um matemático e usou a chamada teoria dos jogos cooperativos para estudar e comparar diferentes métodos de parcerias. O fator chave era assegurar uma parceria estável entre pessoas ou grupos em que ninguém prefere negociar ou fazer acordos com outras pessoas que não os parceiros atuais - áreas em que as leis de mercado não necessariamente se aplicam. Shapley e seus colegas desenvolveram métodos específicos (em especial, o chamado algoritmo de Gale-Shapley) que assegura uma parceria estável. O método também limita os motivos dos agentes para manipular o processo de procura de parceiros. Shapley demonstrou como o desenho específico de um método pode sistematicamente beneficiar um ou outro lado do mercado.
Alvin Roth nasceu em 1951 e é PhD (1974) pela Universidade de Stanford, na California. É professor da Universidade de Harvard. Roth reconheceu que a teoria de Shapley poderia esclarecer o funcionamento de importantes mercados na prática. Numa série de estudos empíricos, Roth e seus colegas demonstraram que a estabilidade é a chave para entender o sucesso de algumas instituições em mercados particulares. Roth também produziu suas conclusões em exames de laboratório. Ele ajudou a redesenhar instituições para encontrar novos médicos para hospitais, estudantes para escolas e doadores de órgãos para pacientes em espera. As refirmas foram baseadas no algoritmo de Gale-Shapley com modificações que levaram em conta circunstâncias específicas e restrições éticas.

O Prêmio Nobel
O Prêmio Nobel foi criado em 27 de novembro 1895, no testamento de Alfred Nobel, cientista sueco que ficou muito rico com a invenção da dinamite. As áreas premiadas eram: Física, Química, Medicina ou Fisiologia, Literatura e Paz. Os prêmios começaram a ser entregues em 1901.
Em respeito ao testamento de Alfred Nobel, nenhuma outra área de atuação é acrescentada nas premiações. A única exceção foi a Economia. Isso porque em 1968 o Sverige Riksbank (Banco Central da Suécia), comemorando seu tricentenário, instituiu o "Prêmio Sverige Riksbank de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", patrocinado pelo próprio banco. Por esta diferença, ele não leva o nome de "Prêmio Nobel" em sua nomenclatura oficial, mas é anunciado e entregue juntamente com os outros Prêmios Nobel (embora não na mesma semana), além de ter o ganhador escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências.
O primeiro Prêmio Nobel de Economia foi entregue em 1969 para o norueguês Ragnar Frisch e para o holandês Jan Tinbergen. Nesta área, a maioria dos premiados são norte-americanos (alguns deles naturalizados). Outra curiosidade: o mais velho ganhador de um Prêmio Nobel foi o economista Leonid Hurwicz (nascido na Rússia, naturalizado norte-americano), aos 90 anos, em 2007. E apenas uma vez uma mulher ganhou o Nobel de Economia: foi Elinor Ostrom, em 2009.
Além disso, há uma tendência recente de divisão do prêmio: desde 2000, houve apenas dois prêmios individuais: Edmund Phelps, em 2006, e Paul Krugman, em 2008. Nos outros anos deste período os prêmios foram divididos entre dois ou mais ganhadores.

Por Manoel Castanho (*) -  Jornalista do COFECON

sexta-feira, 30 de março de 2012

Artigo: Aos jovens economistas

Por Marcus Eduardo de Oliveira (*)


“Perceber que o mais importante
 é o social foi a descoberta
mais relevante  de minha vida”
Celso Furtado, em O Longo Amanhecer

Em “Princípios de Economia”, Alfred Marshall (1842-1924) afirma que a Economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.
Gregory Mankiw diz que “Economia é um grupo de pessoas que interagem entre si”.
Das muitas definições/objetivos que o termo Economia carrega talvez a de Colin Clark (1905-1989) seja a que melhor se enquadra naquilo que entendemos ser o objetivo precípuo das ciências econômicas: “O objetivo da economia não é a produção de riqueza, mas proporcionar bem estar aos indivíduos”.
O certo é que desde a obra seminal de Adam Smith (A Riqueza das Nações) as ciências econômicas vêm ganhando destaque e relevo na administração pública, guardando, assim, estreita sintonia com a origem do termo que remonta ao pensador grego Xenofonte (430-355 a.C), que definiu Economia pela primeira vez como sendo a “administração da casa”; nos dias de hoje, também pode ser entendido como “administração da coisa pública”.
Feitas essas primeiras incursões, este artigo se põe a discutir junto aos jovens economistas brasileiros o atual e o mais preponderante papel que a economia (enquanto ciência) vem desempenhando na sociedade moderna e, em especial, em sociedades que amargam profundas e históricas desigualdades sociais, como é o típico caso brasileiro.
Quantos de nossos jovens, recém saídos das universidades, diplomados em Ciências Econômicas, se põem a perguntar: quais os desafios da profissão de economista? E agora, como economista formado, o que quero e devo fazer? Como devo agir? Quais são as inquietações reflexivas a que um economista estará exposto? Quais interrogações os cercarão?

Os desafios da profissão em uma sociedade desigual
Uma primeira constatação que o jovem economista brasileiro se depara ao chegar ao mercado de trabalho, é que é impossível fechar os olhos para as gritantes consequências sociais que o atual modelo econômico desagregador impõe a grande parte da população que ora encontra-se sem emprego, sobrevivendo no limite, habitando os já conhecidos “bolsões de pobreza”.
Nesse pormenor, a exclusão social será, certamente, uma situação em que o jovem economista porá um olhar crítico para um completo entendimento da situação social que o aguarda. Talvez esteja ai o primeiro e mais importante desafio para os jovens economistas brasileiros desse século XXI: entenderem as razões que levam um país como o Brasil, com grande potencial de recursos, a amargar um quadro vexatório em quesitos sociais.
Cabe a esses jovens economistas tentar explicar como é possível, numa sociedade moderna, a ocorrência de fortíssima segregação social que põe de um lado os incluídos e, do outro, os excluídos; os ricos-milionários separados dos pobres-miseráveis; os sem terra segregados dos latifundiários. Em suma, um país formado por uma sociedade elitista e uma massificação de excluídos.
Aos jovens economistas conhecedores de história econômica brasileira caberá responder por que ao Brasil, historicamente, coube um papel específico na economia mundial de grande fornecedor de commodities e, dessa maneira, enquanto os mercados externos eram (e são) abastecidos pelo trabalho dos brasileiros, a economia interna regressa no tempo, desamparando os que aqui labutam.
O desafio maior que espera esses jovens economistas no mercado de trabalho talvez seja estudar, pormenorizadamente, essa exclusão social a que fizemos alusão a fim de “entender” um país que é capaz de produzir e exportar aviões, mas incapaz de alimentar decentemente quase 40 milhões de pessoas. Um país que, por anos a fio, tem sido o maior produtor e exportador de suco de laranja, mas que abriga dezenas de milhares de crianças que nunca tomaram um copo desse suco. Um país que fabrica e exporta calçado de qualidade, mas muitos dentre sua população ainda andam descalços dormindo ao relento dos grandes centros urbanos.
Está reservado aos jovens economistas brasileiros, como um dos mais intensos desafios da profissão, responder os motivos de sermos uma das sociedades mais desiguais do mundo, com forte concentração de renda, em que os meios de produção estão nas mãos de apenas 6% da população. Um país em que de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda (empresa, imóvel ou mesmo o conhecimento).
Esses jovens economistas brasileiros da atualidade, mais do que qualquer outro profissional das ciências humanas, têm a árdua tarefa de explicar por que temos uma carga tributária que onera tanto os pobres (os 10% mais pobres pagam 44,5% mais impostos do que os 10% mais ricos); por que nossa reforma agrária nunca saiu do papel, sendo nosso país o quinto maior em extensão territorial do planeta; um país que exporta vitaminas, mas, no entanto, quase 40 milhões dos que aqui habitam passam fome.
Especificamente sobre a questão agrária, em cujo bojo está implícito o paradoxo de muita terra disponível e muita gente passando fome, segundo os Cálculos do Plano Nacional de Reforma Agrária – Cadastro do INCRA – existem, aproximadamente, 55 mil imóveis rurais classificados como grandes proprietários improdutivos, que controlam 116 milhões de hectares. Eles são apenas 1% de todos os proprietários rurais do Brasil. Também sobre isso deverá o economista moderno lançar análise reflexiva.

O desafio da retomada do crescimento econômico
Esses jovens economistas que ora estão entrando no mercado de trabalho vão se deparar com uma armadilha específica que põe severas amarras à economia brasileira. Atualmente, embora o governo afirme o contrário, a economia brasileira não cresce porque está presa a uma armadilha de altas taxas de juros e baixas taxas de câmbio que mantém as taxas de poupança e de investimentos deprimidas. De tal maneira não há espaço para a criação da demanda necessária (desestímulo ao mercado interno) para que a taxa de acumulação de capital alcance o nível necessário à retomada do crescimento econômico.
Crescimento econômico, por sinal, será algo que deverá perseguir o economista todo o tempo; principalmente aqueles que buscarem na administração pública uma colocação no mercado de trabalho. Mais do que encontrar modelos que respondam por uma adequada taxa de crescimento da economia, deverá o economista, a serviço do setor público, ter clara noção de que o crescimento econômico, para ser solidificado e produzir frutos, deverá ser transformado em desenvolvimento.
Para tanto, o economista moderno obrigatoriamente necessitará ter uma visão ampla do processo social, visto que desenvolvimento econômico, no dicionário da profissão, significa qualidade de vida, significa ainda bem-estar a todos.
Combinando compreensão teórica com explicação técnico-didática, esse profissional somente estará apto a exercer sua profissão à medida que conseguir explicar os fatos econômicos dos tempos atuais com o rigor de excelência que se espera daquelas que tratam a profissão com esmero. E somente conseguirá fazer isso, mediante uma visão panorâmica do ambiente econômico, estando, nesse pormenor, aberto ao processo de criação, uma vez que a sociedade é algo que os homens não param de refazer.
Diante, portanto, de uma sociedade e de sistemas econômicos (incluindo a atividade econômica) que estão longe de ser estáticos (pois suas naturezas são dinâmicas), o economista moderno deve antes ser um analista social capaz de aferir com extrema sensibilidade as manifestações daqueles que almejam construir uma sociedade plural.
Cabe insistir, nesse pormenor, que em sociedades com agudos desequilíbrios sociais, o primeiro compromisso da macroeconomia sempre deverá ser o de erradicar a pobreza, visto que a pluralidade em uma sociedade somente ganhará espaço quando o coletivo sair fortalecido, embora os manuais de introdução à economia insistam em pregar o individualismo.
Depois de erradicada a miséria e banidos os “bolsões de pobreza” que ainda marcam a ferro e fogo a história econômica recente desse país, com a economia doméstica, aos poucos, se ajustando aos padrões de bem-estar coletivo, pensar-se-á na criação de riquezas, como muitos entendem ser esse o real e primeiro objetivo da economia.
Antes disso, uma longa e árdua tarefa espera pelos jovens economistas: a de fazer da economia, por meio da cooperação, uma ferramenta capaz de incluir. Para tanto, cabe ao observador da economia entender que essa ciência não se restringe apenas à frieza dos números, das taxas, dos índices, da econometria, da matematização constante, mas, antes, trata-se de uma economia que tem no ser humano seu ponto focal; afinal, como disse Marshall, a economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.

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(*) Economista e professor universitário, Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional. Autor do livro “Conversando sobre Economia” (ed. Alínea).