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segunda-feira, 30 de abril de 2012

O perigo das hidrelétricas: sinal vermelho para o aproveitamento de nossas hidrovias


O economista e amigo Ramiro Nazaré, um dos maiores especialistas da região em termos de infraestrutura e logística, me mandou um e-mail indignado com a morosidade da discussão acerca das eclusas nos barramentos destinados a construção de hidrelétricas na Amazônia. E dou a ele total razão!  
Até 2018 o Governo Federal prevê a existência de 21 hidrelétricas na Amazônia Legal. Somente no estado do Pará estão previstas mais 11 usinas além de Belo Monte. A Amazônia possui a maior bacia hidrográfica do planeta e extensos rios navegáveis, que se houvesse visão estratégica governamental, em todos os níveis de governo, seriam priorizadas em termos de logística e integração. Não há dúvida que o modal hidroviário é mais econômico e viável na Amazônia e o montante de investimentos, comparativamente a outras ações em andamento, é modesto. Algo inferior a 10 bilhões de reais.
Em minha opinião é um crime o barramento de um rio para a construção de uma hidrelétrica sem a construção de eclusas. Esta é uma ação que deveria estar presente em todas as obras como parte dos condicionantes básicos dos empreendimentos. Curiosamente não vemos os nossos gestores e nem nossos representantes tocarem neste assunto. Quando o fazem, fazem com grande timidez. Uma pergunta que sempre me faço, com tamanha dádiva divina (os rios) por que a insistência em priorizar o modal rodoviário? Além do elevado custo de construção das rodovias, estimado em mais de 6 milhões de reais o quilômetro, há um permanente custo de manutenção! Quem se atreve a sugerir uma resposta?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Centro Acadêmico de Ciências Sociais organiza discussões para os calouros


O Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs) organizará, de 5 a 8 de março, várias discussões na Semana do Calouro do curso. A entidade realizará discussões tanto sobre a sociedade em geral quanto sobre os desafios da profissão de cientista social, além  de debates acadêmicos.
 Segundo o vice-coordenador do Cacs, o estudante Luiz Guilherme, a calourada deste ano terá o tema (Cons)ciências Sociais: A sociedade no foco das reflexões. “Nossa ideia é mostrar que o curso está atrelado às discussões que ocorrem na sociedade, por isso, além de apresentarmos a profissão, iremos discutir o plebiscito de divisão do Pará e Belo Monte.”
 A expectativa do centro acadêmico é reunir cerca de cem pessoas durante toda a programação, sendo os 80 calouros, mais os veteranos do curso. Para isso, a diretoria do Cacs resolveu fazer um amplo trabalho de divulgação da programação nas redes sociais.
A calourada de Ciências Sociais terá como atração cultural uma roda de tambores.
 “Resolvemos fazer uma roda de tambores com um grupo de crianças de um projeto social, porque essas são ações sociais de fato, na prática, através da cultura popular”,  relata o organizador da atividade, o estudante Rafael Sales, mais conhecido como “Café”.
 Luiz Guilherme solicita que os calouros do curso enviem seus nomes e contatos para os e-mails lggomes@ufpa.br, lokinhatata@gmail.com e thainanunes@hotmail.com para que o Centro Acadêmico tenha como se comunicar com os estudantes.

Veja aqui a programação completa da Recepção aos Calouros de Ciências Sociais.

Texto: Vito Ramon Gemaque – Assessoria de Comunicação da UFPA
Fonte: http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=5633

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Fotos: Audiência Pública sobre Belo Monte na ALEPA - 07/04/2011

Fotos tiradas na Audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Estas fotos foram extraídas do sitio do Pará Político (www.parapolitico.com.br) do amigo Hamilton Francês.




quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CORECON-PA: NOTA DE REPÚDIO – BELO MONTE

O Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA) vem por meio desta nota pública repudiar a forma como o Consórcio Construtor da Usina Hidrelétrica de Belo Monte vem tratando a sociedade paraense. Entendemos a importância que a expansão da produção de energia elétrica representa para a construção de uma trajetória sustentada de crescimento econômico do Brasil. Todavia, referido projeto precisa, ao mesmo tempo em que é positivo para o país, se consolidar como um instrumento de desenvolvimento do Estado do Pará. Nosso Estado não suporta mais ser tratado como simples “almoxarifado” de insumos para o desenvolvimento do Brasil, sem no entanto, ser recompensado com parcela deste desenvolvimento. Não aceitamos mais a implantação em nosso estado de enclaves que muito pouco contribuem para a melhoria da condição de vida de nossa população. Ficamos apenas com o ônus da mitigação dos impactos sociais e ambientais sem uma devida compensação financeira. O mínimo que se espera de um grande projeto como Belo Monte é que este se consolide como um efetivo instrumento de indução do desenvolvimento local e estadual. Entretanto, a insistência do Consórcio, sem justificativa plausível, de comprar bens e contratar serviços em outros estados, deixando de dar a devida compensação na forma de recolhimento de tributos ao estado do Pará, materializa-se como mais um desrespeito ao povo do Estado do Pará, desrespeito este que a categoria profissional dos economistas jamais aceitará. Desta forma, exigimos publicamente que o Consórcio de Belo Monte mude as suas práticas e altere a forma como vem tratando a sociedade paraense.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Belo Monte: fomos mais uma vez enganados?

Venho acompanhando com muita atenção as últimas notícias referentes ao Consórcio Construtor de Belo Monte. Como cidadão paraense tenho a nítida impressão de que continuamos sendo tratados como “índios” que recebem “espelhinhos” em troca de algo realmente de valor. Primeiro o Consórcio contratou uma empresa do Paraná para realizar o EIA/RIMA do empreendimento. Depois não cumpriu nem metade das condicionantes prévias pactuadas com a sociedade e o Governo do Pará. Em seguida comprou os tratores para o empreendimento no Paraná, recolhendo os impostos alhures, em um estado que está muito longe da área de impacto da barragem. Não satisfeitos contrataram uma empresa do Distrito Federal para realizar cursos de capacitação para as prefeituras da região do Xingu. Se já não bastasse, contrataram uma empresa do Paraná para estudar os impactos do alagamento da barragem na região. E agora compraram os caminhões em São Paulo. São seguidas atitudes desrespeitosas para com o povo do Pará. Neste ritmo deixarão aqui somente os impactos sociais e ambientais do empreendimento. Não podemos nos iludir. Esta conta será paga por nós paraenses na medida em que o Governo do Pará precisará aumentar os investimentos públicos na região sem uma devida contrapartida financeira.
Por outro lado, o Governo do Estado do Pará não pode somente ficar no campo da ameaça. Precisa tomar atitudes mais enérgicas. Não podemos continuar sendo tratados como o almoxarifado do desenvolvimento alheio. Eles vêm com os “espelhinhos” e com a conivência de alguns políticos locais levam insumos e matérias-primas valiosas para gerar o desenvolvimento em outras regiões. Sem falar de alguns grupos locais que permanecem omissos ou compactuam com tudo isto em função de benefícios pontuais, em detrimento do bem-estar coletivo. BASTA!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ICMS de energia e Usina de Belo Monte são debatidos durante evento realizado pelo CORECON-PA e CRC-PA

O Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA), em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade (CRC) realizaram nesta segunda-feira (15/08), a palestra sobre ICMS de Energia Elétrica, com o tema “Aspectos Gerais e Específicos sobre Tributação de Energia Elétrica”, ministrada pela Advogada Tributarista Graça Penelva.
 Dentre os temas debatidos durante a palestra estiveram a importância da Amazônia como potencial energético, abordando os principais pontos da questão sócio-ambiental, o custo da energia, o conceito mercadoria, as características do ICMS, a competitividade da economia referente à construção da Usina Belo Monte e a repercussão para os Estados produtores de energia.
 Defender os interesses da sociedade e extrapolar os campos de atuação dos Conselhos Regionais de Contabilidade e de Economia. Foi com estas palavras que a Presidente do CRC, Regina Vilanova deu prosseguimento as atividades, moderando a palestra-debate “Usina de Belo Monte – Desenvolvimento Para Quem?”, que contou com a participação do Presidente do CORECON-PA, o economista Eduardo Costa.
 Ao iniciar o seu discurso, Eduardo Costa relembrou a história do Estado do Pará e sua adesão a independência do Brasil. Ele destacou que o objetivo do evento foi debater temas polêmicos e fundamentais para a sociedade paraense, que precisa estar mais envolvida e participativa, mas principalmente instruí-la para a formação de uma opinião pública crítica sobre o assunto.
 O Presidente do CORECON-PA lembrou ainda, que de acordo com o Plano Nacional de Expansão para o Setor Energético estão previstas a construção de 12 usinas hidrelétricas somente no Estado do Pará, o que acarretará sobrecarga dos serviços públicos em decorrência do fluxo migratório, estimado em cerca de 400 mil pessoas em busca de novas oportunidades. “Não há dúvidas de que o Estado do Pará se tornará, em um curto espaço de tempo, no Estado mais importante da federação no que se refere à geração de energia elétrica, arcando, entretanto, com os significativos impactos sócio-ambientais destas obras”, alertou.

sábado, 6 de agosto de 2011

Fórum de Belo Monte desenvolve estratégia para investir pesado na pressão social

Com poucas esperanças de vitória a tempo no campo jurídico, o Fórum de Belo Monte espera conseguir ganhos sócio-econômicos ao Pará por meio de pressão social. Composto por órgãos governamentais e instituições civis, o fórum se reuniu ontem (dia 04 de Agosto), na sede do Conselho Regional de Economia (Corecon) para definir estratégias de convencer o governo federal e o consórcio que constrói a usina a investir mais no Estado, como forma de compensar os danos sociais e ambientais que já começaram a ser causados com a construção.
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA), o Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a Defensoria Pública do Estado do Pará, a Fundação Villas-Bôas e outras entidades começaram a se congregar para lutar no ano passado. A princípio, o foco era por vias judiciais, mas a demora nas sentenças fez o fórum mudar de estratégia. "Estamos em um ambiente de insegurança jurídica, porque só temos decisões liminares, que vêm e vão. Enquanto isso a obra continua, como o governo quer", explica a assessora do MPF, Helena Palmquist.

 
Em vez de desistir das ações judiciais, o fórum resolveu investir pesado na pressão social. Durante a reunião de ontem, ficou decidida a realização de várias audiências públicas para tratar do tema. As próximas serão em Brasília e Altamira, ainda sem data marcada. No dia 15 deste mês, haverá um debate de esclarecimento, na sede do Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Além disso, será redigida uma carta aberta à sociedade, na qual será explicado que o consórcio que constrói a usina de Belo Monte não cumpriu todas as condições prévias e que, no fim das contas, o Pará terá prejuízos com a obra, enquanto que o resto do país sairá beneficiado. "Não somos contra a usina, mas sim contra a forma com que ela traz danos aqui, em especial à cidade de Altamira", diz o presidente do Corecon, Eduardo Costa.

sábado, 23 de julho de 2011

A próxima reunião do Fórum de Belo Monte acontecerá dia 04 de agosto

O Fórum de Belo Monte é um espaço amplo, aberto e democrático criado para discutir e monitorar os impactos sociais, ambientais e econômicos da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Participam do Fórum diversas instituições, órgãos de classe, ONG e entidades representativas de movimentos sociais, com destaque para o Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA), que atua como secretaria executiva do Fórum, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA), o Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a Defensoria Pública do Estado do Pará e a Fundação Villas-Bôas, dentre outras.
A próxima reunião ampliada do Fórum está agendada para o dia 04 de agosto e terá como pauta: a atualização da situação dos condicionantes prévios da obra, as compensações financeiras do empreendimento e uma agenda com atividades propositivas para o segundo semestre. Esta é mais uma plenária aberta que acontecerá às 16h na sede do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará, Rua Cônego Jerônimo Pimentel, 918.
O Fórum, que já realizou uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) e outra na Câmara Federal, está tentando viabilizar uma audiência com o Governador do Estado do Pará, Simão Jatene, para discutir ações pró-ativas por parte do Governo do Estado, uma audiência pública na Cidade de Altamira com a comunidade local e uma audiência pública no Senado Federal. O principal objetivo do Fórum é se constituir como um mecanismo de controle social do empreendimento.  


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Usina Hidrelétrica de Belo Monte, desenvolvimento para quem?

A construção de Usina Hidrelétrica de Belo Monte vem se constituindo nos últimos anos como assunto polêmico e fundamental para a sociedade paraense e brasileira. A polêmica em torno do barramento do rio Xingu já dura mais de 20 anos. Ainda no início da década de 1980 a Eletronorte lança um relatório sobre o potencial energético da bacia hidrográfica do Xingu destacando o potencial de geração de 19 mil megawatts de energia com alagamento de 18 mil quilômetros impactando ao todo 12 terras indígenas. É neste momento que se iniciam os estudos de viabilidade técnica e econômica do Complexo Hidrelétrico de Altamira, que englobava a construção de duas usinas, a de Babaquara (6,6 mil Mw) em Altamira e a de Kararaô (11 mil Mw) em Belo Monte.  
No ano de 1986 o Governo Federal concluiu o Plano Nacional de Energia Elétrica 1987-2011, propondo a construção de 165 usinas hidrelétrica até o ano de 2010, sendo que deste total 40 delas estariam localizadas na Amazônia Legal. Em fevereiro de 1989 foi realizado na cidade de Altamira o Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, marcado pela presença do cantor Sting e pelas cenas fortes da índia Tuíra Kayapó que chegou a tocar o rosto do então diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, com um facão em sinal de protesto contra o barramento do rio. Literalmente os Kayapós incorporaram naquele momento o significado literal da palavra Kararaô que em sua língua significa “grito de guerra”.   
Em meio às críticas internacionais, a polêmica em relação à obra e a crise econômica por que passava a economia brasileira à obra foi paralisada. Em 1994 um novo projeto é apresentado à sociedade brasileira procurando minimizar os impactos sócio-ambientais da obra. Duas novidades chamaram a atenção naquele momento, em primeiro lugar o barramento passa a ser chamado de Usina Hidrelétrica de Belo Monte na Volta Grande do Xingu, e em segundo lugar o reservatório da usina é reduzido de 1.225 km2 para um pouco mais de 400 km2, evitando com isto a inundação da área indígena denominada de Paquiçamba. A construção da UHE de Belo Monte passa ser uma das obras estratégicas do Programa Avança Brasil e neste momento o então Presidente Fernando Henrique Cardoso posiciona-se veementemente contra a ação dos ambientalistas afirmando que a ação destes acabava prejudicando o desenvolvimento do Brasil.
  Nos dois últimos anos do Governo Fernando Henrique (2001 e 2002) o Brasil enfrentou a famosa “Crise do Apagão”, que acabou em função da elevada estiagem e da crise de oferta energética levando o Governo Federal a lançar um plano de emergência estimado em 30 bilhões de dólares, que incluía a construção de 15 usinas hidrelétricas, e dentre elas o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.
A obra da UHE de Belo Monte volta a ser inserida como ação fundamental para o desenvolvimento do Brasil como principal obra do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Lula recolocando a polêmica acerca da construção da usina no centro do debate. No mês de maio de 2008 é realizado na cidade de Altamira o “Encontro Xingu Vivo para Sempre” que se notabilizou pelas cenas envolvendo a agressão ao engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de inventário da UHE de Belo Monte e pelo lançamento da Carta Xingu Vivo para Sempre na qual os movimentos sociais da região do Xingu se posicionam contra a barragem e a favor de modelo alternativo de desenvolvimento para a região.
  Recentemente a polêmica em torno da obra ganhou novamente patamares internacionais e midiáticos com o engajamento do cineasta James Cameron que prometeu liderar uma cruzada contra a obra, tendo inclusive escrito uma carta ao então Presidente Lula solicitando que a construção da usina fosse imediatamente suspensa, relacionando à obra de ficção Avatar com os acontecimentos da região do Xingu, uma nova Pandora. Cameron prometeu inclusive gravar cenas do filme Avatar 2 na região.
O atual argumento em favor da obra é que esta é fundamental para dar sustentabilidade ao novo ciclo de crescimento da economia brasileira. Estimativas apontam que se o Brasil mantiver a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a taxas médias de 5% ao ano, em torno de aproximadamente 5 anos teremos um novo descompasso entre oferta e demanda. Assim, a construção da UHE de Belo Monte insere-se como questão estratégica nacional, possuindo menor impacto ambiental que as termo-elétricas.
Estimativas mais recentes apontam que o custo da obra supera os US$ 30 bilhões e que segundo o EIA/RIMA da obra a barragem terá um reservatório de 516 km2. A usina terá capacidade total instalada de operação de 11.233 MW, se constituindo na terceira maior hidrelétrica do mundo, e a energia firme será de 4.462,3 MW, ou seja, 39% da capacidade instalada. Na fase de construção está prevista a geração de 42 mil empregos, sendo 18.700 diretos e 23 mil indiretos, com uma estimativa de impacto migratório para a região significativo. As melhores estimativas prevêem que 80 mil migrantes ingressarão nesta região em busca de novas oportunidades. Outras apontam para um contingente superior a 100 mil pessoas.
Dados da Prefeitura Municipal de Altamira, cidade pólo da região do Xingu, apontam que já ingressaram no município mais de 8 mil pessoas em função da expectativa de início das obras. Trata-se de um dado expressivo se levarmos em consideração que a população de Altamira, de acordo com o IBGE, é de 100 mil habitantes, sendo que grande parte dela, em torno de 20 mil, encontra-se desempregada. Diversos impactos são estimados na região em função da obra, principalmente ambientais, sociais e econômicos. Ademais, chama a atenção a eminente sobrecarga dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento, segurança e transporte público.
Os movimentos sociais e as lideranças indígenas da região permanecem contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais do empreendimento não estão suficientemente dimensionados, tecendo críticas sobre os estudos do EIA/RIMA que segundo eles incorrem, conforme levantamento do “Painel de Especialistas”, em: inconsistência metodológica; ausência de referencial bibliográfico adequado e consistente; ausência e falhas nos dados; coleta e classificação assistemáticas de espécies, com riscos para o conhecimento e a preservação da biodiversidade local; correlações que induzem ao erro e/ou a interpretações duvidosas; e utilização de retórica para ocultamento de impactos. Em relação aos impactos do empreendimento o Painel destaca o: subdimensionamento da área diretamente afetada; subdimensionamento da população atingida; subdimensionamento da perda de biodiversidade; subdimensionamento do deslocamento compulsório da população rural e urbana; negação de impactos à jusante da barragem principal e da casa de força; negligência na avaliação dos riscos à saúde; negligência na avaliação dos riscos à segurança hídrica; superdimensionamento da geração de energia; e subdimensionamento do custo social, ambiental e econômico da obra.
A expectativa do Consócio Norte Engenharia, grupo formado por diversas empresas envolvidas na construção da obra, é de que a construção deverá ser iniciada ainda em 2011, com os inícios da operação previstos para fevereiro de 2015 e a conclusão total das obras em 2019. Conforme os relatórios acerca dos impactos do empreendimento, um terço da população atraída pela obra deverá permanecer na região, algo em torno de 32 mil pessoas, sendo que a maioria deverá se fixar na cidade de Altamira. Por outro lado, de acordo com cálculos da Eletrobrás, a operação da usina de Belo Monte proporcionará por ano uma arrecadação de cerca de R$ 170 milhões a título de compensação financeira pela utilização de recursos hídricos, os chamados royalties.
Em que pese isto, algumas questões precisam ser mais bem debatidas. Não há dúvida que a infraestrutura econômica é um fator importante para o desenvolvimento, limitando o potencializando a sua trajetória. Contudo, uma questão que emerge é a destinação da energia gerada. Sabe-se que esta, de acordo com o discurso corrente, tem por finalidade de um lado garantir o aumento da oferta de energia elétrica no Nordeste e Centro-Sul do país, e de outro garantir a oferta de energia elétrica necessária para a viabilização da verticalização da produção mineral no estado do Pará. Surge neste ponto uma questão federativa fundamental. Não se trata somente de Belo Monte, de acordo com o Plano Nacional de Desenvolvimento Energético 2010/2011 estão previstas a construção de 12 usinas hidrelétricas somente no estado do Pará.
Não há dúvida que o estado do Pará se tornará em um curto período de tempo no estado mais importante da federação no que se refere à geração de energia elétrica, arcando com os significativos impactos sócio-ambientais destas obras. Neste ponto a sociedade paraense precisa participar mais diretamente deste debate. A não participação do Governo do Estado do Pará por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) no processo de licenciamento da obra pode gerar sérios problemas para o planejamento e implementação de políticas públicas pró-ativas.
Se isto não bastasse é fundamental para a sociedade paraense a rediscussão de temas polêmicos como a “ilógica lógica” de cobrança do ICMS da energia no destino. O Pará ficará com os impactos sócio-ambientais e os estado que receberão a energia recolherão o imposto? Outras perguntas também são fundamentais: As compensações financeiras serão suficientes para cobrir os impactos do empreendimento? Qual será o poder de influência do Estado nas ações da usina, ou seja, não é importante discutir melhor mecanismo como a Golden Share? Por que alguns condicionantes prévios da obra não foram executados ou o foram apenas parcialmente?  
 Em suma, a sociedade paraense precisa discutir melhor o empreendimento de Belo Monte e esta obra precisa se configurar como positiva não somente para o restante do país, mas para o estado do Pará e principalmente para os moradores da região do Xingu. A Amazônia e o estado do Pará não pode continuar sendo o almoxarifado do restante do país e do mundo. As nossas riquezas se vão e ficam no estado a pobreza e a miséria com todas as suas conseqüências. Ou seja, Belo Monte precisa ser bom para o Brasil, para o Pará e para os habitantes da região do Xingu.