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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

INDEPENDÊNCIA DO BANCO CENTRAL

 A aprovação hoje pela Câmara dos Deputados do texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 19/2019, que trata da autonomia do Banco Central, é um tema polêmico que divide opiniões. Ao mesmo tempo em que a independência do BC blinda a instituição de uma maior interferência política no curto prazo, acaba retirando do governo federal um importante instrumento de política macroeconômica que pode ser justamente importante no curto prazo.

Recentemente o Brasil viveu uma positiva trajetória de redução da taxa básica de juros da economia, atingindo o seu menor nível desde o início do Plano Real, justamente pela influência do Ministro da Economia Paulo Guedes na condução da Política Monetária pelo BC. Até então o BC estava subordinado ao Ministério da Economia. A partir do novo modelo o BC irá adquirir maior autonomia, na medida em que se tornará uma Autarquia de Natureza Especial, desvinculada do Ministério da Economia.

Na prática, cada presidente eleito poderá ter que conviver durante parte de seu mandato com um Presidente do BC nomeado pelo seu antecessor. Enquanto houver confluência de rumos, em termos de política macroeconômica, não haverá problemas. Porém, quando houver divergências, o conflito será sentido pela população em razão da descoordenação das medidas de política macroeconômica (fiscal e monetária).

Finalmente, a autonomia pode representar uma janela de oportunidade para uma maior influência do setor financeiro na gestão da política monetária, e uma maior blindagem de influências políticas no órgão. Logo, não há um mundo ergódico pré-definido. Caberá o tempo nos mostrar se a medida foi ou não benéfica para uma país como o Brasil. 

terça-feira, 14 de julho de 2015

Para matar o carrapato vamos sacrificar o boi


   O último relatório Focus, do Banco Central, apresenta uma mudança de expectativas com relação à taxa de juros, antecipando o viés de alta a ser chancelado na próxima reunião do COPOM, que acontecerá nos dias 28 e 29 de julho próximos.
   Ao que tudo indica haverá novo aumento de 0,5 p.p., o que elevará a Selic para 14,25% a.a., o dobro da taxa de 7,25% que vigorava antes deste ciclo, fundamentalmente em decorrência do viés de alta da taxa inflacionária apresentada pelo mercado, superior a 9% em 2015.
  Outros números também chamam atenção neste contexto, principalmente o aumento do desemprego, e a queda no PIB nacional projetada para este ano em torno de 1,5%.
   Com esta medida ao lado do ajuste fiscal em curso e o aumento da carga tributária, usando uma figura de linguagem, ao que parece o governo federal “para matar o carrapato está sacrificando o boi.”

Para acesso ao ultimo relatório do Boletim Focus: http://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20150710.pdf

terça-feira, 11 de março de 2014

Governo Dilma e o desempenho da economia brasileira: Mediocridade esférica


Recomendo a leitura do artigo “Governo Dilma e o desempenho da economia brasileira: Mediocridade esférica” do economista Reinaldo Gonçalves (UFRJ). "Nunca antes na história desse país, os ricos mandaram tanto capital para o exterior - algumas dezenas de milhares de brasileiros, de gente rica e muito rica. Por outro lado, no que se refere ao povo, às massas, não há as alternativas de sonegação, corrupção, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, fuga de capitais e proteção frente ao risco-Brasil e ao Desenvolvimento às Avessas..."

 
Verificar em: http://bit.ly/1dzaP3M

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nova alta nos juros: novo sacrifício do crescimento


Na mesma semana que a imprensa critica a taxa de crescimento econômico do Brasil de 2013 de apenas 2,3%, o Banco Central elevou novamente a taxa básica de juros da economia em 0,25%, que chegou ao patamar de 10,75% a.a. Como economista não vejo justificativa para este aumento. O nosso problema é estrutural, carência na oferta, precisamos incentivar a produção, o investimento. Ao invés disto, estamos novamente sufocando a demanda. Como consequência, o consumo e o investimento são inibidos. Assim, sob o pretexto de combater a inflação novamente sacrificamos o crescimento econômico. Nesta próxima eleição os rumos da política econômica brasileira precisa ser publica e democraticamente debatida.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Juros altos, política econômica e uma breve reflexão


Com o tempo passamos a observar que há um ciclo da taxa básica de juros no Brasil. Sempre que as eleições presidenciais se aproximam o terrorismo com a aceleração da inflação aumenta e o Banco Central adota medidas de política monetária restritiva, começando com a elevação da taxa básica de juros. Agora em janeiro o Comitê de Política Monetária (COPOM) elevou, conforme figura a baixo, para 10,5% a.a. a Taxa Selic. Novos aumentos virão com o objetivo de conter o crédito e freiar o consumo.
 
Apesar de ser formado em economia, com especialização, mestrado e doutorado na área acho que não entendo nada mesmo da matéria. Na minha leitura, completamente diferente do mainstream propagado na academia, nas mídias e defendido pela ortodoxia econômica, que lamentavelmente pauta grande parte das decisões da área fiscal e monetária do Governo Federal, continuamos equivocados nesta lógica. A ortodoxia defende um ataque pelo lado da demanda: aumento dos juros, restrição do crédito, do consumo e dos investimentos, diminuição da demanda efetiva e diminuição da pressão inflacionária. Quem ganha com isto? Certamente o mercado financeiro (forte financiador das campanhas eleitorais). Quem perde? A população com a diminuição do crescimento econômico e com as restrições de acesso ao consumo.
De outro lado, não sendo exaustivo, enxergo que o caminho, ou melhor a política deveria ser inversa. Em vez de diminuir a demanda, deveríamos estar incentivando é a oferta, ou seja, o setor produtivo, gerando emprego, renda, e estimulando o crescimento econômico. Se há aumento de preços por excesso de demanda, em vez de diminuir a demanda, deveríamos estimular a oferta. Mas aí a política deveria ser completamente inversa: diminuição dos juros, incentivo a produção, diminuição da carga tributária, melhoria nos sistemas de infraestrutura e logística, diminuição do “Custo Brasil”, diminuição dos entraves burocráticos para o setor privado e elaboração de verdadeiras políticas voltadas para o desenvolvimento e fortalecimento do setor produtivo. Quem ganha? O Brasil. Quem perde? Uma pequena elite parasitária que aprendeu a usufruir do mercado financeiro.
Observação para alguns incautos estudantes e economistas fissurados em modelos acadêmicos e amantes da ortodoxia. Já é ponto pacífico que para a aceleração do crescimento econômico é necessária certa conivência, ao menos no curto prazo, com aumentos da taxa inflacionária.
Para longe desta visão conjunturalista, e das hegemônicas, mas pobres, análises hidráulicas do sobe e desce de variáveis, deveríamos estar discutindo questões estruturais e o nosso Projeto de Nação.  
Ultima recomendação aos jovens e futuros economistas: em nossas análise precisamos sair do baixo economicismo acadêmico, de modelos dos manuais, e entendermos que a economia é verdadeiramente uma ciência política na sua concepção ampla.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Política monetária deve continuar “especialmente vigilante”

         Em palestra durante a abertura do V Fórum sobre Inclusão Financeira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a política monetária deve continuar “especialmente vigilante”. A principal preocupação é com a aceleração da inflação. Como resultado, é de se esperar a continuidade da tendência de alta da taxa básica de juros. A cadeia causal é fácil, portanto de entender: elevação da taxa básica de juros (Selic) → redução da inflação → diminuição do crescimento econômico. Ainda como resultante do aumento da Selic → aumento das taxas das operações de mercado aberto → aumento do passivo do governo federal → maiores gastos com pagamento de juros e amortizações da dívida pública federal → comprometimento de uma fatia maior do orçamento público federal com este gasto (em 2012% comprometeu 43% do orçamento federal) → necessidade de política fiscal ortodoxa → garantia do percentual do superávit primário → menos recursos para outros gastos (saúde, educação, saneamento...) → diminuição do crescimento econômico.