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sábado, 1 de agosto de 2015

Brasil: o país da desigualdade social


Dados recentes da Receita Federal que foram tornados públicos demonstram cabalmente o enorme fosso social que ainda existe na sociedade brasileira, na medida em que menos de 1% dos contribuintes concentram cerca de 30% de toda a riqueza declarada em bens e ativos financeiros.
Chama atenção o dado complementar de que 0,3% dos declarantes de Imposto de Renda no país concentraram, em 2013, 14% da renda total e 21,7% da riqueza, totalizando rendimentos de R$ 298 bilhões e patrimônio de R$ 1,2 trilhão. Isso equivale a uma renda média individual anual de R$ 4,17 milhões e uma riqueza média de R$ 17 milhões por pessoa.
Se adicionarmos a este grupo aqueles com renda mensal acima de 80 salários mínimos, chega-se a 208.158 brasileiros (0,8% dos contribuintes), que respondem sozinhos por 30% da riqueza total declarada à Receita.
A desigualdade social fica também latente quando os dados da Receita Federal explicitam que as camadas mais privilegiadas acabam proporcionalmente pagando menos impostos. Em 2013, do total de rendimentos da faixa que recebe acima de 160 salários mínimo, 35% foram tributados. Na faixa dos que recebem de 3 a 5 salários, por exemplo, mais de 90% da renda foi alvo de pagamento de imposto.
Perpetua-se claramente no país uma inversão tributária na qual sobretaxa-se a produção e o consumo, e muito pouco tributa-se a renda e a riqueza. Desta forma, uma reforma tributária somente será efetiva se conseguir alterar essa assimetria, tornando a tributação sobre o lucro e o patrimônio mais incisiva do que sobre a produção, o consumo e as vendas.
 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) os Brasileiros com renda menor pagam 53% dos impostos

Levantamento recente do IBPT mostra que apesar da queixa da classe média brasileira são os pobres os que pagam a maior fatia do bolo tributário do país. De acordo com o levantamento os brasileiros segundo faixa salarial pagam a seguinte fatia do bolo tributário: até 3 salários mínimos (SM), 53%; de 3 a 5 SM, 12,65%; de 5 a 10 SM, 16,63%; de 10 a 20 SM, 9,63%; mais de 20 SM, 7,3%.
 
Este fato acontece devido ao sistema tributário do país ser altamente regressivo.
 
 Obs.: A pesquisa do IBPT foi feita com base no Censo 2010 e na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (VI)


Reforma tributária, sendo uma mudança estrutural, não pode ser confundida com modificações pontuais de caráter cíclico ou conjuntural. É muito mais do que mudanças em alguns tributos, é uma mudança da lógica tributária. Por outro lado, qualquer discussão séria sobre a carga tributária no Brasil deve começar pelo perfil do gasto público e por quem efetivamente paga os impostos. Assim, a questão a ser debatida não é a diminuição da carga tributária, mas a qualidade do gasto público e a mudança da incidência tributária.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (V)

Infelizmente o debate no Congresso Nacional sobre a Reforma Tributária tende a fica “empacado” na medida em que ainda não há consenso sobre muitos temas, além da eterna preocupação de perda de arrecadação dos diversos níveis de governo. Ou seja, há uma resistência federativa em relação ao debate sobre a reforma tributário estando o nó górdio na preocupação de todos os níveis de governo com a possível perda de arrecadação. Ninguém aceita diminuir a sua fatia da arrecadação. Neste contexto, enquanto o tema não for efetivamente uma prioridade do governo ele ficará emperrado no Congresso.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (IV)


Como dito em postagem anterior o sistema tributário brasileiro é caracterizado por ser altamente regressivo. Quem ganha mais, paga menos. E os pobres pagam muito mais impostos proporcionalmente. A título de comparação, enquanto no Brasil a maior alíquota do Imposto de Renda é de 27,5%, nos Estados Unidos, o país do laissez faire, a maior alíquota é de 55,9%.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (III)


O sistema tributário brasileiro é burocrático, confuso e pune o setor produtivo. Ao lado disto, pode-se afirma que o sistema tributário brasileiro contraria o dispositivo constitucional que prima pelo combate às desigualdades sociais e regionais. Ao onerar muito mais o consumo, do que a renda e o patrimônio, pune os mais pobres e alivia os que estão no topo da pirâmide social. Assim, notabiliza-se por ser altamente regressivo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (II)


Não resta dúvida de que uma das principais pautas a serem enfrentadas neste debate eleitoral para Presidência de República que se aproxima é a Reforma Tributária. Um debate amplo sobre este assunto é necessário, principalmente dentro de um contexto federativo. Já sinalizaram movimentos neste sentido tanto o candidato Eduardo Campos (PSB) quanto Aécio Neves (PSDB). Resta saber qual será a postura de Dilma Rousseff (PT) sobre o assunto.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Perfil do Sistema Tributário Brasileiro (I)

Em 2012, a Carga Tributária Bruta (CTB) atingiu 35,85%. Em termos percentuais da arrecadação a União respondeu por 69,05%, os estados por 25,16% e os municípios por 5,79%. O fato é que o Brasil é uma exceção mundial em termos do modelo tributário por apresentar impostos de competência de três níveis federativos. Neste contexto o principal imposto em todos os níveis é o ICMS que é de competência dos estados.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Nota Oficial do Cofecon - Reforma Tributária


Após debate sobre os Impasses da Reforma Tributária no Brasil, realizado durante a Sessão Plenária deste 31 de janeiro de 2014, o Conselho Federal de Economia (Cofecon) torna público o seu posicionamento institucional pela necessidade iminente do Brasil avançar com celeridade nesta discussão. Institucionalmente defendemos que este processo colabore para o fortalecimento do pacto federativo, combata a injustiça tributária no país, resolva o problema da Guerra Fiscal, avance na discussão do Supersimples e estabeleça mecanismos de tributação progressiva. Com isto, defendemos o alívio da enorme incidência de tributos arcados pelos pobres. 

Paulo Dantas da Costa
Presidente do Cofecon

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Prejuízo dos Municípios (Bremaeker)


O prejuízo dos municípios com a renúncia fiscal do FPM e do ICMS por François E. J. de Bremaeker publicado no Observatório de Informações Municipais (7/2013). "As dificuldades financeiras vivenciadas pelos Municípios desde a primeira crise econômica internacional ocorrida em 2008/2009 se fizeram sentir de forma mais acentuada através do desempenho do FPM (a principal fonte de receita de mais de 80% dos Municípios)..."
Verificar em: http://bit.ly/14xLyma

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Pesadelo fiscal: estados preferem guerra fiscal a investir


O Brasil está virando o país das inversões de valores, inclusive na lógica econômica do desenvolvimento. A teórica clássica do crescimento econômico advoga por pesados investimentos em capital humano (educação) e infraestrutura. Contudo, o Brasil vem trilhando um caminho “tabajara” pautado principalmente em incentivos tributários. Não obstante termos que reconhecer que o nosso modelo tributário é extremamente complexo, se comparado a outras realidades, a carga tributária no Brasil está centrada no consumo e nas classes menos favorecidas (altamente regressiva).
Se isto já não bastasse, um estudo do economista José Roberto Afonso (FGV) aponta que a maior parte dos estados brasileiros destinam mais verba à guerra fiscal do que ao investimento público. Estimativas mostram que para cada R$ 100 que os estados investem, R$ 217 são dados em incentivos tributários com o objetivo de cooptar empresas de outros estados. No limite, este é um jogo de soma negativa para a população em geral que acaba logrando menos investimento público (saúde, educação, segurança, infraestrutura...).

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aula inaugural da FACECON/UFPA


A Faculdade de Ciências Econômicas (FACECON) da UFPA realizará no próximo dia 16 de setembro a aula inaugural do semestre letivo a partir das 18:30h no auditório do Instituto de Ciências da Educação (ICED). A aula será proferida pelo professor licenciado Claudio Alberto Castelo Branco Puty, atual Deputado Federal pelo estado do Pará, com o tema "Aspectos Federativos da Reforma Tributária no Brasil".

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Como votaram os nossos representantes em relação a partilha dos royalties do petróleo?


Precisamos a cada dia monitorar e fiscalizar o comportamento dos nossos representantes eleitos. Se não bastasse a apatia que vemos em relação a temas importantes para o estado do Pará, agora vemos os nossos representantes votando contra os interesses do nosso estado e de nossas prefeituras. Ao fazerem isto estão votando contra o nosso povo. Compartilho a lista de como os nossos Deputados Federais votaram em relação a repartição dos royalties do petróleo. Os que votaram contra, votaram contra o Pará e contra os nossos interesses. Preferem seguir orientações de bancadas do que lutar pelo que interessa realmente para o nosso povo. Povo do Pará, abra o olho!

Deputados paraenses que votaram contrários a partilha:
1.            Beto Faro (PT);
2.            Claudio Puty (PT);
3.            Zé Geraldo (PT).

Deputados paraenses que votaram a favor da partilha:
1.            Arnaldo Jordy (PPS);
2.            Asdrubal Bentes (PMDB);
3.            Dudimar Paxiúba (PSDB);
4.            Elcione Barbalho (PMDB);
5.            José Priante (PMDB);
6.            Lira Maia (DEM);
7.            Lúcio Vale (PR);
8.            Miriquinho Batista (PT);
9.            Wandenkolk Gonçalves (PSDB);
10.         Wladimir Costa (PMDB);

Não estiveram presentes na votação:
1.            Zenaldo Coutinho (PSDB);
2.            Josué Bengtson (PTB);
3.            Zequinha Marinho (PSC);
4.            Giovanni Queiroz (PDT).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Por uma agenda estratégica para o estado do Pará



Foto tirada na mina da Vale na Serra de Carajás. É de lá que o nosso minério de ferro é extraído para ser exportado para gerar emprego e renda noutros países. Ficamos somente com o buraco e com o passivo social e ambiental dos grandes empreendimentos mineradores. Precisamos rever este modelo de desenvolvimento, a começar com o fim da Lei Kandir, com a validação da Taxa de Exploração Mineral, com o aumento das compensações financeiras e sociais, com o aumento do royalties da mineração, com incentivos para a verticalização em nosso estado com a geração de emprego e renda aqui e com a implantação de um Fundo de Exaustão. Esta é a agenda que temos que perseguir insistentemente. Cansamos de termos uma economia pujante e um povo pobre. Cansamos de sermos um simples almoxarifado do desenvolvimento alheio!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CORECON-PA e ALEPA firmam parceria para garantir alterações na Lei Kandir


O Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA) e a Assembléia Legislativa do Pará (ALEPA) firmaram parceria institucional com o objetivo de reverter os impactos negativos da Lei Complementar nº 87, de setembro de 1996, também conhecida como Lei Kandir, além de garantir recursos para serem investidos no Estado do Pará.
Durante o encontro, que reuniu o Presidente do CORECON-PA, o economista Eduardo Costa, o Presidente da Comissão Parlamentar de Estudo e Análise sobre a Lei Kandir e Deputado Estadual (PR) Celso Sabino e a Vice-Presidente da Comissão e Deputada Estadual (PT) Bernadete Caten foi acertado o comprometimento do CORECON-PA na coleta de assinaturas para um abaixo-assinado que será encaminhado por um grupo de políticos e representantes de diversas entidades ao Ministro de Minas e Energia Edson Lobão, no dia 26 de outubro do ano corrente.
O abaixo-assinado reivindica a alteração na Lei Kandir, de modo que o Pará possa voltar a arrecadar 13% de ICMS sobre a exportação de produtos primários e semi-elaborados; a introdução de regras que reduzam impostos sobre a exportação de produtos industrializados, incentivando a verticalização com a conseqüente geração de empregos para a população local e a criação de um plano de investimento para a verticalização mineraria. O documento propõe também a alteração na alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) de 2% para 7%, a ser calculada sobre a exportação bruta de minério e a criação de fundos regionais de exaustão, a partir da ampliação da arrecadação da CFEM que beneficiem a todos os municípios e não somente os mineradores.
Foi firmada também a realização de encontros e palestras destinadas aos profissionais e estudantes de economia e demais interessados na discussão do tema. As assinaturas para o abaixo-assinado estarão sendo colhidas até o dia 25 de outubro, das 8h00 ao 12h00 e das 14h00 às 18h00, na Casa do Economista, localizada na Rua Jerônimo Pimentel, 918.

Texto: Andressa Ferreira – Assessora de Comunicação do CORECON-PA

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Presidente do CORECON-PA ministra palestra sobre Reforma Tributária em evento do CRC

Mudança no atual modelo de desenvolvimento do Estado, Lei Kandir e ICMS de energia. Esses foram os principais pontos abordados pelo Presidente do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA), o economista Eduardo Costa, ao ministrar a palestra sobre Reforma Tributária. 


 Para Eduardo Costa, a Reforma Tributária precisa ser tratada no contexto da necessidade de redução da carga tributária, da inversão do atual modelo de tributação regressivo, mas principalmente da necessidade do aumento da competitividade no setor empresarial nacional frente ao acirramento da competição nos mercados globais. “É por isto que algumas questões precisam ser debatidas em paralelo, porque afetam diretamente o tema, como, por exemplo, a necessidade de aumentarmos a eficiência e eficácia da gestão pública e a necessidade de acelerarmos a nossa taxa anual de crescimento econômico”, explicou o economista.
 Neste contexto, o Presidente do CORECON, chamou a atenção para a importância da discussão do tema, que segundo ele precisa ser enfrentado de forma prioritária pela sociedade paraense. “É neste contexto que precisamos, com exceções, rever o quadro de desinteresse e apatia no tocante a este assunto que ronda o setor político, o setor empresarial, os movimentos sociais e muitas de nossas entidades de classe. Precisamos, portanto, fazer com que este debate “ganhe as ruas” de modo que possamos chamar a atenção de nossa sociedade para a “janela de oportunidade” que se encontra aberta”, afirmou Eduardo Costa.
 “É em função disto que muitas vezes chamo a atenção de que estamos perdendo o foco do que é fundamental, como a mudança de nosso modelo atual de desenvolvimento, a Reforma Política e a Reforma Tributária, envolto no debate do separatismo. A solução para o desenvolvimento do estado do Pará e para as regiões que pretendem se emancipar está na melhoria do provimento de serviços públicos e isto somente pode acontecer revendo o atual pacto federativo fiscal que vem lesando a sociedade paraense. Neste sentido, a construção de um efetivo projeto de desenvolvimento para o estado do Pará perpassa fundamentalmente pela revisão deste pacto federativo, pelo aumento da capacidade orçamentária e financeira do estado e dos municípios, pela reversão da Lei Kandir e da “ilógica lógica” de cobrança no ICMS no local de consumo, ao lado do aumento da capacidade que o estado tem de gerir e promover políticas públicas territorializadas, articuladas e pactuadas”, concluiu o Presidente do CORECON-PA, o economista Eduardo Costa. 
 O evento promovido pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PA) como parte da programação alusiva ao Dia do Contador contou também com a participação do Deputado Federal Cláudio Puty, que falou das características do sistema tributário brasileiro e apresentou algumas reformas que estão sendo propostas pelo Governo Federal e foi moderado pela Presidente do CRC, a contadora Regina Villanova.

Texto: Andressa Ferreira – Assessora de Comunicação do CORECON-PA

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Reforma Tributária como Agenda Fundamental para a Sociedade Paraense

Nos últimos meses a atenção da sociedade paraense está concentrada em grande parte no debate do separatismo. Isto é natural na medida em que o plebiscito do dia 11 de dezembro se consolidará como o mais importante fato histórico no estado desde a adesão a independência do Brasil em 15 de agosto de 1823.
Ao contrário do que muitos livros textos de história divulgam a nossa adesão ao Império Brasileiro não foi pacífica. Aderimos sob ameaça militar e de bloqueio comercial e a Revolta do Brigue Palhaço – quando 256 pessoas contrárias a adesão foram confinadas no porão do navio São José Diligente e morreram asfixiadas com cal – demonstrou a brutalidade do processo. Neste momento, deixamos de ser colônia de Portugal e passamos a ser colônia do Império Brasileiro.
Passados quase dois séculos do fato a nossa condição de região internamente colonizada permanece inalterada. Indiscutivelmente há uma relação colonial da República Federativa Brasileira para com a Amazônia e o estado do Pará que perpassa fundamentalmente pelo modelo de federalismo fiscal praticado.
Em que pese termos uma economia que demonstra através de alguns indicadores um relativo dinamismo econômico, derivado em grande parte do setor agropecuário e extrativo mineral, este dinamismo não está conseguindo efetivamente transbordar as suas benesses para o cidadão paraense comum. Números significativos em termos de investimentos no estado são freqüentemente divulgados, porém continuamos tendo lastimáveis indicadores sociais no que tange a mortes no campo, tráfico de seres humanos, educação e saúde, sem falar que 1,5 milhões de paraenses, de nascimento ou opção, vivem abaixo da linha de pobreza e 600 mil pessoas no estado sobrevivem graças ao programa de transferência de renda do Governo Federal, Bolsa Família.
Grande parte de nossos problemas decorrem do modelo de desenvolvimento adotado, da ineficiência em termos de gestão pública e da baixa capacidade que o setor público estadual tem para intervir concretamente, derivado, este, em grande parte, de uma capacidade orçamentária e financeira limitada e muito aquém das reais necessidades em termos de investimentos e ações de políticas públicas. Neste contexto, contribui decisivamente o modelo de federalismo fiscal tendo como principal algoz a Lei Kandir e a cobrança do ICMS somente no local de consumo da energia elétrica, deixando aqui no estado do Pará os ônus em termos de mitigação dos impactos sociais e ambientais dos grandes projetos minerais e hidrelétricos sem uma coerente contrapartida em termos de recolhimento de tributos aos cofres públicos do estado.
É em função disto que a discussão da Reforma Tributária, em andamento na Câmara Federal, é questão que precisa ser enfrentada de forma prioritária pela sociedade paraense. Causa-me preocupação o fato do tema não estar sendo debatido e nem enfrentado pela nossa sociedade da forma como deveria. Assim, este pequeno artigo tem por finalidade pontuar os aspectos centrais que precisam ser enfrentados neste debate.
Não há dúvida de que a Reforma Tributária precisa ser tratada num contexto de necessidade de redução de nossa carga tributária, de inversão do atual modelo de tributação, altamente regressivo, e da necessidade de se aumentar a competitividade do setor empresarial nacional frente ao acirramento da competição nos mercados globais. É por isto que algumas questões precisam ser necessariamente debatidas em paralelo, porque afetam diretamente o tema, como, por exemplo, a necessidade de aumentarmos a eficiência e a eficácia da gestão pública e a necessidade de acelerarmos a nossa taxa anual de crescimento econômico. Neste contexto, melhorando a eficiência e a eficácia dos gastos públicos ao lado de maiores taxas de crescimento, que permitirá como conseqüência direta o aumento da arrecadação, haverá espaço para a discussão da diminuição da carga tributária no contexto da reforma proposta.
Ou seja, de um lado a redução da carga tributária perpassa fundamentalmente por um Estado mais eficiente. De outro, a sustentação de um elevado nível de carga tributária gera incentivos à informalidade e a evasão fiscal. Entretanto, o cerne do debate a ser encarado pela sociedade paraense refere-se à mudança do atual modelo de federalismo fiscal, e é justamente neste ponto que emergem as maiores preocupações na forma como o processo de discussão da reforma vem sendo conduzido.
Da forma da forma como a proposta de Reforma Tributária vem sendo conduzida ela tem tudo para manter o atual status quo da estrutura de poder política, econômica e regional do Brasil. Indo mais além, ela é um perigo para a Amazônia e o estado do Pará – podendo agudizar o desequilíbrio federativo brasileiro e condenar à periferia brasileira a perpetuação do seu modelo de desenvolvimento predatório e desigual. Neste sentido, uma reforma ampla é fundamental para colocar o país e as regiões periféricas em uma trajetória de desenvolvimento sustentável, mas para isto precisamos: vencer o eterno problema do conflito federativo entre as três esferas de poder da federação brasileira; acabar definitivamente com a guerra fiscal; romper com a “ilógica lógica” de cobrança do ICMS de energia elétrica no destino; e, acima de tudo, acabar com a famigerada Lei Kandir, que privou os cofres públicos paraenses de 21,5 bilhões de reais de 1997 até 2010, conforme estudo elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará, e que poderiam ter sido canalizados para a sociedade paraense na forma de políticas e ações públicas.
Indo mais a fundo, cinco pontos se consolidam como a verdadeira armadilha da Lei Kandir: (i) Impede a formação de cadeias produtivas regionais verticalmente integradas, com empregos qualificados e a internalização da riqueza e da renda gerada; (ii) Reforça a fuga de empresas nacionais para o exterior; (iii) Enfraquece o poder político dos estados e do País; (iv) Abala a unidade econômica e federativa do país; e, (v) Reduz as perspectivas de crescimento econômico do estado e do País.
O fato é que a Lei Kandir manda explicitamente um sinal para o setor privado que é um contra senso para o desenvolvimento de regiões periféricas, afirmando que a maior lucratividade está na exportação de bens primários com baixa agregação de valor na medida em que a verticalização da produção implica no pagamento de impostos mais elevados.
Os defensores da Lei Kandir e alguns ingênuos dizem que não podemos pensar em tributar a nossa exportação de minérios na medida em que não se tributa exportação. É aqui que mora o perigo, a perspicácia de alguns e a ingenuidade de outros. De fato, não se exporta imposto no setor industrial, porém esta lógica não é verdadeira para bens primários e semi-elaborados. Assim, a não tributação das exportações de bens primários significa que estamos exportando muito mais do que matérias-primas, junto com os nossos minérios e produtos extrativos florestais estamos exportando empregos, e isto poucos se dão conta.
Ademais, a Reforma Tributária permite colocar na agenda de discussão uma temática fundamental para as regiões periféricas brasileiras, a efetiva institucionalização do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que se encontra emperrado no Congresso Nacional por não ser de interesse prioritário das bancadas do centro-sul da federação. Toda a argumentação de um federalismo cooperativo cai por terra ante a inexistência de um fundo que permita com que ações de políticas públicas possam concretamente serem implementadas em regiões periféricas.
Indo mais além, encaro com muita preocupação a estratégia anunciada de se levar a frente à Reforma Tributária de forma fatiada. Assim, na medida em que não há consenso em determinados temas considerados polêmicos, aspectos considerados pouco polêmicos e de interesse direto do Governo Federal deverão ser priorizados e assuntos polêmicos como a Lei Kandir e a cobrança do ICMS da energia elétrica no estado de consumo muito provavelmente não entrarão na pauta. Isto significa que corremos o risco como sociedade paraense de não aproveitarmos esta “janela de oportunidade” aberta, não revertendo a Lei Kandir e a questão do ICMS de energia. Assim, se não houver maior interesse, envolvimento e unidade, a Reforma Tributária pode se consolidar como um verdadeiro engodo para a sociedade paraense.
É neste contexto que precisamos, com exceções, rever o quadro de desinteresse e apatia no tocante a este assunto que ronda o setor político, o setor empresarial, os movimentos sociais e muitas de nossas entidades de classe. Precisamos, portanto, fazer com que este debate “ganhe as ruas” de modo que possamos chamar a atenção de nossa sociedade para a “janela de oportunidade” que se encontra aberta.
                  É em função disto que muitas vezes chamo a atenção de que estamos perdendo a atenção do que é fundamental, como a mudança de nosso modelo atual de desenvolvimento, a Reforma Política e a Reforma Tributária, envolto no debate do separatismo. A solução para o desenvolvimento do estado do Pará e para as regiões que pretendem se emancipar está na melhoria do provimento de serviços públicos e isto somente pode acontecer revendo o atual pacto federativo fiscal que vem lesando a sociedade paraense. Neste sentido, a construção de um efetivo projeto de desenvolvimento para o estado do Pará perpassa fundamentalmente pela revisão deste pacto federativo, pelo aumento da capacidade orçamentária e financeira do estado e dos municípios, pela reversão da Lei Kandir e da “ilógica lógica" de cobrança no ICMS no local de consumo, ao lado do aumento da capacidade que o estado tem de gerir e promover políticas públicas territorializadas, articuladas e pactuadas.