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sábado, 22 de junho de 2013

A crise do sistema político partidário nacional – 5 assertivas

Os últimos acontecimentos demonstram cabalmente que o sistema político-partidário no Brasil está falido. Grande parte da população olha com elevado descrédito para os partidos políticos e não sente que possa vir desta estrutura tradicional, corrompida e ossificada, as mudanças que a sociedade brasileira efetivamente necessita. Desta constatação arrisco algumas assertivas:
1.      É inadiável um amplo debate nacional sobre o nosso sistema político, envolvendo financiamento de campanhas, candidaturas avulsas e criação de novos partidos, por exemplo;
2.      As redes sociais subverteram o monopólio que alguns meios de comunicação detinham e que usavam para manipular a opinião pública;
3.      As ideologias político-partidárias tornaram-se secundárias frente a uma pauta social que, além de esquerda e direita, de liberais ou comunistas, em seus extremos, exige políticas públicas e aprimoramento dos instrumentos de gestão pública;
4.      A corrupção não é mais tolerada e a população não aceita ser usada mais como massa de manobra por instrumentos como o marketing político e eleitoral;

5.      Precisamos de projetos de sociedade e não de projetos partidários de poder. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Tesouro estadual e instituições privadas sem fins lucrativos



O Promotor de Justiça Sávio Brabo (MPE-PA), em sua palestra “O combate a improbidade e os crimes contra a administração pública, realizada hoje pela manhã por ocasião do I Encontro Jurídico da Escola Superior de Magistratura que teve como tema “Improbidade Administrativa”, chamou a atenção o montante de recursos públicos estaduais que foram nos últimos anos repassados para instituições privadas sem fins lucrativos. Ao todo de 2007 a 2012 o Tesouro Estadual realizou transferências de capital e transferências correntes da ordem de R$ 1,8 bilhões. Em sua fala o Promotor destacou que em ano eleitoral o montante de recursos transferidos cresce consideravelmente.  

terça-feira, 18 de junho de 2013

Paraenses aderem a movimento nacional

Cerca de 10 mil manifestantes reuniram-se na tarde de ontem em São Brás e marcharam pacificamente até o Entroncamento protestando contra os péssimos serviços públicos, contra a corrupção e contra a obra do BRT. Pena que na época em que esta obra estava sendo proposta não houve articulação idêntica capaz de impedir que este engodo acontecesse. Mora da história, não implantamos modal mais moderno, como o VLT, a obra iniciou sem o devido debate público sobre o projeto e logo em seguida foi parada sem previsão para a sua continuidade. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pão e circo: o tiro ao que parece está saindo pela culatra!

Curiosamente o que está acontecendo nas ruas do Brasil contraria as expectativas de parte de nossa classe política. Era de se esperar que a Copa das Confederações atraísse a atenção dos brasileiros, esvaziando qualquer iniciativa de protesto. Contudo, o tiro, pelo visto, está saindo pela culatra. Com tantas carências e péssimos serviços públicos, parte da população está mostrando a sua indignação com a corrupção, com os altos gastos de dinheiro público com a Copa das Confederações e contra os péssimos serviços públicos.

Novos “caras pintadas”?

O noticiário de hoje me lembrou do “Movimento caras pintadas” do início da década de 1990 quando milhares de estudantes saíram às ruas para protestar contra corrupção e pedir o impedimento político do Presidente Collor. Contudo há uma diferença importante, na década de 1990 a Rede Globo foi a grande arquiteta e impulsionadora do movimento. Agora, as redes sociais propiciaram algo de diferente, como num efeito dominó o sentimento de indignação se alastrou a partir de uma iniciativa do Movimento Passe Livre em São Paulo. 

Controle social e Portal do TCE-PA

Recomendo a todos os paraenses que cultivem o hábito de entrarem periodicamente no sitio eletrônico do Tribunal de Contras do Estado do Pará (TCE-Pará). Lá há muita informação importante sobre o uso dinheiro público no Pará. Não resta dúvida de que as nossas instituições estão evoluindo, o TCE-PA é um exemplo disto. Contudo, não basta somente a publicidade e a transparência com o uso dos recursos públicos. De posse das informações a população precisa exercitar o efetivo controle social sobre os gestores públicos.
Semana passada por ocasião do VI Fórum do TCE realizado no Hangar, diga-se de passagem, com uma programação de altíssimo nível, marcou a informação dada pelo Conselheiro e Vice-Presidente, Luis Cunha, de que em 2012 apenas 58 comunicações foram feitas ao Tribunal ensejando apuração ou informações. Trata-se de um número insignificante pela dimensão do estado. Disto apreendemos que estamos usando pouco às informações disponíveis e exercendo pouco o controle social sobre os nossos gestores.

Assim, recomendo a visita ao sitio eletrônico do TCE-PA: https://www.tce.pa.gov.br/

terça-feira, 11 de junho de 2013

Relatório da CGU aponta fraudes no Bolsa Família

No dia de ontem o Portal UOL divulgou notícia sobre o relatório da Controladoria Geral da União (CGU) referente ao Programa Bolsa Família, que hoje é o maior programa social do mundo, atendendo mais de 13 milhões de famílias brasileiras. Tendo como ano de análise 2012 o relatório apontou indícios de irregularidades, com destaque a pessoas que estariam recebendo o auxílio, porém teriam renda per capita superior a meio salário mínimo, uma das regras para se cadastrar no programa. Ao todo mais de 5 mil benefícios foram identificados nesta situação por meio de uma análise amostral. Ademais, o relatório destacou a falta de controle da frequência escolar e do cartão de vacinação das crianças, inexistência de comissão gestora do programa e indício de desvio de recursos.
O relatório mostra que a CGU está cumprindo a sua missão institucional com independência. A partir do que foi apontado cabe ao governo adotar medidas para corrigir as falhas e as fraudes. Destaco que não resta dúvida de que o Bolsa Família se consolidou como um importante programa social. Contudo, ainda há muito para ser aperfeiçoado, principalmente na criação de mecanismos que deem as famílias beneficiadas condições para em um determinado período de tempo deixarem de depender do programa. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Lei da Transparência no estado do Pará

O estado do Pará é um dos entes da federação brasileira que ainda não regulamentou a Lei da Transparência em nível estadual. Acho que está na hora de alguém tomar esta iniciativa. Com mais transparência, há maior possibilidade de controle social sobre as ações e gastos públicos. Com a palavra os nossos representantes na ALEPA!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Seminário sobre Lei da Transparência realizado pelo TCE

Participei no dia de ontem do seminário “Impacto da Lei de Acesso a Informação (LAI) na rotina dos entes públicos do Estado do Pará” organizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE). Não resta dúvida de que a sociedade brasileira está avançando nos seus instrumentos de controle sobre a gestão e o gasto público. A Lei de Acesso a Informação é uma prova disto. Contudo, também está claro de que de nada adianta estes avanços institucionais se a população não exercer efetivamente o seu controle social. Em uma das palestras, um dos auditores do TCE apresentou um dado que no mínimo merece reflexão. No ano de 2012 apenas 52 denúncias foram feitas ao TCE, um dado insignificante para um estado que tem 7,5 milhões de habitantes. De duas uma, ou os gestores públicos do estado do Pará estão executando as suas atividades com total zelo e probidade no trato com a coisa pública, ou a população não está exercendo o seu dever cívico de fiscalizar e denunciar casos de corrupção e desvio de recursos ao TCE. Lembrando que qualquer cidadão pode fazer isto!
Deixo claro, para não restar dúvida, de que não compartilho da tese de que todo político é ladrão e de que todo aquele investido em cargo comissionado compactua com atos de improbidade administrativa. Existem pessoas sérias no meio político sim. Mas ainda precisamos de uma boa “peneirada” neste meio. A LAI veio para ajudar, mas nós precisamos fazer a nossa parte.
Finalizo parabenizando ao TCE pelo evento. Foi um excelente evento, com palestras de alto nível que sem dúvida corrobora para a construção de uma sociedade mais cívica.

Obs.: Recomendo a todos que vez ou outra entrem no sitio do TCE, há informações importantes lá: https://www.tce.pa.gov.br/

terça-feira, 28 de maio de 2013

Findou-se o prazo para municípios se adequarem a Lei da Transparência


Terminou hoje o prazo para que os municípios se adequassem às regras da Lei Complementar 131/2009 – Lei da Transparência, que procurou ampliar os instrumentos de transparências já previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal. A partir de amanhã, dia 29 de maio de 2013, todos os municípios deverão colocar em seus sítios eletrônicos relatório resumido de execução orçamentária e financeira, bem como informações a respeito de toda e qualquer despesa, lançamento e recebimento de receita dos entes federados (União, Distrito Federal, Estados e Municípios). O objetivo é ampliar os mecanismos de transparência previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As Prefeituras que não cumprirem a lei sofrerão penalidades, incluindo a suspensão de recursos oriundos de transferências voluntárias e verbas de programas federais.
Agora cabe a população acessar os sites e exercer efetivamente o controle social sobre os gestores públicos fiscalizando com mais rigor os gastos públicos. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Qualquer projeto de transformação social precisa assentar-se na formação política, na educação e em uma mudança comportamental


Vivemos atualmente no Brasil um período de amadurecimento democrático. Após a abertura política com a natural ânsia por avanços democráticos e sociais, espelhados na Constituição de 1988 – a Constituição Cidadã – vivemos um período de questionamento de nossas instituições políticas com a reivindicação por uma ampla reforma política sendo expressão disto. Contudo, é também expressão de uma sociedade democrática que garante ao cidadão liberdade de expressão.
Não há dúvida de que ainda não alcançamos no Brasil o Estado Democrático de Direito em sua plenitude. Muitos ainda não têm o seu direito a dignidade minimamente respeitados, expressão de uma sociedade que se caracteriza pela extrema desigualdade social e regional. Porém, temos o direito à liberdade de expressão. Lamentavelmente o nosso povo ainda não compreendeu a dimensão desta conquista.
Ao lado da liberdade de expressão está a possibilidade do cidadão exercer o seu controle social sobre as políticas públicas e sobre os políticos. Creio que só existem políticos corruptos e desvios de verbas públicas numa sociedade na qual o cidadão ainda não exerce o seu direito e o seu dever de fiscalizar os seus representantes. É muito fácil fazer transferência da responsabilidade dizendo que todo o político é ladrão. Ou permitindo no processo eleitoral práticas reprováveis de um modelo patrimonialista que perpetuam no poder a plutocracia que se nutre da “captura de renda” da administração pública, movendo-se por meio de lobbies, do financiamento “escuso” de campanhas e da compra de votos. Não tenho dúvida de que a nossa classe política é um mero espelho de grande parte de nossa sociedade. Se queremos realmente mudança na política de nosso país temos que começar mudando a nossa prática no envolvimento com a coisa pública. Neste sentido, não exercer o controle social, por exemplo, é no mínimo negligência.   
Todo cidadão esclarecido sabe da importância da construção de um projeto de sociedade alternativo, mas isto somente pode acontecer com a ampla participação da população no jogo político por meio do controle social. Para mim, a tão propalada radicalização da democracia somente acontecerá no momento em que o cidadão comum começar a participar dos múltiplos fóruns sociais com vistas a exercer o seu controle social sobre a gestão pública. Para alguns, isto parece óbvio, mas para outros, nem tanto!
Hoje tenho clareza de que este é um processo educacional, e como tal de médio e longo prazo. Ademais, não basta somente educar, é preciso formar cidadão, e neste ponto é questão sine qua non a formação política, que apresente ao educando os seus direitos e os seus deveres. Neste desiderato não basta nutrir o educando de conhecimento instruindo ele a reproduzir paradigmas. Ele precisa ter condições de ter a sua própria leitura, compreendendo as contradições sociais, questionando as “verdades aparentes” e construindo paradigmas alternativos. Ou seja, não podemos educar apenas para reproduzir o status quo, mas precisamos educar para, inclusive, questionar o status quo social prevalecente, pensando em mudanças sociais estruturantes. Somente assim o educando se tornará senhor de sua história e agende da construção de uma nova trajetória histórica. Somente assim formaremos verdadeiros educadores e cidadão. Somente assim, mudaremos a cultura prevalecente e construiremos efetivamente um Estado Democrático e de Direito. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Painel "Lei de Acesso à Informação Pública: a publicidade como regra e o sigilo como exceção"


No dia 16/05/2012, entra em vigor a Lei nº 12.527/11, de 18/11/2011, conhecida como a Lei de Acesso à Informação Pública e considerada um marco no regime democrático brasileiro. Nesse contexto, será realizado, em Belém, o Painel "Lei de Acesso à Informação Pública: a publicidade como regra e o sigilo como exceção", com a finalidade de identificar oportunidades e desafios à implementação da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/11), articulando ações coordenadas para democratização de dados e informações públicas. As inscrições são gratuitas, gerando direito à certificado de participação, bastando enviar um e-mail informando o nome completo, profissão, organização (se houver) e telefone(s) de contato ao endereço osdebelem@gmail.com.


Painel "Lei de Acesso à Informação Pública: a publicidade como regra e o sigilo como exceção."
Data: 16/05/2012
Horário: de 16h às 18h
Local: auditório do Conselho Regional de Contabilidade, localizado na Rua Avertano Rocha, 392, Comércio, entre Tv. Padre Eutíquio e Tv. São Pedro.
Contatos: Paulo Passos (91) 8819-6961 e Ivan Costa (91) 8862-9992


Programação

16h – 16h10min
Abertura Contador Elói Prata - Presidente do CRC/PA

16h10min – 16h35min
Painel: “Lei nº 12.527/11: Lei de Acesso à Informação Pública”
Danielle Moura - Coordenadora do Núcleo de Ações de Prevenção à Corrupção da CGU/PA

16h35min – 17h
Painel: “Estratégias para implementação da Lei de Acesso à Informação Pública”
Prof. Dr. Lucivaldo Barros - Professor do ICSA/UFPA e Pesquisador em Direito à Informação

17h – 17h10min
Lançamento do Grupo Virtual de Defesa da Lei de Acesso à Informação
Ivan Costa - Presidente do Observatório Social de Belém

17h10min - 18h
Interação entre os participantes e painelistas


Realização:
Artigo 19: http://artigo19.org/
Rede AMARRIBO: www.amarribo.org.br
Observatório Social de Belém: www.osdebelem.org