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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Uma pequena síntese do Balanço Geral do Estado em 2015

No início desta semana o Governo do Estado entregou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) o Balanço Geral referente a exercício de 2015. Conforme o documento, a arrecadação estadual foi de R$ 23,844 bilhões, sendo R$ 13,199 bilhões (62,21%) provenientes de receitas próprias. A maior fonte de arrecadação própria, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com um montante arrecadado de R$ 9,736 bilhões, representou 45,9% da receita total e 73,7% da receita própria estadual.
Somente a título de transferências governamentais, os municípios do estado receberam em 2015 o montante de R$ 2,753 bilhões, sendo R$ 2,434 bilhões referentes somente à cota-parte de 25% do ICMS arrecadado. Completaram as transferências federativas: R$ 241,608 milhões, referente ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA); R$ 73,967 milhões, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e, R$ 3,567 milhões referente a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE). Adicionalmente, somado a estas transferências, o Governo do Estado destinou R$ 2,492 bilhões ao Fundo de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), para financiamento de ações de manutenção e desenvolvimento do ensino básico público.
Já no que se refere às transferências federativas da União para o estado, em 2015 o Pará recebeu R$ 4,603 bilhões referente ao Fundo de Participação dos Estados (FPE), apresentando assim uma queda real de 5,9% em relação a 2014, e confirmando a tendência recente de queda continuada de repasses federativos. Somaram-se ao FPE o IPI Exportação (R$ 295,866 milhões) e a CIDE (R$ 14,269 milhões). Adicionalmente a este quadro, as transferências da União para o estado referente ao Sistema Único de Saúde (SUS) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tiveram desempenho real negativo de 8%, e as transferências de convênios tiveram queda real de 72%. Em 2015 o montante repassado por convênios foi de apenas R$ 32,863 milhões.   
Em 2015 o Governo do Pará apresentou uma despesa de R$ 20,791 bilhões. Somente a despesa com pessoal e encargos sociais, que teve um crescimento nominal de 14,3% em relação a 2014, respondeu por 55% deste montante (R$ 11,446 bilhões). As despesas com pessoal totalizaram R$ 9,448 bilhões, correspondendo a 56,28% da RCL (Receita Corrente Líquida) de R$ 16,789 bilhões, encontrando-se acima do limite de alerta (44%), mas não excedendo o limite prudencial (47%) e o limite máximo (50%) fixado para os estados.
A manutenção e o custeio da máquina pública responderam por 20,4% (R$ 4,242 bilhões) e os investimentos por 6,5% (R$ 1,360 bilhão). Em termos de investimentos setoriais destacam-se, com um total acumulado de 36% dos gastos, a educação (R$ 3,237 bilhões), a saúde (R$ 2,246 bilhões) e a segurança pública (R$ 2,137 bilhões). A previdência social recebeu um repasse de R$ 3,048 bilhões, o que representou 14,6% do total das despesas.
Apesar de ter tido perdas superiores a R$ 3 bilhões com a Lei Complementar nº 87/96 – Lei Kandir somente em 2015, a União manteve o valor repassado a título de compensação congelado em R$ 63,819 milhões. A este quadro deve ser somada a perda estimada de R$ 1,5 bilhão do Pará com a cobrança de ICMS nos estados de consumo.
Em que pese tudo isso, e a crise econômica nacional, o Governo do Estado fechou o exercício com um superávit de R$ 425,763 milhões, que fora resultante de um enorme esforço fiscal e de gestão.

Cabe finalmente, chamar mais uma vez a atenção para a necessidade de rediscussão de nosso arranjo federativo, sobretudo sob a ótica fiscal. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Seminário sobre Lei da Transparência realizado pelo TCE

Participei no dia de ontem do seminário “Impacto da Lei de Acesso a Informação (LAI) na rotina dos entes públicos do Estado do Pará” organizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE). Não resta dúvida de que a sociedade brasileira está avançando nos seus instrumentos de controle sobre a gestão e o gasto público. A Lei de Acesso a Informação é uma prova disto. Contudo, também está claro de que de nada adianta estes avanços institucionais se a população não exercer efetivamente o seu controle social. Em uma das palestras, um dos auditores do TCE apresentou um dado que no mínimo merece reflexão. No ano de 2012 apenas 52 denúncias foram feitas ao TCE, um dado insignificante para um estado que tem 7,5 milhões de habitantes. De duas uma, ou os gestores públicos do estado do Pará estão executando as suas atividades com total zelo e probidade no trato com a coisa pública, ou a população não está exercendo o seu dever cívico de fiscalizar e denunciar casos de corrupção e desvio de recursos ao TCE. Lembrando que qualquer cidadão pode fazer isto!
Deixo claro, para não restar dúvida, de que não compartilho da tese de que todo político é ladrão e de que todo aquele investido em cargo comissionado compactua com atos de improbidade administrativa. Existem pessoas sérias no meio político sim. Mas ainda precisamos de uma boa “peneirada” neste meio. A LAI veio para ajudar, mas nós precisamos fazer a nossa parte.
Finalizo parabenizando ao TCE pelo evento. Foi um excelente evento, com palestras de alto nível que sem dúvida corrobora para a construção de uma sociedade mais cívica.

Obs.: Recomendo a todos que vez ou outra entrem no sitio do TCE, há informações importantes lá: https://www.tce.pa.gov.br/