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quarta-feira, 31 de março de 2021

ATENÇÃO ALUNOS DO ENSINO MÉDIO: DESAFIO QUERO SER ECONOMISTA

 

Vem aí à edição 2021 do Desafio Quero Ser Economista, um game online realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon). O Desafio Quero ser economista é uma competição sobre conceitos básicos da Ciência Econômica destinado exclusivamente a estudantes de Ensino Médio.

As inscrições ocorrem de 5 de abril a 3 de maio de 2021 pelo site desafioquerosereconomista.org.br. Basta ter acesso à internet para participar do game, que será disputado de 3 a 28 de maio. Além de muito conhecimento, os vencedores ganham prêmios em dinheiro. O primeiro lugar receberá R$ 2 mil; o segundo, R$ 1,5 mil; e o terceiro, R$ 1 mil.

O jogo é disputado em um ambiente online, onde os participantes respondem a enigmas, assistem a vídeos interativos e são desafiados a cumprir missões, tudo de uma forma divertida, simples e dinâmica. Assim, o estudante tem a oportunidade de conhecer melhor as escolas de pensamento econômico, os economistas históricos e diversos conceitos básicos da Economia.

Mais informações em desafioquerosereconomista.org.br, no Facebook em @querosereconomista e no Instagram no perfil @querosereconomista_

sexta-feira, 14 de março de 2014

Aos que desejam estudar economia


Por Hugo Eduardo Meza Pinto e Marcus Eduardo de Oliveira*


Alan Greenspan (ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos), Peter Druker (guru da Administração), Philip Kotler (guru dos Negócios Empresariais), Kofi Anan (ex-Secretário Geral da ONU), Mick Jagger (astro pop do rock), Arnold Schwarzenegger (ator e ex-governador da Califórnia), Ivan Zurita (presidente da Nestlé), Roger Agneli (presidente da Vale) e Bernardinho (técnico de vôlei da Seleção Brasileira). Essas personalidades listadas acima têm algo em comum: todos eles, sem exceção, passaram por uma faculdade de Economia.

Apesar de não exercerem a profissão de economista, certamente eles utilizaram e ainda utilizam alguns dos conceitos da ciência econômica em suas vidas profissionais ou mesmo pessoais.

Qual o motivo de comentarmos isso? Durante os últimos anos tem-se falado de maneira generalizada em Economia (enquanto ciência), principalmente sobre alguns dos conceitos que envolve este ramo do conhecimento.

Atualmente, percebe-se uma tendência em discutir conceitos econômicos na sociedade. Muito se fala, por exemplo, na importância da chamada Educação Financeira.

Nesse pormenor, já há estudos que apontam para a viabilidade de inserir conceitos sobre educação financeira na grade curricular do ensino médio. Nessa mesma linha, é comum presenciarmos em programas de TV e rádio alguém se dedicando aos diversos assuntos do universo da Economia. Não por acaso, sempre aparece especialistas no assunto, falando em tom de conselhos.

Diante disso, uma pergunta se faz oportuna: Como explicar a diminuição de demanda de estudantes pelo curso de Economia no Brasil, e em alguns outros lugares do mundo? A Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Economia (Anges) aponta para essa diminuição desde a década de 1980. Corrobora para isso os dados apresentados pelo Censo da Educação Superior Brasileira do Ministério da Educação (MEC) mostrando que somente 3,2% do total de matrículas, no Brasil, são do curso de Economia.

Nos Estados brasileiros há uma tendência dramática da diminuição de vagas preenchida para a graduação em Economia, quer seja em instituição privada ou nas universidades públicas e federais.

Talvez uma das razões disso seja o fato dos próprios economistas pecarem muito ao se apresentarem dando tons demasiadamente teóricos; pouco compreensíveis, portanto, para os não familiarizados com os jargões econômicos.

Não por acaso, nós economistas, “inventamos” até mesmo um linguajar complexo e sofisticado ("economês") na tentativa de explicar os fatos. É a linguagem tecnicista e rebarbativa, sibilina, por conceito, que, na verdade, mais atrapalha que ajuda as pessoas na compreensão dos problemas econômicos.

Para complicar ainda mais a pouca compreensão do público em geral, nós economistas acreditamos piamente no uso de modelos matemáticos para explicar quase tudo, como se as relações sociais e econômicas fossem previsivelmente exatas e, ademais, como se a vida de todos nós se resumisse a números, taxas e índices.

Ora, isto mostra, na essência, a frieza de uma ciência que, ao contrário, tem um lado de estudo muito humano, voltado a entender a sociedade em suas múltiplas manifestações, principalmente no aspecto social, mas que, por não raras vezes acaba “camuflado” nas análises pouco assimiláveis da matemática.

No entanto, ao insistirmos em teorizar de forma estritamente acadêmica e, por vezes, pouco popular, criamos com isso uma espécie de ranço na aceitação social que prejudica, sobremaneira, a imagem do profissional economista. Não raro, esses profissionais são muitas vezes vistos como arautos do apocalipse; ou o que é pior: de estimuladores e entendidos apenas de crise, de geração de caos, de confusão.

Uma segunda questão – que se alinha a primeira - sobre a dificuldade em angariar novos interessados em estudar Economia recai na pouca familiaridade em tentar explicar para a sociedade o campo de atuação do economista.

Por vezes, não somos claros em explicar que este profissional pode ocupar espaços em atividades públicas e privadas; dada a abrangência de conhecimentos sólidos que um curso de economia fornece. Esta abrangência somente é possível por se tratar de uma formação sólida que não se limita a dados técnicos, mas que abrange a discussão dos processos históricos e sociais que construíram o pensamento econômico desde os escritos seminais dos clássicos ingleses.

Conquanto, nunca é tarde para se promover mudanças. O momento que se apresenta é muito propício para tentar recuperar o interesse pelo estudo das Ciências Econômicas. A nossa profissão de economista no Brasil tem pouco mais de 60 anos de existência, desde o reconhecimento formal, regulamentada pela Lei n° 1.411, de 13 de agosto de 1951.

No entanto, nessas seis décadas, poucos foram os momentos em que professores, conselheiros, profissionais da área e estudantes se reuniram para discutir os caminhos, os valores, a missão, o propósito e a atuação do economista no exercício de suas atividades.

Excetuando-se os congressos e encontros profissionais realizados, são raros os momentos de profunda reflexão em torno do objetivo de orientar os jovens futuros economistas sobre o modo de atuar e, mais que isso, sobre como a Economia – tanto na teoria, quanto na prática – age e influencia no cotidiano das pessoas.

Outro fito de nossas palavras aqui está, justamente, em poder, de alguma maneira, contribuir para a orientação futura do jovem estudante de Economia, visando também resgatar as demandas verificadas no passado, quando se formavam muitos e muitos economistas.

Para isso, nos sentimos encorajados a esboçar algumas linhas direcionadas especificamente ao debate sobre a atuação e o papel do economista em nossa sociedade. Desnecessário afirmar, contudo, que não nos apresentamos aqui como conselheiros e/ou donos da verdade; não temos a prerrogativa do tom professoral.

É oportuno reiterar, contudo, que apenas desejamos, tão somente, contribuir para o aprofundamento de temas que cercam a natureza da ciência econômica no que toca a discorrer sobre os propósitos mais interessantes dessa ciência – para aquilo que se convenciona entender ser, de fato e de direito, uma boa e adequada maneira de “fazer economia”. O que mais queremos é que aumente o interesse pelo curso superior em Ciências Econômicas.

No sentido de discutir os propósitos da economia, um primeiro ponto a ser ressaltado é que o economista que constrói hipóteses deve, obrigatoriamente, a seguir, confrontar seus modelos com a realidade social.

Somente o mundo real poderá validar ou não suas ideias. É imprescindível não perder de vista que os modelos da economia são imperfeitos; sua verificação é aproximativa. A realidade social - em todas as suas manifestações - é passível de soluções econômicas.

Por sinal, todo problema social exige, como contrapartida, uma solução econômica. Dessa constatação emerge afirmarmos que a economia precisa, para ser aceita definitivamente como uma ciência capaz de promover boas ações, colocar o progresso a serviço dos mais pobres.

Talvez o principal papel da economia seja o de ser uma ferramenta construtiva capaz de “esboçar” uma sociedade mais bem estruturada social e economicamente. Para isto, não se deve perder de vista que atualmente um terço da humanidade continua mergulhado na miséria. E cabe à ciência econômica, à sua maneira, priorizar e combater as questões sociais mais agudas, tal qual a miséria que vitima milhões de pessoas todos os anos, todos os dias, a cada hora.

Por isso entendemos que o desenvolvimento econômico, objetivo tão caro aos valores sociais, quando proferido e ensinado pela economia em suas bases conceituais, só faz sentido se levar bem-estar (qualidade de vida) aos que mais sofrem.

Gandhi, uma das almas mais brilhantes que já pisou no planeta Terra, a esse respeito disse que “o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condição dos mais necessitados”.

Estamos convencidos que os jovens futuros economistas precisam, nesse pormenor, ao se lançarem na busca do equilíbrio econômico-social, encarar que a justiça social é um imperativo que deve predominar sobre a produção.

O “mundo da economia” não deve, pois, ser reduzido, quase que exclusivamente, à condição de mercado, muito menos de mercadoria. Antes disto, é fundamental que todos tenham noção que existe algo de mais valioso que cerca a economia: a vida humana.

Aos jovens futuros economistas em processo de graduação, e aos que desejam se inscrever num curso superior, recomenda-se que não se recusem ao exercício de ver a sociedade tal qual (e como) ela é.

Se os economistas de hoje, de ontem e, espera-se que os do amanhã, têm uma função a cumprir na sociedade, entendemos que essa é, essencialmente, a de se envolver no processo de transformação econômica e social.

Cristovam Buarque, engenheiro de formação e economista por opção do doutorado, diz brilhantemente que “não faz sentido ser economista se não for para lutar contra a fome e a pobreza que marca a vida de muitos brasileiros”.

Entendemos que o futuro economista deve, caso concorde com essa premissa e se predisponha a lutar por uma sociedade de iguais, ter clara a ideia central que a economia precisa ser inclusiva.

Definitivamente, a economia não funciona sem a inclusão das pessoas por um motivo bem simplista: ela – a ciência econômica - é feita pelos homens e para os homens. Por fim, reitera-se que entendemos por inclusão uma vida sem dificuldades básicas; antes disso, uma vida de acesso e de oportunidades e critérios iguais, sem diferenciação de classe, cor, sexo e condição financeira.

Concordamos plenamente que a finalidade do economista e a da ciência econômica seria aquilo que Carl Menger, em seu tempo, argumentou: “a economia precisa satisfazer as necessidades humanas”.

Detalhe: não estamos nos referindo ao conspícuo. Estamos nos referindo, apenas, as ditas e conhecidas necessidades básicas: comer, se vestir, se abrigar, trabalhar, buscar a todo instante ser feliz.

A você, caro estudante que deseja ingressar no curso de Economia, sinta-se tocado no seguinte aspecto: esta ciência tem todas as ferramentas para ajudar no seu progresso e, especialmente, no progresso da sociedade.

Contamos contigo, caro estudante de economia, para a consolidação dessa árdua tarefa. Assim como a Economia (enquanto ciência) precisa de você, você também precisa da Economia (enquanto atividade) para fazer avançar a qualidade de vida de todos. O desafio está lançado. Venha estudar Economia!

Podemos lhes garantir que vale a pena estudar economia. A maioria dos economistas que sentem nas veias essa profissão não titubeia em afirmar isso. Venha estudar Economia e ajude-nos a pensar o Brasil.

(*) Hugo Eduardo Meza Pinto é economista, Doutor pela (USP). É Diretor Geral das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba - Brasil. meza@santacruz.br
Marcus Eduardo de Oliveira é economista, mestre pela (USP), professor de Economia da FAC-FITO / UNIFIEO (S. Paulo - Brasil) - prof.marcuseduardo@bol.com.br

sexta-feira, 7 de março de 2014

Corecon-Pa realizará 5ª edição do “Dialogando”


“Emprego e renda: impactos na economia paraense” é o tema escolhido para a 5ª edição do Dialogando Economia com a Sociedade, que acontece no dia 11 de março, a partir das 19h, no auditório do Conselho Regional de Economia do Pará. O debate contará com a presença de um representante da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda, do supervisor técnico do Dieese Roberto Sena e do professor universitário José Stênio. Entre os assuntos que devem ser abordados, merece destaque o cenário atual da geração de emprego e renda no Pará, o modelo econômico do Estado, os indicativos para o desenvolvimento local, entre outras temáticas de interesse social.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Definido tema do próximo Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia

         O COFECON e o CORECON-GO definiram a data de realizarão do próximo Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia XXIV - SINCE, conforme consta da Consolidação da Legislação da Profissão do Economista. O XXIV SINCE será realizado de 3 a 5 de setembro de 2014, em Goiânia-GO, com o seguinte tema: “Por um projeto de nação: política econômica, pacto federativo e desenvolvimento regional”, tendo como subtemas: G1 - Formação, aperfeiçoamento profissional e mercado de trabalho do economista; G2 - Aperfeiçoamento do Sistema COFECON/CORECONs; G3 - Estrutura e conjuntura econômica, política e social do Brasil.

Corecon-Pa convida economistas para audiência pública


Evento debaterá proposta de carreira de Estado para profissionais da área

O Conselho Regional de Economia do Pará convida todos os economistas do Estado para participar da Audiência Pública que debaterá a proposta de criação de Carreira de Estado em nível federal para os profissionais da área. 
Agendada para o dia 07 de março, às 16h, na sede do Corecon-PA, o evento já tem presença confirmada do Presidente da autarquia federal Rosivaldo Batista, do Conselheiro Nélio Bordalo, do Conselheiro Federal do Cofecon Eduardo Costa e do Deputado Federal Claudio Puty.
A Audiência Pública foi um pedido dos economistas servidores da Sudam – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia e é o primeiro passo para assegurar condições de carreira e remuneração adequada aos profissionais que atuam nas três esferas do serviço público: municipal, estadual e federal.

 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A profissão de Economista no Brasil: podemos ser muito melhor aproveitados


Fernando de Aquino Fonseca Neto 

Historicamente, a profissão de economista no Brasil pode ser considerada como uma síntese de três movimentos, um desenvolvido no meio acadêmico, outro pelos formuladores, gestores e acompanhadores da política econômica e um terceiro no mercado de trabalho. No meio acadêmico, o ensino de economia tem início com a criação dos cursos de direito e de engenharia no Brasil, em meados do século XIX. Todos os cursos de direito e grande parte dos cursos de engenharia incluíam a disciplina Economia Política em seus currículos, possibilitando que as ideias, teorias e discussões da área de economia mantivessem algum espaço no país, mesmo antes da existência de cursos específicos de economia. Assim, parte da necessidade de profissionais com conhecimentos de economia era suprida por advogados e engenheiros com melhor domínio desses conteúdos, tanto nas empresas quanto nos órgãos públicos.
A política econômica, atividade típica da profissão de economista, não pode deixar de ser exercida por nenhum governo, ainda que de modo rudimentar. Essas atividades, no Brasil, foram originalmente exercidas por políticos, em geral com base em seus conhecimentos de economia obtidos nos cursos de Direito. Os formuladores, gestores e acompanhadores da política econômica aplicavam seus conhecimentos econômicos desde os primórdios do Estado brasileiro. “Um exemplo é dado pela polêmica entre Sales Torres Homem e Bernardo de Souza Franco na década de 1850 em torno do problema da emissão de moeda. Nessa polêmica, os argumentos expostos na Inglaterra, na década anterior, durante a disputa entre a Escola Monetária (representada por Ricardo, Mill e Tooke) e a Escola Bancária (identificada com Thornton e Fullarton) eram adaptados à realidade brasileira: à relação entre moeda e preços via emissões bancárias, central no caso britânico, se agrega aqui o impacto sobre o câmbio, já que a moeda brasileira vivia sob constante ameaça de desvalorização” [Conselho Federal de Economia: sessenta anos de história da regulamentação da profissão de economista, 1951-2011, pág.20-21].
Necessidades adicionais de atividades profissionais na área econômica eram supridas pelos contadores com maior habilidade nessa abordagem. Os contadores eram profissionais de nível médio, que haviam concluído o curso técnico em contabilidade e ocupavam posição de muito prestígio, numa sociedade em que muito poucos obtinham grau de bacharel. Contudo, nesse contexto, advogados e engenheiros, com interesse na área, tinham opiniões sobre questões econômicas muito mais consideradas e valorizadas na sociedade brasileira que aqueles precursores dos economistas no mercado de trabalho. Também por discriminações dessa natureza, entre os profissionais mais destacados da então chamada área comercial consolidou-se a demanda por um curso superior, com o mesmo status de cursos universitários como direito, medicina e engenharia.
Para atender tal demanda, em 1931 é criado o curso superior de Administração e Finanças, acessível aos diplomados em perito-contador ou atuário, outorgando o título de Bacharel em Ciências Econômicas. Observe-se que envolve os nomes de três profissões, mas não se tratava de nenhuma delas em particular. Na realidade, o currículo abrangia conteúdos de algumas áreas, sendo mais adequado considerar que formava um profissional que era economista e contador, com uma formação mais superficial e limitada que a atual dessas duas profissões. Esse seria o perfil julgado adequado de um profissional altamente qualificado para atuar na área de negócios, tanto nas empresas e bancos quanto no setor público.
Em 1945, o curso de Administração e Finanças é extinto, sendo substituído por dois novos cursos superiores, o de Ciências Econômicas e o de Ciências Contábeis e Atuariais, ambos acessíveis a qualquer concluinte do ensino médio. A estrutura curricular do curso de Ciências Econômicas torna-se relativamente próxima de sua atual grade, abrangendo as seguintes disciplinas: geografia econômica, história econômica, sociologia, administração, contabilidade, direito (duas), matemática (duas), estatística e 13 específicas de economia (tais como economia política, valor e formação de preços, moeda e crédito, comércio internacional e câmbio, repartição da renda nacional e sistemas econômicos comparados).
Por ocasião da regulamentação da profissão de economista, ocorrida em 1951, podia-se identificar que os três perfis exercendo esta profissão se mantinham: os economistas-acadêmicos, em geral com título de Doutor em Ciências Econômicas ou com função de professor das cadeiras de Economia em cursos de Direito e Engenharia, que se dedicavam à reflexão e ao ensino da economia, principalmente sob a perspectiva teórica; os economistas-contadores, que seriam os bacharéis em Ciências Econômicas dos cursos criados em 1931 ou em 1945, com funções na administração pública, no setor privado e nos bancos; os macroeconomistas, grande parte não diplomada em Economia, sendo advogados ou engenheiros, que atuavam nos diversos órgãos governamentais que tratavam de assuntos econômicos.
Pode-se considerar que, a partir dessa definição da estrutura curricular e da regulamentação da profissão, surge a identidade do economista profissional no Brasil. O que efetivamente define uma profissão é a especificidade de sua formação. No caso do economista, vale observar que, desde 1945, ainda antes da regulamentação, até os dias atuais, temos uma formação específica que, se mudar sua essência, a profissão passa a ser outra, ainda que mantida a nomenclatura. Então, o que há de específico e essencial na profissão de economista é a percepção objetiva do sistema econômico em seus diversos níveis, local, nacional e mundial, assim como do comportamento dos indivíduos nos mercados. Claro que nesses 69 anos a teoria e as técnicas econômicas evoluíram e foram incorporadas aos cursos de ciências econômicas, mas sempre com a finalidade de habilitar melhor o profissional nessa percepção. Disciplinas mais instrumentais e de aplicação mais direta nas atividades cotidianas do profissional são possíveis e desejáveis, mas a sua ausência não compromete a formação do economista, cuja principal habilidade é a percepção objetiva dos fenômenos econômicos.
Não obstante, vale destacar que os economistas têm sido considerados, no Brasil, inclusive por uma parte da própria categoria, apenas como economistas-acadêmicos e como macroeconomistas, possivelmente por influência de como esse profissional é visto nos EUA. Entretanto, naquele país, o título de economista é reservado apenas aos doutores em economia, que, em geral, tendem a se dedicar à área acadêmica e à formulação e acompanhamento da política econômica. Assim, “economista” no Brasil não é o mesmo que nos EUA. Aqui, refere-se também ao profissional que, mesmo sem o doutorado, possui uma formação que o habilita a desempenhar várias atividades com vantagem em relação a qualquer outro profissional. Como exemplo, podemos citar:
(i) Mercado financeiro: identificação das melhores oportunidades de compra e venda de ações e títulos, assim como das mais adequadas opções de aplicações financeiras e de financiamentos, tanto para instituições financeiras quanto para indivíduos e empresas não financeiras – requer um conhecimento da estrutura e funcionamento do mercado financeiro, assim como das perspectivas do sistema econômico e de seus mercados.
(ii) Planejamento: no setor privado, planejamento financeiro e estratégico; no setor público, orçamentos e planos plurianuais – requer a elaboração de cenários macro e microeconômicos e instrumentos para calcular e estimar resultados futuros, tais como cálculo financeiro e econometria.
(iii) Projetos: estudos de viabilidade econômica e financeira, no setor público e privado, exigem a identificação das dimensões mais apropriadas do investimento, dos momentos mais oportunos de implantação e dos ritmos de execução, que demandarão acompanhamento da conjuntura e tendências econômicas, pesquisas de mercado e instrumentos específicos de cálculo financeiro e econometria.
(iv) Perícia: sua abordagem econômico-financeira requer a utilização de instrumentos específicos e a aplicação de indicadores econômico-financeiros.
       Não se trata de sermos mais inteligentes ou talentosos. É apenas uma questão de especificidade de nossa formação, que nos favorece precisamente nas atividades em que essa formação é a mais necessária. Basta observar as grades dos cursos: aprendemos a entender os fenômenos econômicos; o contador, acompanhar as alterações financeiras de patrimônios; o administrador, técnicas de gestão; o engenheiro, aplicar as leis da natureza. Enfim, como economistas, devemos acreditar que a alocação mais eficiente desses recursos humanos seria da forma mais compatível com suas especificidades.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Comissão do COFECON debate Projeto de Lei atualiza a profissão de Economista com Presidente do Senado Federal


Uma comissão de economistas composta pelo presidente do Cofecon, Paulo Dantas da Costa, realizou na última quinta-feira dia 20 de fevereiro uma visita ao presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros. Dantas esteve acompanhado pelos conselheiros federais Luiz Alberto Machado e Róridan Duarte, pelo presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Manuel Enríquez García, e pelo assessor parlamentar Eugênio Fraga. Na pauta da visita estava o Projeto de Lei do Senado 658/07.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SOLENIDADE DE POSSE DA PRESIDÊNCIA DO COFECON


O Conselho Federal de Economia realizará no dia 30 de janeiro, às 20 horas, a solenidade de posse da sua nova presidência e dos conselheiros federais. O evento será realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Após a solenidade, será servido um coquetel.
A nova presidência do Cofecon, com mandato durante o ano de 2014, é composta pelos economistas Paulo Dantas da Costa (presidente) e Wellington Leonardo da Silva (vice-presidente). Os novos conselheiros federais, com mandato de três anos (2014-2016), também serão empossados. São eles: Celina Martins Ramalho, João Manoel Gonçalves Barbosa, Júlio Flávio Gameiro Miragaya, Luiz Alberto de Souza Aranha Machado, Nelson Pamplona da Rosa e Odisnei Antonio Bega (efetivos); José Antonio Lutterbach Soares, Marcelo Martinovich dos Santos, Mônica Beraldo Fabrício da Silva, Paulo Brasil Corrêa de Mello, Paulo Salvatore Ponzini e Valery Maineri König.

A presidência
 
Paulo Dantas da Costa graduou-se em Ciências Econômicas (1976) pela Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia. Tem também especialização em Direito Tributário e Administração Financeira Governamental. Trabalhou no Banespa antes de sua graduação, ali permanecendo até 1978. Foi Auditor Fiscal da Secretária da Fazenda do Estado da Bahia até junho de 1994, tendo ocupado cargos de direção - o mais importante deles foi o de Coordenador de Programação Financeira. Desde então tem atuado como consultor. Dantas foi vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia em 2002 e 2003 e presidente em 2008 e 2009. Ele será o primeiro representante do Corecon-BA a presidir o Conselho Federal de Economia.
Wellington Leonardo da Silva é formado pela Universidade Gama Filho. Atua como consultor em Planejamento Estratégico Situacional e é Secretário Executivo do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro. Trabalhou no setor privado de 1977 a 1990, na área de comércio internacional, em indústrias do ramo têxtil, maquinaria pesada e química fina. Lecionou nas Faculdades Veiga de Almeida e Gama Filho, nesta última até 1992. Foi Assessor do Sindicato dos Bancários do Estado do Rio de Janeiro, da AFBNDES-Associação dos Funcionários do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social e Assessor Parlamentar da ex-Deputada Federal Ana Júlia Carepa.

Serviço

Posse da presidência do Cofecon
Onde: Sede da CNI (Setor Bancário Norte, Quadra 1, Bloco C, edifício Roberto Simonsen)
Quando: 30 de janeiro de 2014, às 20:00 horas
Mais informações: Manoel Castanho (61) 9674-3778

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O problema são os economistas


De acordo com Paul Krugman, economista internacionalmente conhecido e articulista do The New York Times, hoje temos gerações de profissionais criados na crença de que a teoria keynesiana está errada. Compartilho para o debate o artigo, inicialmente publicado no jornal americano, e que foi traduzido para o português e publicado no link eletrônico da Revista Carta Capital.

O problema são os economistas
Paul Krugman

Mike Konczal defendeu recentemente no Washington Post uma tese muito boa sobre como ensinamos Ciência Econômica. Ele sugeriu que deveríamos voltar ao modo usado pelo economista Paul Samuelson, em 1948, quando escreveu a primeira versão de seu famoso manual: primeiro a macroeconomia, depois a micro. Isso, explica Konczal, daria aos estudantes uma melhor perspectiva da realidade, apesar de no final se cobrir o mesmo material.
Eu acrescentaria que os motivos por trás da ordem de Samuelson se aplicam tão bem hoje quanto em sua época. Samuelson escreveu quando a memória da Grande Depressão ainda estava fresca e os alunos queriam saber como tais coisas podiam acontecer. Como ele conseguiu fazê-los levar a sério aquela história da perfeição dos mercados, depois de tudo o que acabara de suceder? Ensinando-lhes primeiro que a política monetária e fiscal poderia ser usada para garantir o pleno emprego.
Seis anos depois do início da Grande Recessão e da recuperação não tão grande, tudo isso parece novo, mais uma vez. Mas existem alguns problemas sérios com a solução de Konczal, parte do que Samuelson fez em 1948 não pode ser reproduzido hoje.
O que Samuelson trouxe para a Ciência Econômica foi na verdade uma dose dupla de inovação, macroeconomia keynesiana mais uma nova orientação para modelos matemáticos. Na época essas coisas andavam de mãos dadas e se reforçavam mutuamente: o aparente sucesso da macroeconomia keynesiana, orientada para modelos, venceu os institucionalistas.
Hoje, os economistas mais profundamente empenhados em ver o mundo através de uma névoa de equações também tendem a ser profundamente hostis em relação a qualquer tipo de macroeconomia capaz de explicar a crise recente. Na época, Keynes também era novo e inovador. Hoje temos gerações de economistas criados na crença de que a macroeconomia keynesiana está errada. Eles não sabem o que há nela, na verdade, mas é o que lhes ensinam.
Finalmente, se a microeconomia for justificada com a alegação de que a política do governo garantirá mais ou menos o pleno emprego, o que exatamente no mundo atual o inspiraria a acreditar nisso?
Portanto, Konczal está certo sobre o que deveríamos fazer. Mas não vai acontecer.


O problema da ciência econômica são os economistas. Isso é em grande parte o que Simon Wren-Lewis afirmou em uma recente postagem online, em que fez a defesa da corrente dominante da Ciência Econômica. E eu concordo com a maior parte.
É profundamente injusto culpar a Economia dos manuais pela crise ou pela fraca reação à crise. A mania de desregulamentação financeira, por exemplo, não foi um produto da análise econômica convencional. Na verdade, ela contesta o modelo canônico das crises bancárias, que sugeria um papel crucial das garantias do governo para evitar o pânico que se autocumpre e a necessidade de regulamentação para controlar o dano moral criados por essas garantias. É verdade, poucos economistas acompanharam a ascensão dos bancos na sombra capaz de contornar as salvaguardas tradicionais, mas esse foi um problema de vigilância, não de teoria.
A teoria dos mercados eficientes, possivelmente, merece mais culpa pelo fracasso de muitos economistas em reconhecer a bolha habitacional, mas a economia dos manuais sempre apresentou a teoria como uma linha básica, e não uma verdade revelada.
Quanto a reação à crise, foi notável a determinação dos políticos em fazer o oposto do aconselhado pela macroeconomia dos manuais. Cortar os gastos quando as taxas de juro são zero, agarrar qualquer desculpa para aumentar os juros, tais políticas não equivalem a aplicar a Ciência Econômica ortodoxa. Na verdade, foi surpreendente assistir à proliferação de novos modelos recém-inventados para justificar que fizéssemos o contrário do dito pelo curso do primeiro ano de economia.
O problema, claro, é esse não ser apenas um caso de políticos nomeados, ignorantes ou de mentalidade agressiva, que ignoram a sabedoria econômica: muitos economistas de prestígio também estavam ávidos para dar as costas à macroeconomia tradicional, mesmo quando funcionava muito bem, por causa de suas inclinações políticas.
E isso, creio, diz que há algo errado na estrutura da profissão econômica. Parece que não precisamos tanto de outra Ciência Econômica quanto precisamos de outros economistas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Impossível Fazer Previsões Precisas em economia


Compartilho a entrevista de Walter Friedman para a Revista Época (12/2013), na qual o autor destaca que em economia é impossível fazer previsões precisas. Trata-se de uma boa reflexão sobre a mania que a sociedade tem de querer que os economistas prevejam sempre o futuro.


Entrevista - Walter Friedman
Revista Época - 30/12/2013 - "É impossível fazer previsões precisas" - Josué Fucs

O historiador americano compara os economistas aos videntes e diz que muita gente se interessa por teorias malucas para tentar saber o que vem por aí.
O professor Walter Friedman, diretor do projeto de história dos negócios na Universidade Harvard, é, antes de mais nada, um provocador. Em seu novo livro, Fortune tellers (Videntes), lançado recentemente nos Estados Unidos, ele relata os primórdios da "indústria" de previsões econômicas. Compara os pioneiros da atividade e seus sucessores contemporâneos a videntes de todos os gêneros. Segundo Friedman, apesar de as previsões dos economistas não serem absolutamente precisas, elas nos ajudam a tomar decisões melhores, com base na lógica e na razão, não apenas em adivinhações. "O futuro nunca é previsível", afirma. "Isso não significa que deixaremos de tentar prever o que acontecerá."

ÉPOCA - Em seu novo livro, o senhor compara os economistas e analistas de mercado que fazem previsões econômicas aos videntes. Por quê? O que eles têm em comum?
Walter Friedman - Os videntes dão insights sobre os mistérios da vida. Os economistas fornecem insights sobre como a economia capitalista funciona, dão sentido a conceitos complexos. No final do século XIX e no início do século XX, período de que trato no livro, isso era algo reconfortante, especialmente nos Estados Unidos, onde se sucediam pânicos econômicos, que surgiam do nada. Esse pessoal ajudou a mostrar que o capitalismo não é um sistema totalmente caótico e que aquilo fazia parte de um ciclo que, de alguma forma, era previsível. Muitos dos pioneiros nas previsões econômicas adotaram o modelo usado na meteorologia. Usavam ciclos para comparar o mundo econômico ao mundo natural. Se o tempo vem em estações previsíveis, por que não poderia haver estações também na economia? Hoje, a ideia dos ciclos econômicos ainda é popular. Você vê isso o tempo todo na imprensa e em relatórios anuais das empresas. Embora não haja nada muito cíclico na economia, nos atemos à ideia de que as flutuações econômicas ocorrem em ciclos, não de forma mais ou menos imprevisível.

ÉPOCA - Em sua visão, as previsões econômicas podem ser consideradas como ciência ou não passam de bruxarias pouco confiáveis?
Friedman - Podemos dizer que elas são as duas coisas. São uma ciência, mas também exigem muita intuição. A história nos mostra que as previsões econômicas nunca são absolutamente precisas. Ao mesmo tempo, nos ajudam a tomar decisões melhores, com base na lógica e na razão, não apenas em adivinhações. Ao observar indicadores ou dados históricos, podemos ter uma ideia melhor de como as coisas mudaram ao longo do tempo. E uma forma melhor de fazer previsões do que levar em conta a posição das estrelas ou algum outro fenômeno do gênero.

ÉPOCA - É possível prever eventos econômicos? Prever o futuro da economia é diferente de outros tipos de futurologia?
Friedman - O futuro nunca é previsível. Isso não significa que deixaremos de tentar prever o que acontecerá. Só porque as previsões não são precisas, não significa que elas sejam uma perda de tempo. Em nosso esforço para prever o futuro, muitas coisas boas apareceram e se desenvolveram. O Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos Estados Unidos, por exemplo, fundado em 1920, foi criado para medir os ciclos da economia e dos negócios, como parte do esforço para fazer previsões. O conceito de Produto Interno Bruto (PIB) também surgiu como forma de medir a evolução da atividade econômica ao longo do tempo. A econometria, que dominou o campo das previsões econômicas no final do século XX, desenvolveu-se a partir das previsões feitas pelo economista Irving Fisher (1867-1947), o primeiro a usar equações matemáticas para tentar entender como a economia funciona. Fazer previsões é uma grande atividade. Só que não podemos confiar totalmente no que elas dizem.

ÉPOCA - É por isso que os economistas erram tanto em suas previsões?
Friedman - A economia é muito complicada. Como disse há pouco, é impossível fazer previsões precisas. Você deve observar o que os economistas fazem quando cometem algum erro. A forma como agem quando erram uma previsão é um aspecto importante para saber se são honestos. Se admitirem o erro e explicarem por que ele aconteceu, é um bom sinal. Esses são os melhores a seguir.
Agora, se eles procurarem mostrar que estão sempre certos e que algum fator externo acabou afetando suas previsões, é um problema. Alguns economistas investem muito tempo fazendo marketing pessoal. Infelizmente, esses tendem a ser os mais bem-sucedidos, embora não tenham senso de humildade e fiquem fazendo campanha para si mesmos.

ÉPOCA - Quase ninguém consegue prever os momentos de ruptura, como as crises de 1929 e 2008. Por quê?
Friedman - Os mesmos modelos básicos sobrevivem às crises. Depois de grandes rupturas como as que você menciona, alguns se tornam mais preeminentes que outros. Até 1929, a ideia de que havia ciclos econômicos fixos, mensuráveis e previsíveis, predominava. Embora eles não fossem medidos a cada sete ou dez anos, as pessoas acreditavam que era um fenômeno mais ou menos previsível. Depois de 1929, esse modelo continuou, mas perdeu seguidores. Ganhou preeminência o modelo econométrico, segundo o qual é possível adotar políticas para influenciar os ciclos de negócios. As previsões econômicas passaram a se basear mais no efeito gerado pela política econômica. Depois da crise de 2008, aconteceu a mesma coisa. Os mesmos modelos continuaram a existir, alguns com mais preeminência, outros com menos, mas até agora não surgiu nenhum modelo novo.

ÉPOCA - Com tudo isso, devemos acreditar nas previsões econômicas?
Friedman - A economia capitalista é dependente de previsões. Não pode haver uma economia se você simplesmente acreditar que o futuro é caótico. Então, independentemente de ser confiáveis ou não, continuaremos a ter previsões. A pergunta é: que previsões são melhores para você tomar decisões? Isso tem a ver com o que você acha importante para a economia ou com o que pode mudar a economia e com todo tipo de considerações pessoais. A "indústria" de previsões será sempre um negócio próspero. Não dá para ter uma economia em que as pessoas criam inovações, fazem investimentos, abrem novas indústrias, se você simplesmente acreditar que o futuro é aleatório.

ÉPOCA - Em sua opinião, as ferramentas usadas pela indústria de previsões econômicas são mais confiáveis?
Friedman - Não diria que sejam mais confiáveis, mas são mais sofisticadas do que eram. Carregam muito mais conhecimento. No início do século XX, os pre-visores desenvolveram muitas das ferramentas usadas ainda hoje, incluindo a análise técnica do crescimento econômico, a análise fundamentalista, a econometria, o uso de indicadores econômicos. Tudo isso vem daquela época, embora fosse mais primitivo do que hoje. As premissas são as mesmas. A economia também é mais complicada hoje do que era.

ÉPOCA - Parece que as pessoas estão mais interessadas em ter uma ideia do futuro desenvolvimento de eventos econômicos, mas não se importam muito com as metodologias...
Friedman - É verdade. As pessoas querem acreditar que alguém entende como a economia funciona e tem uma boa ideia de para onde ela vai. Isso é bom e ruim. É bom porque leva as pessoas a se interessar pelo assunto e a fazer a própria pesquisa, em relação aos principais indicadores econômicos. Ao mesmo tempo, é ruim, porque algumas pessoas acabam se interessando por teorias malucas em razão dessa necessidade de ter alguém para lhe dizer o que vem por aí. Falo sobre isso no livro em relação a Roger Babson, empreendedor e economista americano (1875-1967). Muitas de suas teorias não faziam nenhum sentido. Ele as baseou nos trabalhos de Isaac Newton. Quando acertou suas previsões um par de vezes, muita gente passou a segui-lo. As pessoas não tinham interesse em saber o que estava por trás de suas previsões. Acreditavam apenas que, como ele tinha conseguido acertar, acertaria de novo. Esse é o perigo. Então, acredito que, se você pretende seguir previsões, precisa saber o que os economistas levam em conta para fazê-las. Você tem de entender os métodos usados para fazer as previsões.
 
"As pessoas querem acreditar que alguém sabe como a economia funciona e para onde ela vai"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Hospital Universitário oferece vaga para economista


O HUGV-UFAM - Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas realiza concurso público para preenchimento de vaga para o cargo de analista administrativo com habilitação em ciências econômicas. 

REQUISITO: Diploma, devidamente registrado, de curso de graduação em Economia, fornecido por instituição de ensino superior, reconhecido pelo Ministério da Educação; e Registro Profissional no Conselho Regional de Economia. 

REMUNERAÇÃO: R$ 4.732,00 

Acesse o edital na íntegra: www.iades.com.br

Comissão Eleitoral do Cofecon encaminha eleições extraordinárias


Aconteceu nesta segunda, 13, na sede do Conselho Regional de Economia do Pará, a reunião da comissão eleitoral da eleição extraordinária presidida pelo Conselheiro Federal Róridan Penido Duarte e pelo membro efetivo Carlos Roberto de Castro. Estiveram presentes na reunião o conselheiro do Corecon-PA, Nélio Bordalo e a representante da Chapa 1 +Valor, Lady Francis. A reunião tinha como pauta a homologação de registro de chapas, procedimentos eleitorais e divulgação do pleito eleitoral.
Durante a reunião foi entregue ao presidente da comissão eleitoral, Róridan Duarte, documentos referentes ao requerimento de registro de chapas, posteriormente, a comissão eleitoral fez análise dos mesmos e proclamou o deferimento da chapa 1. Ao longo do período de inscrições das chapas foi registrada apenas uma chapa para concorrer as eleições.
Em relação ao procedimento eleitoral ficou estabelecido pelo Conselho Federal que o mesmo será realizado exclusivamente por correspondência e a apuração realizada no dia 26 de fevereiro deste ano, na sede do Cofecon, em Brasília. A chapa concorrente deve indicar até o dia 29 de janeiro, fiscais, titular e suplente, não candidatos, em condições de regularidade com o Corecon-PA, para participar do processo de apuração, sendo que as despesas de viagem ficam a cargo do Cofecon.
A divulgação do pleito eleitoral será feita no site do Conselho Regional de Economia do Pará, com informações referentes à Chapa 1 e seus componentes . A Chapa 1 tem até 48 horas, após término da reunião, para enviar informações ao Conselho para divulgação. No decorrer da reunião ficou estabelecido que o Conselho tem até o dia 20 de janeiro de 2014 para entregar etiquetas  dos economistas aptos a votar até a data de 13 de dezembro de 2013.
A Chapa 1 é compostas pelos seguintes candidatos para conselheiros efetivos:  Armando Lírio, Rinaldo Ribeiro Moraes e Raul Paulo Sarmento e para conselheiros suplentes: José de Lima Pereira, José do Egypto e Lady Francis Rodrigues.
 
Fonte: ASCOM, CORECON-PA.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SUFRAMA abre concurso público com oportunidades para economistas


A Superintendência da Zona Franca de Manaus torna pública a realização de concurso público para provimento de vagas em cargos de nível superior e de nível intermediário.

Leia mais: http://www.coreconpara.org.br/noticia.php?id=339

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nova Eleição para o CORECON-PA


A Plenária do Conselho Federal de Economia (COFECON) acabou de deliberar que em decorrência do cancelamento do processo eleitoral para o Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA), em função da greve da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafo, haverá nova eleição por meio de Processo Eleitoral Extraordinário coordenado pelo (COFECON). Assim, haverá novo edital, inscrição de chapas, e voto somente por correspondência, com a apuração acontecendo em Brasília em data a ser definida pela nova Comissão Eleitoral.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Concurso Professor Substituto de Economia


Está aberta na UFPA a inscrição para Processo Seletivo Simplificado para Professor de Economia na Disciplina Teoria Econômica, conforme Edital 188/2013, em regime de 40h semanais. O período de inscrição vai de  5 a 16 de dezembro de 2013. 

Local de inscrição: Secretaria da Faculdade de Economia do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da UFPA, situado na Rua Augusto Corrêa nº 01, Cidade Universitária, Bairro: Guamá, CEP.66.075-110, Belém-Pará, Fone(s):(91) 3201-7713, 3201-8625 e 3201-8627, no horário das 09:00 às 14:00 horas.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

CORECON-PA terá novo processo eleitoral


Após a anulação do processo eleitoral, em virtude da greve dos Correios, o Conselho Regional de Economia (CORECON-PA), definiu em Plenária que aconteceu no dia 28 de novembro, que haverá a abertura de novo certame eleitoral. Pelo que foi definido a nova eleição será realizada no dia 21 de fevereiro de 2014, sexta-feira, no horário de 11 às 17 horas. A eleição, desta vez, será mista (voto pelos Correios e presencial).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PLS 658/07 aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado


A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (03) o parecer do senador João Vicente Claudino (PTB/PI) relativo ao Projeto de Lei do Senado 658/07, que atualiza a legislação profissional do Economista. O projeto seguirá para exame da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.
O projeto define quais são as atividades privativas dos economistas, bem como aquelas que podem ser exercidas também por outros profissionais. Prevê também a possibilidade de certificação de profissionais para o exercício de atividades técnicas específicas, de modo a criar um credenciamento institucional. Determina ainda que todo trabalho técnico ou serviço prestado por economista fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao respectivo Conselho Regional de Economia.
"Entendo esta aprovação como um significativo avanço no que diz respeito a este projeto", comemora o conselheiro federal Paulo Dantas da Costa, coordenador da Comissão de Normas, Legislação e Fiscalização. "Mas devemos considerar que ainda há muito mais a avançar até a conclusão desta matéria".
Antes de passar pela CAE, o projeto foi aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). As alterações ali aprovadas foram acolhidas no substitutivo apresentado pelo senador Claudino.

Fonte: Manoel Castanho - COFECON

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Curso de capacitação e formação de pregoeiros e SRP é realizado no Corecon-PA


O Corecon-PA traz para a cidade de Belém o curso de Capacitação e Formação de Pregoeiros e SRP, com o objetivo de fornecer conhecimentos gerais, procedimentos e orientações acerca de pregão presencial e eletrônico. Com carga horária de 16 horas, o curso será realizado nos dias 11 e 12 de dezembro, na sede do Conselho Regional de Economia do Pará.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Economistas são mais gananciosos e egoístas, diz professor

Compartilho a seguir matéria veiculada pela Revista Exame a respeito do perfil do economista ante a ganância. Creio que vale a pena refletir sobre.

“Economistas são mais egoístas e gananciosos e menos justos e cooperativos do que a média da população. Essa é a polêmica tese do professor Adam Grant, apresentada em um post no site Psychology Today na semana passada. PhD em psicologia organizacional, Grant é professor em Wharton, uma das mais prestigiadas escolas de negócios do mundo.
Em abril deste ano, ele lançou o livro "Give and Take: a Revolutionary Approach to Success" (numa tradução livre, "Dar e Receber: Uma Abordagem Revolucionária para o Sucesso"), que se tornou um best-seller. A obra trata do potencial de sucesso de pessoas com estilos de atuação generosos e cooperativos.
Agora, Grant escolheu os economistas como alvo. O conceito do auto-interesse como motivação dos agentes econômicos é uma dos pilares da teoria delineada por Adam Smith em seu clássico "A Riqueza das Nações", de 1776. Grant acredita que a ideia foi levada longe demais pelos economistas, e oferece algumas evidências.

Estudos

Uma delas é um estudo liderado pelo professor Robert Frank, da Universidade de Cornell, que indicou que professores de economia nos Estados Unidos doam menos para a caridade do que os de áreas como física, filosofia e psicologia, entre outras.
Pior: comparados com os de outros campos de atuação, os professores de economia tinham o dobro da probabilidade de não doarem sequer um centavo.
Em um outro trabalho, professores da Northwestern, Harvard e da Universidade de Hong Kong notaram que estudantes que haviam realizado três ou mais aulas de economia tinham mais chances de classificar a ganância como algo "correto" e "moral" do que os alunos de outras disciplinas.
O próprio Grant, em parceria com colegas, fez um experimento: reuniu diretores, presidentes e gerentes de empresas que supervisionavam uma média de 140 empregados cada e deu a cada um deles frases aleatórias para montar.
Em seguida, estes chefes tiveram que escrever uma carta comunicando a um funcionário uma má notícia, como uma transferência indesejada ou uma bronca por atrasos. Aqueles que haviam montado frases com temas econômicos escreveram cartas com menos compaixão.”

Fonte: Revista Exame.