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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Queda da pobreza e melhoria da distribuição pessoal de renda permite falar em nova classe média?


Participei hoje à tarde, como pauta da 653ª Plenária Ordinária do Conselho Federal de Economia, do debate “Queda da pobreza e melhoria da distribuição pessoal de renda permite falar em nova classe média?”, proferida por Jorge Abrahão de Castro, Doutor em Economia e Diretor da Diretoria de Planejamento da Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento.
De acordo com a sua palestra é possível concluir que na última década:
1.  Não houve alteração do estoque de riquezas, na posse do volume de patrimônio. Pelo contrário, a elite econômica brasileira manteve o seu estoque de riqueza inalterado. Ou seja, não houve redistribuição, mas sim distribuição, que levou a diminuição da pobreza e da desigualdade;
2.  A distribuição da renda que aconteceu é explicada pela dinâmica do mercado de trabalho (com o aumento do salário mínimo acima da produtividade média do trabalhador), pelo Programa Bolsa Família (que responde por algo em torno de 0,6% do PIB e atinge 50 milhões de brasileiros), e pela dinâmica previdenciária recente (também atrelada à questão do salário mínimo);
3.  A manutenção desta dinâmica distributiva só terá sustentação com a construção de um cenário de crescimento econômico do país;
4.  Atualmente o salário mínimo impacta diretamente 30 milhões de trabalhadores e indiretamente 120 milhões de brasileiros;
5.  Atualmente, segundo dados do IPEA, a população brasileira está fatiada da seguinte forma: 43% não pobres, 43% vulneráveis e 16% pobres e extremamente pobres;
6.  A manutenção de parte da população na situação de pobreza e extrema pobreza é consequência da sua baixa empregabilidade;
7.  A “nova classe média”, muito mais um instrumento de marketing político, é composta por trabalhadores que ganham acima de 2 salários mínimos mensais e que passam a ter um perfil de consumo “similar” ao de uma classe média, explicado, também, pelo aumento do crédito e do endividamento destas famílias. Em geral esta “nova classe média” permanece em condição de vulnerabilidade social;
8.  Há no país uma dicotomia entre o gasto público e a política tributária, os gastos são progressivos e a tributação é altamente regressiva. Ou seja, com uma mão o governo dá para os mais pobres e com outra ele tira dos mais pobres que pagam proporcionalmente mais impostos;
9.  Os 20% mais ricos da população brasileira possuem 63% do estoque da riqueza nacional, enquanto os 20% mais pobre da população possuem apenas 4,2%;
10.          A perpetuação e a melhoria da distribuição de renda no país está diretamente vinculada a aspectos relacionados a educação, reforma tributária, políticas afirmativas e distributivas, salário mínimo, aumento da empregabilidade e crescimento econômico;
11.          O pagamento de juros e amortizações da dívida pública, advindas de uma política monetárias ortodoxa com juros elevados, consolida-se como o pior tipo de gasto público posto apresentar baixo efeito multiplicador, elevado vazamento, baixo efeito distributivo e pouco retorno social;
12.          A quantidade de brasileiros beneficiados pela transferência de renda oriunda do pagamento de juros e amortizações da dívida pública ainda é uma caixa preta, mas certamente é um número reduzido da população. Assim, a política monetária ortodoxa condena a sociedade brasileira à manutenção da elevada desigualdade social existente no país.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Da cultura do funcionário público para a cultura do servidor público: a revolução necessária


Estou convencido da necessidade de mudança na mentalidade hoje imperante no serviço público do estado do Pará, quer em nível estadual, quer em nível municipal. Neste momento é importante distinguir funcionário público de servidor público. Destaco que esta divisão não é consagrada, mas apenas uma forma de ilustrar um paradigma cultural que impera na administração pública no estado do Pará.
Na administração pública no estado do Pará há uma clara predominância da cultura do funcionário público. Este se caracteriza por ter clareza de todos os seus direitos, mas de não cumprir com destreza as suas obrigações. Não tem compromisso com a coisa pública e com aqueles que necessitam de serviços públicos de qualidade. Condena a burocracia pública a morosidade, falta de compromisso e ineficiência. Não prima pela melhoria da condição de vida do cidadão, mas move-se unicamente pela questão pecuniária própria.
Do outro lado, há o servidor público, este sim compromissado com a coisa pública e com os resultados da gestão. É dedicado, eficiente, eficaz e efetivo. Tem compromisso com a melhoria das condições de vida dos usuários dos serviços públicos. É um idealista por natureza, tem compromisso acima de tudo com o social e o coletivo. Envolve-se profundamente nas tarefas e ações que são de sua responsabilidade. Está sempre prensando em implementar melhorias. 
Infelizmente, temos muito mais funcionários públicos do que servidores públicos. Assim, se queremos romper com a condição de subdesenvolvimento, precisamos no bojo deste processo romper com o paradigma cultural do funcionário público e implementar o paradigma do servidor público.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Marabá em pleno desenvolvimento

Ontem assisti a entrevista do Prefeito João Salame (quase ex-PPS e possível futuro PT) no Programa Argumento do Mauro Bona. Fiquei impressionado com algumas informações dadas pelo Prefeito. Ao que parece a derrocada do Pedral do Lourenço irá acontecer, fato que irá efetivar a Hidrovia do Araguaia-Tocantins e dar nova esperança a respeito da ALPA. Por outro lado, o Prefeito passou uma excelente imagem, dando a impressão de que a gestão municipal deu uma guinada com inúmeras obras que seguem em andamento na região ou tem previsão para início, só para citar algumas: Hidrelétrica de Marabá, pavimentação asfáltica (investimento da ordem de 50 milhões de reais do orçamento municipal), 5 mil casas no Programa Minha Casa Minha Vida, um moderno shopping center, um centro de convenções, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará... Não resta dúvida de que Marabá irá se tornar um dos mais importantes entroncamentos logísticos do Brasil. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Palestra "Desafios para a Gestão Pública no Estado do Pará”




A Coordenação do Curso de Gestão Pública realizará no dia 20 de agosto das 18:30h às 20:00h, no Auditório Central do IFPA Campus Belém, a palestra "Desafios para a Gestão Pública no Estado do Pará”, com o  palestrante prof. Dr. Eduardo José Monteiro da Costa.
De acordo com a coordenadora do evento, professora Rita Vasconcelos, a entrada é franca e podem participar todos os interessados no assunto.

Serviço
Palestra "Desafios para a Gestão Pública no Estado do Pará"
Data: 20 de agosto
Hora: 18:30h às 20:00h
Local:  Auditório Central do IFPA Campus Belém
Palestrante: Dr. Eduardo José Monteiro da Costa
Entrada Franca

Fonte: http://belem.ifpa.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=831:palestra-qdesafios-para-a-gestao-publica-no-estado-do-para-&catid=89:noticias&Itemid=164

sábado, 10 de agosto de 2013

Não há médico porque não há infraestrutura?




Quarta-feira, dia 07 de agosto, coloquei no Blog Economia, Política e Religião a postagem “Programa Mais Médicos no Pará: contra fatos não há argumentos”. Já sabia que seria uma postagem polêmica por envolver um tema que vem recentemente chamando atenção da mídia. Recebi algumas mensagens em relação ao conteúdo da postagem, e quase todas as mensagens críticas argumentavam que não há médicos no interior porque não há infraestrutura adequada. Ou seja, não adianta levar médicos para o interior se não há infraestrutura para dar suporte à atuação deste profissional.
Bem, se esta lógica prevalecer então não teria no interior do Pará nem médicos, nem policiais e delegados, e nem professores, por exemplo. Todos estes, e outras categorias profissionais que não citei, executam as suas atividades, normalmente, sem o suporte infraestrutural adequado no interior de nosso estado. Está claro que estamos diante de um ciclo vicioso que precisa ser rompido. Precisamos primeiro estabelecer uma infraestrutura adequada para posteriormente levar os médicos, e demais profissionais, para o interior? Ou precisamos levar médicos, e demais profissionais, e paralelamente lutarmos pela melhoria da infraestrutura de apoio as suas atividades? Eu advogo por esta segunda alternativa. 
Ademais, esta discussão abre a possibilidade de discutirmos um assunto que lamentavelmente não é colocado nesta pauta, a qualidade da gestão pública. Para melhorarmos, por exemplo, a prestação de serviços públicos na área da saúde, e demais áreas, e aprimorarmos a infraestrutura correlata, é fundamental avançar na gestão das políticas públicas e na qualidade dos gastos. Para isto, é necessário dotarmos os municípios do interior não somente de bons médicos, mas também de bons economistas, administradores, contadores, advogados, e demais profissionais que participam das atividades relacionadas à gestão pública. Assim, chamo a atenção que esta não é uma problemática ligada única e exclusivamente a uma categoria profissional, mas é uma problemática que requer visão sistêmica e participação holística de inúmeras profissões. Em suma, falta: planejamento, gestão, articulação e controle das políticas públicas. Conclusão: precisamos romper este ciclo vicioso da pobreza e do subdesenvolvimento.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Lei de Acesso a Informação: adeus a cultura do sigilo


         O Neocostitucionalismo, que adota o paradigma do Estado Democrático e Social de Direito, e que difunde os preceitos da solidariedade e da fraternidade, além de fortalecer o controle social sobre a gestão pública, traz no seu bojo o desafio de superação da cultura do sigilo que, de forma silenciosa, ainda se constitui como um dos maiores obstáculos para a transparência dos atos de gestão. Não resta dúvida que o novo momento institucional, vivido com a aprovação da Lei de Acesso a Informação (12.527/2011), depende tanto da implementação das suas medidas pelos gestores quando da cobrança destas medidas por parte da sociedade.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Orçamento impositivo: um amadurecimento institucional


        Segue em discussão no Congresso Nacional a discussão do orçamento impositivo que normatizará a obrigatoriedade do Poder Executivo liberar os recursos das emendas parlamentares. Isto representa um avanço institucional importante, pois irá debelar com a política do “toma lá, dá cá”, acabando com um importante mecanismo de “chantagem” do executivo para o legislativo e do legislativo para o executivo. Este é um projeto, portanto, de interesse nacional.