quarta-feira, 14 de abril de 2021

DEVE A CPI DO COVID 19 INCLUIR GOVERNADORES E PREFEITOS? O CASO DO PARÁ COMO EXEMPLO

 

Deverá iniciar em poucos dias, por determinação do STF, a CPI do Covid 19 no Senado Federal para investigar as ações do governo federal no enfrentamento da pandemia. Um tema que está permeando a sua instalação é se a investigação deve ser ampliada, incluindo governadores e prefeitos.

Vejamos o caso do estado do Pará como ilustração. De acordo com dados da Secretaria de Comunicação do governo federal, o Pará recebeu no ano de 2020 um montante expressivo de recursos e benefícios para o enfrentamento à pandemia. Algo em torno de R$ 39,5 bilhões: suspensão da dívida (R$ 539 milhões), benefícios aos cidadãos (R$ 15,5 bilhões), recursos transferidos para o Estado e municípios (R$ 20,1 bilhões) e recursos para a saúde (R$ 3,4 bilhões). Ao todo, os estados e municípios brasileiros receberam do governo federal cerca de R$ 420 bilhões de reais, algo sem precedentes em nosso federalismo.

Neste contexto, e em meio à pandemia, coube aos estados e municípios a realização de compras emergenciais com dispensa do processo licitatório padrão. A partir de então passamos assistir recorrentes denúncias contra prefeitos e governadores, sobretudo, sob a alegação de má versarão de recursos públicos. Muitas investigações passaram a ser realizadas, tendo inclusive alguns governadores e prefeitos se tornado alvos de indiciamentos e investigações, tanto pela Polícia Federal quanto pelo Ministério Público.

Indiscutivelmente estas denúncias precisam ser adequadamente apuradas. Porém, é necessário ter clareza de que maior do que o prejuízo ao erário público é a ineficiência da gestão decorrente da má aplicação dos recursos ao lado da consagração da prática da corrupção no país como sendo algo normal, aceitável, a “regra do jogo” do processo político e da gestão pública. Quantas vidas se perderam em decorrência dos recursos não terem sido aplicados com legalidade, impessoalidade, moralidade e economicidade? Quantas vidas se perderam por hospitais de campanha nunca terem entrado adequadamente em operação, ou terem entrado com significativo atraso? Quantas vidas se perderam pela falta de medicamento ou oxigênio? Quantas vidas se perderam por compras irregulares de respiradores? Infelizmente a população brasileira mesmo diante de uma tragédia social parece não aprender que a corrupção mata, e mata de uma forma impiedosa.

A CPI do Covid 19 pode se tornar pedagógica para a nossa sociedade, um aprendizado. Mas para isto precisa incluir governadores e prefeitos, expondo os meandros da gestão pública em tempos de pandemia. Com isto, quem sabe, aprendemos a exercer melhor o controle social e passemos a votar e escolher melhor os nossos representantes.

Em síntese, uma CPI que não inclua governadores e prefeitos em sua investigação, ao menos no que tange a gestão de recursos federais transferido, já nasce politicamente viesada e endereçada, deixando de ser um instrumento republicano de fortalecimento da nossa combalida democracia.  

A “RELIGIÃO LAICA” E A INQUISIÇÃO IDEOLÓGICA CONTEMPORÂNEA: DE QUE FORMA VOCÊ COMO EKKLESIA DE CRISTO ESTÁ SE POSICIONANDO?

 

É impressionante como determinadas correntes político-ideológicas, em especial as de linhagem marxista, apesar de terem ojeriza a tudo o que tem caráter religioso (afinal a religião é o “ópio do povo”), assumem paradoxalmente características de seitas com manifestações dogmáticas, fanáticas e, em muitos momentos, até mesmo irracionais. Cultuam homens e ideais revolucionários; e, a partir de sua ortodoxia dogmática, e por meio do incisivo patrulhamento ideológico, condenam a “fogueira da inquisição” (“cancelamento”) qualquer herético que ouse se posicionar contra os seus credos, profetas, partidos, ideais ou opiniões.

Os fundadores desta “religião laica” são alçados ao patamar de semideuses ou “messias”. Os seus escritos adquirem o caráter de documentos “infalíveis”, “inerrantes”, “imutáveis” e “proféticos”. Para ser aceito em seu meio social é imprescindível ler e conhecer o seu cânone. Toda a “verdade absoluta” emana dos escritos destes “iluminados”, que merecem serem lidos e relidos num exercício exegético interminável com objetivo de se encontrar “mensagens proféticas” deixadas, muitas das quais nas “entrelinhas”. Neste exercício religioso, como quem se dirige para o culto, carregam os seus “evangelhos” nos braços, em especial nos ambientes universitários e intelectuais, principalmente porque portar esses documentos é a chave para a aceitação social; é preciso ser cult. E se você quer mais do que aceitação, pretende lograr mobilidade social, é fundamental que você recite com frequência uma frase de efeito de seu intelectual preferido. A citação destes “versículos” causa um “êxtase espiritual” na “membresia” (militância) e se torna a chave para a aceitação do “líder congregacional” de plantão.

Nesta “religião” alçam a posição de “deuses iluminados” os seus profetas seminais. É a partir destes emergem a sua religiosidade, as suas crenças, a sua fé e as suas diversas dissidências por divergências “doutrinárias”: marxistas, marxianos, progressistas, leninistas, stalinistas, trotskistas, maoístas, gramiscitas, freireanos e por aí vai.

Sempre que possível aparece uma nova congregação nesta plêiade religiosa motivada por “divergências doutrinárias”, mas que mantém um sentido orgânico pela crença na sua “salvação”. Nesta crença, o homem adquire o status de redentor do próprio homem, senhor da sua história, uma história teleológica. Este homem elevado ao patamar de deus, por meio da luta de classes, da revolução e da implantação do comunismo irá construir o “paraíso na terra”; mesmo que para isso seja necessário debelar os direitos humanos fundamentais: liberdade, vida e propriedade (sic.)

No curso deste processo, e no culto de seus ideólogos, os fins justificam os meios, o sacrifício humano é tolerado, a vida se torna relativa, o indivíduo é aniquilado em sua existência, a família destruída, e o Estado passa a ser idolatrado como instrumento de remissão dos “pecados sociais”. No mantra da busca pela igualdade social, todo poder ao Estado, e nenhuma autonomia ao indivíduo. Este Estado, instrumento da “revolução”, passa ter poder para deliberar sobre tudo, desde o que você pode comprar, quantos filhos pode ter (e o que deve ensinar aos mesmos); e até se tem ou não o direito de frequentar o templo de sua religião, o que pode ser ministrado nos púlpitos e em que você pode crer ou não.

A pesar de negarem o seu status religioso, muitos movimentos político-ideológicos acabam se tornando uma verdadeira religião. E nesta religião secular, como simulacro, levantam os seus “profetas”, “missionários”, “evangelistas”, “pastores”, “diáconos”, “presbíteros”, “obreiros”, todos a serviço de seu “ministério revolucionário”. E, em seus seminários, formam diuturnamente uma nova geração de intelectuais orgânicos e líderes revolucionários (mesmo que estes não saibam, agindo como inocentes úteis da causa), responsáveis por preparar o terreno para a revolução.

O que vou dizer não é nenhuma novidade. Mas me parece que estas seitas percebem isto mais do que os cristãos. O maior adversário do marxismo não é o liberalismo, o capitalismo ou o conservadorismo como alguns pensam, mas o cristianismo. É, por isso, que o cristianismo hoje se encontra na berlinda. É o principal adversário a ser debelado pelo movimento revolucionário.

Cabe uma única pergunta. E você como Ekklesia de Cristo, de que forma está se posicionando?  

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Deve o cristão se envolver com política?

 Este é um tema que tem gerado muita discussão no meio cristão contemporâneo.

Compartilho ministração feita na noite de ontem na Igreja Primeiro Amor em Belém do Pará na qual este assunto foi tratado a partir da cosmovisão bíblica.



sexta-feira, 9 de abril de 2021

Aula 5 - As Instituições como Marco Analítico da História Econômica

 Nesta aula abordamos fundamentalmente os elementos teóricos da Escola Histórica Alemã, Escola Institucionalista (Thorstein Veblen), Nova Economia Institucional (Douglass North) e Nova História Econômica Comparada (Daron Acemoglu e James Robinson).



Comentários sobre as Contas Públicas 2020 do Governo do Pará

 Compartilho um breve comentário sobre o Relatório de Desempenho das contas públicas do Governo do Estado do Pará referente ao exercício de 2020. Aproveite e se inscreva no canal do YouTube Professor Eduardo Costa.



quinta-feira, 8 de abril de 2021

Aula 4 - A História Econômica como disciplina acadêmica: origens e principais correntes (Parte I)

 Nesta aula, além do surgimento da História Econômica como disciplina, são abordados os fundamentos teóricos analíticos das escolas: Neoclássica, Nova História Econômica (Cliometria), Annales e Marxista.

Na próxima (Aula 5) apresentaremos aspectos gerais do bloco institucionalista: Escola Histórica Alemã, Escola Institucionalista Americana, Nova Economia Institucional e Nova História Econômica Comparada. 

Se inscreva no canal Professor Eduardo Costa para receber as notificações das próximas aulas e dos materiais produzidos. 



Aula 3 - O que é a história econômica?

 Após na aula anterior apresentarmos a diferença entre história e historiografia, nesta aula do curso História Econômica Geral apresentamos o conceito, abrangência e origem da disciplina história econômica.

Aproveite para se inscrever no canal Professor Eduardo Costa e ativar as notificações para ser avisado sempre que uma nova aula ou material for disponibilizado. 



Aula 2 - O Conceito de História e Historiografia

 Você sabe qual é a diferença entre história econômica e historiografia econômica? 


Esse é um ponto central para quem está se aventurando no estudo da história econômica e é o tema de nossa segunda aula da disciplina História Econômica Geral. Assista a aula, deixe o seu comentário e se inscreva no canal Professor Eduardo Costa para ser notificados sobre as próximas aulas e materiais disponibilizados. 

quarta-feira, 31 de março de 2021

ATENÇÃO ALUNOS DO ENSINO MÉDIO: DESAFIO QUERO SER ECONOMISTA

 

Vem aí à edição 2021 do Desafio Quero Ser Economista, um game online realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon). O Desafio Quero ser economista é uma competição sobre conceitos básicos da Ciência Econômica destinado exclusivamente a estudantes de Ensino Médio.

As inscrições ocorrem de 5 de abril a 3 de maio de 2021 pelo site desafioquerosereconomista.org.br. Basta ter acesso à internet para participar do game, que será disputado de 3 a 28 de maio. Além de muito conhecimento, os vencedores ganham prêmios em dinheiro. O primeiro lugar receberá R$ 2 mil; o segundo, R$ 1,5 mil; e o terceiro, R$ 1 mil.

O jogo é disputado em um ambiente online, onde os participantes respondem a enigmas, assistem a vídeos interativos e são desafiados a cumprir missões, tudo de uma forma divertida, simples e dinâmica. Assim, o estudante tem a oportunidade de conhecer melhor as escolas de pensamento econômico, os economistas históricos e diversos conceitos básicos da Economia.

Mais informações em desafioquerosereconomista.org.br, no Facebook em @querosereconomista e no Instagram no perfil @querosereconomista_

terça-feira, 30 de março de 2021

INDÍGENAS, AMAZÔNIA E INTERESSES INTERNACIONAIS

 A notícia de que determinada associação de indígenas tutelada por ONGs ambientalistas está pedindo intervenção do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na Amazônia é de um lado inquietante e de outro jocosa. Inquietante, pois sabemos que no contexto geopolítico mundial a real preocupação de muitas nações não é verdadeiramente com a situação dos povos indígenas, mas com a real possibilidade de exploração da ainda não totalmente inventariada riqueza em recursos naturais existentes na região. Os indígenas, como sempre, são apenas o pretexto. Inocentes úteis nas mãos de interesses econômicos maiores. A ironia decorre do pedido de ajuda para um país que dizimou tragicamente os seus povos originários com a erradicação dos indígenas se constituindo em uma política estimulada pelo Estado. O que eles têm a nos ensinar?

Neste episódio é importante entender o conteúdo da manifestação destes legítimos amazônidas e ver de que forma políticas públicas podem se melhor alinhavadas para a garantia de seus direitos fundamentais. É preciso ouvi-los em seu clamor e entender as suas reivindicações. Contudo, não podemos permitir que ONGs patrocinadas por interesses internacionais velados manipulem os povos originários da região como apenas mais um joguete em suas mãos para fins nada explícitos. 

segunda-feira, 29 de março de 2021

Incentivos fiscais outorgados (ABDF)

 Assista ao painel “A federação brasileira e os incentivos fiscais outorgados pelos entes tributantes” na íntegra no canal da ABDF no YouTube. O conteúdo fez parte do V Congresso Internacional de Direito Tributário do Rio de Janeiro.

Link para o vídeo: 


https://lnkd.in/ezEVVDU

Aula 1 - A Importância da Disciplina História Econômica Geral

 


Compartilho a primeira aula da disciplina História Econômica Geral. Ao longo do semestre irei disponibilizar a cada semana duas novas aulas no canal do YouTube Professor Eduardo Costa. Se tiver interesse em acompanhar o conteúdo do curso e outros sobre economia se inscreva no canal.

Link da aula: https://www.youtube.com/watch?v=kkVYrzyg8vE

quinta-feira, 25 de março de 2021

As finanças públicas e o grande desafio do município 4.0 por Geraldo Biasoto Junior e Murilo Ferreira Viana publicado por NEXO (3/2021)

 “Com a pandemia, a transformação digital se acelerou em ritmo muito elevado. Cabe ao setor público, especialmente aos governos locais, acompanhar esse processo

Nas últimas duas décadas, o avanço das tecnologias de informação e comunicação transformou de forma profunda as sociedades, as empresas e a economia. Efeito que será intensificado com a generalização do uso de big data e da inteligência artificial, que já ocorre e aumentará de forma exponencial nos próximos anos. Ainda assim, vivemos problemas típicos do século 19, como a não provisão adequada de saneamento básico em municípios brasileiros, o que pode nos fazer perder o bonde da história quando se trata de implementar políticas de transformação digital no setor público…”


Gestão fiscal e federativa no Brasil por IBDF (2021)

 28º encontro da Mesa de Debates sobre Direito Financeiro do IBDF Tema da semana: Gestão fiscal e federativa no Brasil Participantes: José Roberto R. Afonso, Leonardo Ribeiro e Laís Khaled Porto.



CONFERÊNCIA “QUAL O PAPEL DO CRISTÃO DIANTE DO GOVERNO E DA POLÍTICA?”

 

Nesta próxima segunda-feira (29/03) o Instituto Aviva Brasil realizará o lançamento do seu II Círculo de Leitura do Eixo Governo e Política. Na ocasião termos o privilégio de contar com a conferência que será ministrada por Marcelo Safraid, fundador e presidente do Centro Cultural Civitas, uma ONG que atua com ênfase em projetos sociais a partir da Cosmovisão Bíblica. O evento ocorrerá a partir das 21h na plataforma Google Meet. Interessados em participar favor enviar mensagem para o correio eletrônico: ejmcosta@gmail.com



sexta-feira, 12 de março de 2021

ESGARÇAMENTO INSTITUCIONAL DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO: EM NOTA TRF4 EXPRESSA A SUA CONTRARIEDADE SOBRE DECISÃO DO STF

 

De forma incomum o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), que conduziu o processo de condenação do ex-presidente Lula em segunda instância, emitiu uma forte e incontroversa nota pública que expressa publicamente o processo de esgarçamento institucional dentro da justiça brasileira.

Pode, aos olhos dos menos versados, parecer um fato de menor importância. Porém, uma nota de um Tribunal, que certamente foi ratificada por seu colegiado, expõe a contrariedade pública de magistrados de carreira, desembargadores (que ocupam os seus cargos meritocraticamente), ante a decisão monocrática de um membro do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado como de praxe para esta corte, politicamente, portanto sem o devido concurso público.

A nota não avança em maiores comentários, posto, inclusive, isto não ser permitido pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Aliás, os únicos que descumprem o rito jurídico de não se manifestarem fora dos autos são os “deuses” do STF, que opinam publicamente de forma constante, inclusive politicamente.

Com esta nota o TRF4 reafirma a legalidade processual que levou a condenação do ex-presidente Lula e expõe o esgarçamento da institucionalidade jurídica brasileira, patrocinado pelas decisões inconstitucionais do próprio STD, órgão que deveria zelar pelo cumprimento da nossa Carta de Direitos (sic).

A seguir compartilho a nota do TRF4 na íntegra. Para bom entendedor resta, nas entrelinhas, claro o recado dado ao STF, mas, sobretudo, a população brasileira.

 

Nota oficial – TRF4

 

Em atenção aos preceitos contidos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a Justiça Federal de primeiro e de segundo graus da 4ª Região observa o dever de não manifestar opinião sobre processos pendentes, nem juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de quaisquer órgãos judiciais.

Atento a esse dever e em função do noticiário acerca de recentes julgamentos envolvendo a denominada Operação Lava Jato, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região vem a público para prestar os seguintes esclarecimentos:

a) todas as questões relativas ao caso que aportam no Tribunal são decididas à luz da ordem jurídica, tomam por base os elementos de comprovação a ele pertinentes, prestigiam a jurisprudência aplicável à espécie e levam em consideração os argumentos expendidos pelos representantes das partes envolvidas;

b) todos os julgamentos, jurisdicionais ou administrativos, seguem o devido processo legal e atendem o dever de fundamentação/motivação das decisões judiciais, assim como observam os princípios da colegialidade e da livre apreciação das provas e o predicado da independência da magistratura;

c) em face do direito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e os recursos a ela inerentes, as partes interessadas têm a possibilidade de submeter as decisões deste Tribunal ao escrutínio dos Tribunais e Conselhos superiores.

Para acesso a nota no sitio eletrônico do TRF4: https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=pagina_visualizar&id_pagina=2149

GILMAR MENDES X SÉRGIO MORO: SOMOS TODOS OTÁRIOS

             Parte da população brasileira, em especial aqueles que lutaram nos últimos anos contra a cleptocracia (expressa pela corrupção sistêmica que assola drasticamente a nação), aguarda com muita preocupação o desdobramento do voto do ministro Gilmar Mendes (STF) com relação ao habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, que pede a nulidade das suas condenações, sob alegação de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.

Muitos não perceberam que quem está na verdadeiramente na “berlinda” não é Sérgio Moro, mas toda a Força Tarefa da Operação Lava Jato, que apresentou centenas de denúncias e levou a condenação mais de 200 criminosos que desviaram bilhões de reais em recursos públicos. Se Gilmar Mendes deferir a suspeição de Sérgio Moro irá, ao mesmo tempo, afirmar que as dezenas de pessoas envolvidas nas investigações, nas apurações das denúncias e nos julgamentos, atuaram movidas por uma parcialidade nada republicana. Ou seja, condenar Sérgio Moro é condenar todos os policiais federais, procuradores do Ministério Público Federal, procuradores da república, magistrados, desembargadores e ministros (STJ) que investigaram, instruíram, acusaram, julgaram e condenaram os réus em várias instâncias.

É isso mesmo. O que está em julgamento não é a simples nulidade do processo no qual o Lula foi condenado. É toda uma institucionalidade que reagiu a cleptocracia sistêmica brasileira e que disse BASTA DE CORRUPÇÃO. Uma institucionalidade que deu a esperança para milhões de que o Brasil poderia mudar a sua trajetória de subdesenvolvimento, sempre ancorara em interesses nada republicanos de determinados grupos políticos e econômicos; que, em conluio, saquearam, e continuam saqueando, a nação brasileira.

Lamento profundamente que alguns tenham festejado a decisão recente do ministro Edson Fachin (STF) – alguns inclusive com certo nível de compreensão de fatos públicos, posto devidamente letrados. Ver determinadas manifestações, de quem foi e continua sendo permissivo com a corrupção, ou se comporta apenas como um “inocente útil” (que se permite ser ideologicamente manipulado), me causou profundo desgosto, tristeza e náuseas.

Para estes, o projeto de poder de seus grupos políticos e de seus partidos está sempre acima dos interesses mais gerais da sociedade. Projeto de sociedade? Jamais! O que conta sempre é, maquiavelicamente, os seus projetos de poder, valendo para isso qualquer tipo de prática, mecanismo ou aliança, ignorando-se a ética, a civilidade, a res pública e a probidade.

Ao festejarem a anulação da condenação de um irrefragável condenado, com mais de um milhar em provas acusatórias, dão um “murro na cara” do cidadão honesto, probo e ético. Claramente não se importam com a corrupção, desde que o seu grupo político esteja no poder. Pelo contrário, flertam com a corrupção, pois a mesma faz parte de um mecanismo que não só os conduziu, mas também estabelece as bases para a sua recondução e perpetuação no poder, consolidando uma “fétida república das ratazanas”.

Neste jogo político, marcado pelos nossos “ismos” do subdesenvolvimento e do atraso (personalismo, individualismo, populismo, patrimonialismo...), promovem atos de culto e idolatria a personagens claramente destituídos de caráter e valores. Constroem, para isso, num jogo ideológico eivado de uma retórica, com narrativas falseadas que produzem em muitos o mesmo encanto que levou os ratos ao suicídio no famoso conto dos irmãos Grimm, o Flautista de Hamelin.

É nesse contexto que determinar a suspeição de Sérgio Moro não é somente “libertar” o Lula. É declarar a nulidade de atos jurídicos convalidados por dezenas de magistrados nas três instâncias judiciais (a condenação de Lula por Sérgio Moro foi convalidada por juízes da primeira instância, desembargadores do TRF, ministros do STJ e, inclusive, ministros do STF).

É declarar a suspeição e nulidade de centenas de condenações, num “trem da alegria” da cleptocracia brasileira. Uma declaração pública de que o crime de corrução compensa no Brasil porque as instituições republicanas do país são, não somente coniventes, mas, inclusive, cúmplices.

É chamar quem lutou contra a corrupção nos últimos anos, foi para a rua e fez a sua parte de otários. Desculpem-me pela forte afirmação com que termino esta reflexão. Mas este é o único sentimento que tenho pelo momento, um sentimento de que somos todos otários! 

quinta-feira, 11 de março de 2021

BATE PAPO COM PR. RAWLINSON RAGEL SOBRE COSMOVISÃO BÍBLICA – PAPO DE FUSCA

 

Em 2018 tive o privilégio de participar do curso “Fundamentos de Cosmovisão Bíblica, Governo e Política” ministrada pelo Pr. Rawlison Rangel na Base Alcance Amazônico da JOCUM em Barcarena, estado do Pará (Amazônia).

Na volta, para Belém, aproveitando um agradável passeio de fusca, tivemos a ideia de gravar um bate-papo sobre Cosmovisão Bíblica. Acho que ficou bem legal.

É, também, um aperitivo para o curso que ele irá ministrar no mês de abril de 2021, pelo Instituto Aviva Brasil, de forma remota.

Convido todos a assistirem a nossa conversa.

https://www.youtube.com/watch?v=klj5pMgUa7c

terça-feira, 9 de março de 2021

O SUPREMO EXCRETA, O CONGRESSO FESTEJA, O EXECUTIVO SE CALA, OS RATOS FESTEJAM E O POVO...

 

Alguém tinha dúvidas que o ministro Gilmar Mendes (STF) iria votar pela suspeição de Sérgio Moro e em favor de Lula? Qualquer pessoa um pouco mais antenada já sabia de antemão qual seria o voto. Restava somente acompanhar a ginástica retórica e o jogo de hermenêutica eivado de proselitismo jurídico para justificar o injustificável. Infelizmente, como não possuo imunidade parlamentar não posso emitir publicamente, neste momento, a minha opinião sobre o STF sob o risco de receber sansões judiciais. Porém, assistir ao voto do senhor ministro em tela no dia de hoje foi um exercício de embrulhar o estomago, que comprimiu um pouco mais uma alma já angustiada. Alma de quem um dia sonhou com um Brasil longe da corrupção sistêmica e que seria possível pela boa política alcançar uma nova trajetória como sociedade.

Mais uma vez, como já enfatizou o seu colega de Corte, ministro Luiz Roberto Barroso, o voto de Gilmar Mendes foi eivado de ódio e rancor. A cada sentença uma adjetivação. A cada adjetivação a manifestação de sentimentos nada republicanos dando voz a alguns que operaram sorrateiramente nos bastidores de Brasília. A vingança dos canalhas chega, constrangendo instituições, rasgando a Constituição, rompendo com ritos jurídicos consagrados, constrangendo publicamente aqueles que ousaram se levantar na luta contra a corrupção, invertendo valores, consagrando a ilicitude e atacando quem ousa se levantar contra o status quo.

Resta concluir que os “ratos da república” a cada dia ganham mais força. Sobretudo, porque na condução da Câmara dos Deputados hoje está alguém que comemora publicamente o retrocesso ao combate à corrupção. Aliás, como réu na Lava Jato e ancorado no apoio Palaciano, num jogo de governabilidade, Lira representa hoje o tal do “Centrão”, aquilo que há de mais promíscuo na política brasileira. Criticavam o Rodrigo Maia (DEM)? O Arthur Lira (PP) mostrou que pior do que está é sempre possível ficar, desde que haja conivência e acordão nos bastidores. Hoje o Supremo excreta, o Congresso festeja, Executivo se cala, os ratos festejam e o povo...

Mais um dia se passou na fétida República Federativa do Brasil.

AS RATASANAS DA REPÚBLICA COMEMORAM

 

A anulação das condenações de Lula pelo ministro Edson Fachin do STF (Supremo Tribunal Federal), em uma decisão monocrática, só reafirma o fato de que estamos vivendo um período de acelerado retrocesso no combate à corrução no Brasil. Enquanto muitos brigam pelos seus "políticos de estimação", num jogo ideológico que só interessa para quem está polarizando o debate, o acordão feito nos bastidores de Brasília vem sendo operacionalizado rapidamente dia após dia. Hoje as "ratasanas da República" estão em festa, principalmente por mais um precedente que foi aberto para o "trem da alegria" da corrupção.

Enquanto a população brasileira deixar ser usada e manipulada, e enquanto existirem "inocentes úteis" nas mãos de políticos inescrupulosos, o Brasil continuará em sua triste e trágica trajetória de subdesenvolvimento. Triste o país no qual pessoas ainda são idolatradas e colocadas acima daquilo que é correto, do que é ético e do que é moral.