A
desigualdade regional brasileira está expressa cabalmente no Orçamento Geral da
União quando o assunto é recursos destinados à pesquisa. Do total 89,2% estão
concentrados no Sul e Sudeste do país; 6,3% no Nordeste; 3,4% no Centro-Oeste;
e apenas 1,1% na Região Norte do Brasil. Assim, a Amazônia permanece no centro
dos interesses internacionais e na periferia do interesse do Brasil.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Boletim da Indústria Paraense 2014
Divulgo para conhecimento o link do Boletim da Indústria
Paraense 2014 elaborado pela FAPESPA: http://www.fapespa.pa.gov.br/sites/default/files/Boletim_da_Industria_Paraense%202014.pdf
A
análise, realizada por meio da diretoria de Estudo e Pesquisa Socioeconômica e
Análise Conjuntural da Fundação, apresenta os principais resultados do setor,
com base nas informações da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pelo
estudo o estado do Pará alcançou o maior desempenho no setor industrial entre
os estados brasileiros em 2014.
Em
2014 a produção física industrial do Pará cresceu 8,1%, em relação ao ano de
2013, variação percentual que superou o obtido a nível nacional, que encerrou o
ano com retração de 3,2%. A indústria paraense obteve, inclusive, variação
oposta à alcançada nos últimos dois anos, quando foram registradas variações
negativas de 1,6% , em 2013 e 2%, em 2012.
No
primeiro semestre de 2014, a indústria apresentou crescimento superior ao do
ano anterior, principalmente nos meses de abril e maio, período de bom
desempenho dos setores de alimentos e bebidas influenciados por datas
comemorativas e que antecedem as férias de julho.
O
desempenho positivo da Indústria paraense foi impulsionado pela indústria
Extrativa Mineral, que encerrou o ano em 10,7%, influenciada principalmente
pela extração de minério de ferro, que em 2014 em relação a 2013, apresentou
crescimento da quantidade exportada pelo Pará de 3%. Apesar dos resultados
positivos nos outros setores, o da Indústria de Transformação vem apresentando
retração na atividade produtiva ao longo dos últimos quatro anos e em 2014
apresentou, novamente, resultado negativo.
Além
do Pará, os estados do Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás e Pernambuco também
alcançaram resultado positivo no ano passado.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Transposição das águas do Rio Amazonas
Algumas
semanas atrás, com as notícias sobre o estado crítico de abastecimento de água
no Sudeste, brinquei com alguns amigos de que não tardaria para alguém propor a
transposição das águas do Rio Amazonas para o Sudeste brasileiro. Fiz uma
brincadeira em tom de ironia frente ao perverso pacto federativo que a
federação brasileira vem impondo a Amazônia como um todo e ao Pará em especial.
Tenho ironizado que o Pará foi convidado para entrar no “Jogo do Perde-Perde”.
Em todas as ações o estado do Pará sempre resta prejudicado. Perde com a Lei
Kandir, perde com a ilógica lógica de cobrança do ICMS da energia no estado de
consumo, perde com os pesados ônus das mitigações dos impactos sociais e
ambientais dos grandes projetos, perde ao ser tratado apenas como corredor de
exportação, perde quando as ações são pensadas somente NA Amazônia e não PARA
os amazônidas, pede com o contingenciamento das emendas parlamentares da
região. Perde, perde, perde...
Há
muito tempo o Pará entrou no “Jogo do Perde-Perde” diante do restante da federação
brasileira. Em todas as ações propostas somente perdemos. Ao império o bônus, a
colônia o ônus.
Para
espanto da população paraense o que parecia algo absurdo virou uma proposta
concreta diante deste pacto federativo lesivo. Não podemos mais tolerar estes
tipo de comportamento federativo. Tratam-nos sempre como “almoxarifado” do
desenvolvimento alheio, fomentam um modelo econômico excludente do ponto de
vista social, e deixam para os heróis que habitam esta região os significativos
e pesados ônus das mitigações dos impactos sociais e ambientais dos grandes
projetos. Não podemos ser eternamente tratados como colônia de exploração do
Império Brasileiro.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Boletim do Comércio Exterior Paraense em 2014
Informo
o link de acesso ao Boletim do Comércio Exterior Paraense em 2014 elaborado
pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa): http://issuu.com/ascomfapespa/docs/boletim_com__rcio_exterior_paraense?e=5229001/11272494
No
acumulado de 2014, o Pará registrou saldo de US$ 13,293 bilhões, enquanto que a
balança comercial mineira alcançou o saldo de US$ 18,319 bilhões. Embora o
resultado seja positivo, o saldo paraense foi 9,82% menor do que no ano
anterior, quando o superávit comercial do estado encerrou o período em US$
14,741 bilhões.
Considerando
a balança comercial dos municípios, Parauapebas foi o que se destacou na
quantidade de exportação no ano passado, quando obteve o maior valor exportado,
principalmente do minério de ferro, atingindo a cota de US$ 7,619 bilhões, o
que representou 53,43% do total das exportações do estado. Este resultado
colocou o município na posição de maior exportador brasileiro e com maior
superávit do Brasil em 2014.
No
entanto, devido à redução do valor das exportações do minério de ferro, houve
uma queda no total das exportações do estado, em relação ao ano de 2013. O desaquecimento da economia mundial,
associado ao aumento do estoque global de aço, depreciou o preço da commodity
mineral. A queda do valor exportado pelo estado só não foi maior, devido ao
aumento das exportações do minério de cobre, o da alumina calcinada, que variam
positivamente 2% e 36%, respectivamente.
Para
transações comerciais, o Pará tem como parceiros o Japão, a Alemanha e a China,
sendo este último, o país que mais demandou exportações paraenses em 2014,
acumulando um total de US$ 4,709 bilhões, correspondendo a 33% de participação
da pauta exportadora do estado.
Contudo,
as exportações destinadas ao país asiático encerraram 2014 com redução de
14,51%, sendo o minério de ferro o produto de maior influência na queda das
exportações para a China, uma vez que representou diminuição de 16,28% do valor
da commodity, em comparação com 2013.
A
análise do boletim elaborado pela Fapespa aborda o comportamento do saldo da
balança comercial do estado, levando em consideração as relações comerciais do
Pará com os países de destino e de origem, os produtos exportados e importados.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Boletim do Mercado de Trabalho 2014 – FAPESPA
Informo que na última quinta-feira a FAPESPA
divulgou o Boletim do Mercado de Trabalho 2014 que apontou a dinâmica do
emprego na economia paraense. Para acesso ao documento basta acessar o link: http://www.fapespa.pa.gov.br/sites/default/files/Boletim_Mercado_de_Trabalho_2014.pdf
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Governo do Pará cria hoje o Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado do Pará
Em
reunião que acontecerá hoje às 15h na Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Econômico, Minas e Energia (SEDEME), será instalado o Conselho de
Desenvolvimento Econômico do Estado do Pará (CDE), órgão colegiado estratégico
que irá definir as diretrizes estratégicas para o desenvolvimento do nosso
estado.
Ao
lado da retomada da lógica do planejamento e da governança colegiada de gestão,
o CDE passará a ter papel central na definição das políticas prioritárias de
governo.
Participam
da reunião de hoje: SEDEME, SEDAP, SECTET, SETUR, SEPLAN e FAPESPA.
Relatório Focus relata inflação sem controle
O
Relatório Focus divulgado no dia de ontem pelo Banco Central apresenta mais
elementos preocupantes sobre o cenário econômico brasileiro em 2015. Impulsionado
pela previsão de alta em preços controlados (combustíveis, água e energia) o
relatório prevê uma inflação acima do teto da meta de inflação que é de 6,5%
a.a. A previsão do Banco Central é de uma inflação superior a 7% a.a. podendo
chegar a 8%.
Na Região
Metropolitana de Belém, que vem apresentando historicamente maior índice de carestia,
a FAPESPA, por meio do seu IPC, estima que a inflação seja superior a 9%. Conforme
o Boletim IPC/FAPESPA 2014, a inflação acumulada na RMB ano passado foi de
9,91%.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Joquim Levy e o aperto fiscal
O
Ministro da Fazenda Joaquim Levy vem se consolidando como o “homem forte” do
segundo governo Dilma. Está sendo para a Dilma o que Antônio Palocci foi para o
Lula em seu primeiro governo.
Economista
tecnicamente bem formado, Levy vem anunciando paulatinamente uma trajetória de
ajuste fiscal recessivo a frente da fazenda nacional. Se já não bastasse o
aumento da arrecadação tributária em torno de R$ 20 bilhões, o ministro está
pessoalmente se dedicando a um processo de corte de gastos dos ministérios que
beiram os R$ 65 bilhões.
Semana
passada o FMI baixou a previsão de crescimento do Brasil para 0,3% do PIB. No
início desta semana já há analistas prevendo retração de nossa economia.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O cenário macroeconômico 2015: um cenário de pífio crescimento econômico
O
cenário da macroeconomia brasileira para o ano de 2015 vem se demonstrando
bastante preocupante. O ano que ainda está em seu início traz em si um passivo
de 2014 que envolve, dentre outros elementos, estagnação econômica, aceleração
inflacionária, aumento das taxas de juros, aumento das incertezas dos
empresários, retração dos investimentos, escândalos de corrupção e crescente
descrédito com o governo federal.
Se
isso não basta-se para delinear um ambiente macroeconômico adverso, este início
de ano traz consigo: aumento da carga tributária, previsão de aumento do preço
dos combustíveis e da energia elétrica, aumento da taxa SELIC pelo COPOM e
piora das expectativas do setor empresarias ante ao cenário posto.
Em
temos de política macroeconômica o que temos observado é a adoção premeditada
de ajustes fiscais e monetários recessivos. Ao lado disto, infelizmente a
qualidade do gasto público, a transparência, a probidade e a tríade eficiência,
eficácia e efetividade das políticas públicas, e a construção de um Projeto de
Nação parecem variáveis exógenas na agenda do governo federal.
São estes fatores que
explicam com bastante clareza o porquê de o FMI ter revisto a previsão de
crescimento para a economia brasileira em 2015 para pífios 0,3% do PIB.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Seleção para o Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Econômico na Unicamp
Estão abertas as inscrições para o Mestrado e
Doutorado em Desenvolvimento Econômico na Unicamp no âmbito do Processo
Seletivo da Pós-Graduação de 2015 da instituição. O período de inscrições será
de 15/8 a 15/9/2014 e o Edital do Processo Seletivo para candidatos nacionais,
e para candidatos estrangeiros, está disponível na Página do IE:
http://www3.eco.unicamp.br/posgraduacao/
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) os Brasileiros com renda menor pagam 53% dos impostos
Levantamento
recente do IBPT mostra que apesar da queixa da classe média brasileira são os
pobres os que pagam a maior fatia do bolo tributário do país. De acordo com o
levantamento os brasileiros segundo faixa salarial pagam a seguinte fatia do
bolo tributário: até 3 salários mínimos (SM), 53%; de 3 a 5 SM, 12,65%; de 5 a
10 SM, 16,63%; de 10 a 20 SM, 9,63%; mais de 20 SM, 7,3%.
Este
fato acontece devido ao sistema tributário do país ser altamente regressivo.
Obs.: A pesquisa do IBPT foi feita com base no
Censo 2010 e na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
terça-feira, 15 de abril de 2014
Comunicação política e comunicação de governo numa sociedade de massas
Por Juliano
Corbellini – Publicado originalmente em Política para Políticos em 11/03/2014
Não é novidade a consideração de que a
política, no mundo contemporâneo, passou por uma metamorfose no sentido de sua
“midiatização”. O sentido da palavra “midiatização”, entretanto, na maioria das
vezes não é compreendido com a abrangência devida.
O processo de “midiatização” significa
muito mais do que a ocupação de espaços de propaganda nos veículos de
comunicação. Antes disso, significa “mediar” (mídia = “media” (ingl.);
midiatização= “mediatizzazione” (it.)), ou seja, “passar do (im)ediato ao
“mediato”, do contato direto a representação substitutiva do evento político”.
Numa sociedade de massas, o processo
de comunicação através da mídia de massa “media” o contato dos cidadãos com
eventos com os quais eles não têm contato direto e imediato. Assim, pode-se
dizer que um governo “acontece” em dois planos: o plano “imediato” naquele em
que os cidadãos vêem a obra e percebem diretamente os seus benefícios; e o
plano “mediato”, que é a “representação substitutiva” da obra ou do evento
político.
O segundo plano dificilmente se
sustenta artificialmente sem o primeiro. Mas o primeiro plano se dissipa e se
dissolve sem o segundo. Os governantes, que vivem no mundo “imediato”, lutam
sempre contra o risco de uma visão distorcida sobre o seu próprio governo. Eles
vêem o governo que “realmente acontece”, mas não necessariamente o governo que
é percebido de maneira mediatizada pelos cidadãos.
O processo de “mediatização” de um
governo, através do qual ele acontece nesse segundo plano que é decisivo para o
seu acumulo de capital político, significa essencialmente vencer a batalha pela
conquista da visibilidade. A frase também parece óbvia, mas talvez não o seja
tanto em seu significado, e nas dificuldades que ela implica. A conquista da
“visibilidade política” não se reduz a uma visibilidade de tipo “expositiva”.
Assim o fosse, bastaria novamente
empilhar obras em anuncios pagos nos meios de comunicação. A conquista da
“visibilidade política” para um governo (assim como em uma campanha) significa
a vitória numa batalha em que se precisa “explicar eventos políticos,
justificar ações políticas, afirmar uma identidade política, pautar e
estruturar o debate político”.
Trata-se de uma visibilidade
representativa de determinados valores e conteúdos. Por exemplo, quando eu digo
“abri um posto de saúde”, eu estou “expondo” um evento político. Quando eu digo
“abri um posto de saúde porque minha prioridade é a agenda social”, estou
explicando, justificando, firmando uma identidade, pautando os meus adversários
para um debate que me favorece.
Obras e realizações administrativas
legitimam e são a base necessária de um processo de comunicação de governo, mas
não são entretanto condição suficiente para vencer a batalha da visibilidade.
Um segundo aspecto da batalha pela
visibilidade é o que se chama “geometria da visibilidade”. O êxito da
visibilidade de um governo, ou seja, o processo de legitimação de uma
informação que é “mediata”, não depende só da competência publicitária e
estratégica de suas ações de mídia.
O governo não é o único “agente” nesse
processo. Existem outros dois agentes fundamentais para dar credibilidade a
essa informação: a imprensa, que também “media” o governo ao reproduzir
noticias e emitir opiniões sobre o governo, e a própria comunidade, que ao
“falar” (bem ou mal) sobre o governo também age como “formadora de opinião”
(aliás, as vertentes mais modernas da sociologia política não falam só em “um
grupo” de formadores de opinião, mas em “grupos” formadores de opinião
existentes em cada estrato social).
Esses dois segmentos sociais possuem
uma importância estratégica primordial, na medida em que a “informação de
governo” possui, a princípio, uma baixa credibilidade, pela razão evidentemente
interessada que a motiva. Assim, a batalha pela visibilidade, pela “percepção mediatizada”
do governo, deve saber operar o tripé mídia publicitária- imprensa- comunidade.
Seu êxito, assim, depende de uma operação sinérgica nessas frentes.
Os desafios da comunicação de governo,
dessa maneira, guardam algumas similitudes com os desafios de comunicação de
campanha: ele precisa ter foco e ser repetitivo para ganhar visibilidade e
fixar conteúdos, e precisa ter uma equação estratégia que faça com que o seu
conjunto de obras e realizações convirjam para afirmar uma identidade sua,
formando uma opinião política na comunidade que preserva e ampliar o seu
capital política.
Todos os princípios estratégicos do “modo de campanha” (manter o foco, dominar
a agenda, fazer do adversário parte de sua estratégia e não o contrário, etc.)
continuam, assim, valendo no “modo de governo”.
As distinções, porém, são também
fundamentais. A população aceita e até exige que o governo mostre realizações,
mas, ao contrário do momento da campanha, está em melhores condições para
“flagrar” a propaganda enganosa ou fictícia.
No momento da campanha, o “diálogo”
fundamental que se estabelece é entre as campanhas adversárias (ou seja, entre
atores todos de baixa credibilidade).
No momento de governo, o “diálogo” que
se estabelece em regra é governo-imprensa-comunidade, um diálogo onde o governo
tem menos credibilidade, mas em compensação pode jogar praticamente sozinho na
administração dos seus recursos. O seu desafio, assim, é jogar o máximo de
virtude nessa administração de recursos.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Reflexões sobre a atividade mineral no Pará (Parte IV)
A principal preocupação com o ciclo mineral é que ele é finito. Uma hora
vai acabar. Isto significa que nós paraenses e amazônidas ainda não aprendemos
com os erros da nossa história. Há cem anos foi o ocaso da borracha, que após
gerar a belle époque deixou como legado uma economia subdesenvolvida e
deprimida, sem alternativas econômicas e com elevada desigualdade social, ao
contrário do café em São Paulo que foi o elemento indutor do processo de industrialização
do país. Cem anos após a história tragicamente se repete e atividade mineral no
estado não está conseguindo induzir um efetivo processo endógeno de
desenvolvimento. A nossa esperança é que este plano que está sendo lançado pelo
Governo do Estado enfrente decisivamente estes desafios postos em nossa agenda
como sociedade.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Reflexões sobre a atividade mineral no Pará (Parte III)
A mineração é uma atividade dita capital intensiva. Ou seja, o número de
empregos diretos e indiretos gerados, dado o montante de investimento, é
diminuto. Ademais, são empregos qualificados, que boa parte da nossa população
não está qualificada para assumir. Ao lado disto observa-se a ausência de
condicionantes sociais mais bem pactuados, pouco retorno financeiro para o
estado e municípios para promoverem políticas sociais, estando entre elas a
educação com a formação de mão de obra qualificada, falta de verticalização da
produção e ausência de mecanismos indutores da diversificação da base econômica
do estado. Este quadro é alarmante, pois apesar da mineração responder por mais
de 30% do PIB estadual e 80% das exportações, responde proporcionalmente por
uma parcela diminuta de empregos gerados. Este é um dos fatores que condicionam
grande parte da nossa população a continuarem numa situação de exclusão e
pobreza, a margem, portanto, da sociedade.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Reflexões sobre a atividade mineral no Pará (Parte II)
A agenda mineral no Pará é complexa e desafiadora. Precisamos começar
repactuando os condicionantes socioambientais dos empreendimentos. Neste ponto,
a presença do nível estadual no processo de licenciamento dos projetos é
importante. Ao lado disto precisamos rever a isenção de cobrança de ICMS nas
exportações minerais. Trata-se de um bem da União, portanto da sociedade, e as
empresas não podem deixar de contribuir com a capacidade de promoção de
políticas públicas mitigatórias sobre as externalidade negativas de seus
empreendimentos. Terceiro, considero fundamental nesta discussão a constituição
de um Fundo Regional de Exaustão, para que após o ciclo mineral, haja mecanismos
financeiros em condições de manter o dinamismo econômico da região através do
incentivo à diversificação da base econômica. Quarto, os empreendimentos
mineradores não podem atuar como plataformas de exploração/exportação
destituídas de hinterlândia. Neste ponto, estes empreendimentos precisam
funcionar como efetivos elementos indutores do desenvolvimento regional e
estadual. Neste ponto fica uma observação que considero fundamental. Qualquer
plano sério para o setor mineral precisa ir além da mineração, estabelecendo, é
bom repisar, mecanismos de verticalização da produção e indução da
diversificação da base econômica do estado. Hoje o Pará é excessivamente dependente
do setor mineral. E isto é um problema que precisa ser encarado.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Reflexões sobre a atividade mineral no Pará (Parte I)
A atividade mineral da forma como atualmente alicerçada no estado do
Pará ainda é um enclave. Gera poucos efeitos multiplicadores para o restante da
economia regional, não incentiva a verticalização da produção e a
diversificação da base econômica do estado, funciona como elemento indutor de
migração de mão de obra com baixa empregabilidade para o seu entorno, além de
não contribui para a capacidade de promoção de políticas públicas mitigatórias por
deixar poucos impostos para o estado e municípios, principalmente em função da
Lei Kandir. Se isso não bastasse, em paralelo a implantação e operação dos
grandes projetos minerais são notórias: a migração desordenada, o inchaço dos
núcleos urbanos, o crescimento de favelas, o desenvolvimento da economia
informal, o aumento da taxa de criminalidade e a sobrecarga dos serviços
públicos.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O COFECON e a Amazônia
Verdade
seja dita. Uma simples visita ao site oficial do Conselho Federal de Economia
(COFECON) demonstra que a Região Amazônica nunca esteve tão prestigiada pela
entidade. Isto é resultado de intenso trabalho dos Conselhos Regionais de
Economia da Amazônia, dos Conselheiros Federais da Região e do Plenário do
COFECON que está dando a devida atenção para a região. Parabéns ao Presidente Paulo Dantas pela forma como está conduzindo a entidade.
Sitio
eletrônico do COFECON: http://www.cofecon.org.br/
Mais importante que começar bem é terminar bem
Obs.:
Publicado por Francisco Ferraz em 27/02/2014 no sitio eletrônico de Política
para Políticos
Na vida como na política, começar bem é
fácil, difícil é terminar bem.
Neste aspecto, o senso de “timing” é uma das
maiores provas de sabedoria política. É você quem deve decidir quando e como
terminar, com todos os riscos envolvidos numa decisão, que sempre estará
cercada de dúvidas e incertezas.
Se for o contrário, se a iniciativa de
terminar escapar ao seu controle, você perdeu o melhor momento, provavelmente
tentou “segurar” a posição por mais tempo do que era possível, passando assim
um atestado de falta de sensibilidade, oportunidade e lucidez.
Começar bem é fácil. Você ainda não é
conhecido, as pessoas ficam curiosas, querem conhecê-lo, e você pode
apresentar-se a elas sob a sua melhor luz. Além disso, você é a novidade e,
como toda novidade, é notícia, é atração
e corteja o sentimento dos outros de transformar o que é desconhecido em
familiar.
Mais ainda, ao começar você não é julgado
contra expectativas, e comparado com elas. Não há expectativas fixadas que você
precisa corresponder. É você mesmo quem vai, aos poucos, criando e definindo
expectativas, o que deverá levar em conta a sua capacidade de realização.
Por fim, quem começa estimula nos outros uma
disposição para ajudá-lo. As pessoas sentem satisfação em “ensinar”,
“orientar”, “advertir e aconselhar” o novato.
Como se vê, começar, a menos que o indivíduo
se revele um completo desastrado, é relativamente simples, sem maiores riscos,
e conta com poderosos sentimentos favoráveis nos outros para ajudar.
Na política, entretanto, a advertência recai
sobre o ato de terminar e não ao de começar: “Assim sendo, seja cuidadoso com a
forma como você termina as coisas, e dedique muito mais atenção a uma saída
exitosa do que a uma entrada sob aplausos. O que importa não é ser aplaudido
quando se entra – pois isso é comum – e sim o de fazer com que sua falta seja
sentida quando você sai” (Gracián).
Muito raros são aqueles cuja falta é sentida
depois que saem.
A sorte quase nunca companha quem sai, até a
porta de saída.
Ela é cortês para com os que chegam e costuma
ser rude com os que estão de saída...
Lançamento do Plano de Mineração do Estado do Pará 2014-2030
Acontecerá
no próximo dia 14 de abril às 19h00, no Espaço São José Liberto (Praça
Amazonas), o lançamento do Plano de Mineração do Estado do Pará 2014-2030.
Trata-se de um importante avanço institucional realizado pelo Governo do Estado
do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Incentivo
à Produção e da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
A política do Século XXI e a campanha eleitoral
Por Francisco Ferraz
Obs.:
Publicado originalmente em 24/02/2014 no sitio eletrônico de Política para
Políticos
O que se costuma chamar de politica do século
XXI teve início no século XX. Ela resulta das consequências políticas da
revolução nos recursos e veículos de comunicação social ocorrida no século
passado.
A voz humana, o texto escrito e a imagem - os
recursos fundamentais da comunicação entre as pessoas, desde o início dos
tempos - foram sucessivamente transformados pelas inovações tecnológicas,
acarretando mudanças na própria estrutura da sociedade moderna.
A modernização dos equipamentos e veículos de
comunicação seguiu objetivos bem definidos: a velocidade, a miniaturização, a
portabilidade, a multifuncionalidade, a instantaneidade, a redução no custo das
operações e dos equipamentos, e a capacidade de armazenamento e processamento.
Essas mudanças, embora revolucionárias, são
entretanto recentes e em constante e acelerado aperfeiçoamento e renovação. Não
podemos nos esquecer que, no Brasil, a TV surgiu na década de 50, o computador
pessoal nos anos 80 e o telefone celular na década de 1990.
O telefone, a televisão e o computador são os
três pilares tecnológicos que provocaram essa revolução na comunicação e
empurraram a política, e os demais aspectos da vida social, para uma nova era.
O modelo tradicional de fazer campanhas
eleitorais, por exemplo, já foi completamente superado pelas nova tecnologia de
campanha. A opinião e o palpite foram substituídas pelo conhecimento produzido
pelas pesquisas; o conhecimento político, apoiado numa “alegada experiência” de
passadas eleições, foi substituído pela contratação de profissionais
especializados em ciência política e marketing; a assessoria partidária e
familiar do candidato, pelo núcleo constituído pela assessoria em estratégia,
pesquisa e publicidade, associado a quadros partidários e executivos de
confiança do candidato.
Essa revolução nas comunicações produziu
também um novo cidadão, com novas exigências e expectativas ao qual deve
corresponder um novo político.
A linguagem que esse cidadão melhor
compreende é a linguagem da TV. O período de tempo a que a ela estamos
sujeitos, e a freqüência com que a ela nos expomos, impôs essa nova linguagem a
todos nós.
Nossos “receptores” mentais passaram a exigir
uma linguagem direta, clara, visual, concisa e conclusiva, como é a da TV.
Adquirir informações confiáveis, conceber a
estratégia mais adequada e produzir a comunicação do candidato que seja
compreendida, retida na memória e aceita pelo eleitor, tornou-se um desafio
intelectual de grandes proporções. De seu adequado equacionamento vão depender
as próprias condições de competitividade de uma candidatura.
Equivale ao enigma da Esfinge proposto a
Édipo: “Decifra-me ou te devoro”.
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