sábado, 10 de novembro de 2012

O mundo contemporâneo e os fundamentos do verdadeiro cristianismo


Eduardo Costa

Texto de referência: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.” (Mt 7.24,26).

1.  A cultura pós-moderna contemporânea
Vivemos numa era cultural bastante específica da humanidade, a chamada Era da Pós-Modernidade que difundiu, através da globalização e dos meios de comunicação instantâneos, um padrão de vida que passa a ser copiado como paradigma de referência ao redor do mundo.
Neste modelo de comportamento estimula-se o individualismo, o egoísmo, o culto ao estético – cujo um de seus desdobramentos é o culto ao corpo –, e o hedonismo, que se manifesta na busca incessante por prazer. Dizem os especialistas, antropólogos e sociólogos, que o ser humano é um animal social em constante busca por prazer, comportamento este potencializado pelo sistema capitalista que se utiliza deste padrão de comportamento para viabilizar a reprodução do capital em um processo ininterrupto, ampliado e global.
Talvez a principal consequência deste “estilo de vida” se expressa na inversão de valores comportamentais em nossa sociedade. Hoje ter é muito mais importante do que ser. O homem não é mais avaliado pelo seu padrão ético e moral. Mas passa a ser valorizado de acordo com o patrimônio acumulado ou de acordo com a posição social que ocupa.     

2.  A pós-modernidade invade as igrejas cristãs

Lamentavelmente este padrão de comportamento passa a invadir as igrejas cristãs. Em vez do Cristianismo influenciar o mundo – novamente história se repete –, mais uma vez a cultura e o estilo de vida de uma época passam a moldar a igreja e a sua liturgia. O maior exemplo disto é a propagação da Teologia da Prosperidade. Muitas igrejas cristãs passam a dar muito mais importância às bênçãos do que ao Abençoador.
Para muitos a igreja não passa de um mero clube social, com atividades lúdicas que passam a envolver a família, peças, encontros, retiros, passeios, almoços e jantares. É um lugar de pessoas agradáveis. Contudo, lamentavelmente, não passa disto. Querem ser constantemente servidas, mas não estão dispostas a servir, se envolver na obra, arregaçar as mangas. Estão lá somente para receber, receber e receber. Muito pouco ou quase nada têm para dar.
Ao lado disto assistimos a cultos, que enfatizam sobremaneira a manifestação de dons espirituais, nos quais a mensagem da cruz, do arrependimento, do perdão e da necessidade de uma verdadeira conversão some para não desagradar a uma plateia que quer ver o seu ego constantemente “amaciado”. Estão atrás de verdadeiros “espetáculos gospel”, onde se não houver cânticos animados, glossolalia, profecias, manifestações claras, constantes e diárias de prodígios e milagres, o Espírito Santo não se fez presente.
Vivemos uma era da efervescência de um cristianismo deturpado, com sintomas claros de uma nova onda de sincretismo religioso, na qual Aará (Meu Pastor), Adon Hakavod (Rei da Glória), Adonay (Senhor), El-Berit (Deus da Aliança), El Caná (Deus que Cuida), El-Nosse (Deus de Compaixão), El-Ne’eman (Deus de Graça e Misericórdia), El-Olan (Deus da Eternidade), El-Raí (O Deus que tudo vê), El-Sale’i (Deus é a minha rocha, o meu refúgio), El-Sadday (Deus Todo Poderoso), Eloim (Altíssimo), Gibbor (Poderoso), Jeová Jire (Deus de Abrão, Isaque e Jacó), Kadosh (Santo), Mikadiskim (Que nos santifica), Palet (Libertador), Rofecha (Que te sara), passa a ser “servo” de um cristão imaturo, que quer, quer, quer... E para isto profetiza, determina, declara...

3.     Fundamentos do verdadeiro cristianismo

Muitas igrejas distanciaram-se dos fundamentos do verdadeiro cristianismo, aquele vivido pela igreja primitiva e defendido pelos heróis da Reforma Protestante.  A mensagem que deve ser pregada é a mensagem da Cruz, do céu e do inferno, da confissão dos pecados, do arrependimento, da justificação pela fé, da conversão, da busca pela santificação, do serviço, da compaixão e da caridade.
O verdadeiro cristão não deve ser medido pelo sucesso no acúmulo de bens materiais, pela manifestação de dons espirituais ou pela realização de milagres e prodígios, mas sim pelo fruto do Espírito Santo. Como o Apóstolo Paulo escreveu: "Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei." (Gálatas 5:19-23).
O verdadeiro cristão não profetiza, determina, declara, ele se coloca diante do Altar de da vontade do Altíssimo: – Senhor é da tua vontade? O verdadeiro cristão não adora somente em época de bonança. O verdadeiro cristão não deixa de passar por lutas e tribulações, mas ao enfrentá-las faz isto com uma paz de espírito que chega a ser incompreensível aos “olhos mundanos”. O verdadeiro cristão adora ao Senhor em espírito e em verdade, não esperando nada em troca, sem reivindicações, mas com espírito de gratidão pela soberana graça de Deus. O verdadeiro cristão não está em busca de um clube social ou de um “espetáculo gospel”. Está sempre pronto para servir com humildade.
Assim, as portas de completarmos 500 anos da Reforma Protestante creio que precisamos revisitar os seus fundamentos, os cinco solas: Solus Christus (somente Cristo), Soli Deo Gloria (glória somente a Deus), Sola Fide (somente a fé), Sola Gratia (somente a graça), Sola Scriptura (somente a escritura).
Somente assim conseguiremos construir um cristianismo maduro e, como bons ceifeiros, conseguiremos fazer a obra a nós determinada.

É melhor ser inimigo do mundo, mas amigo de Deus!

       Ser cristão não é ser bobinho, ingênuo e sem opinião. Ao contrário, o Cristão deve sempre se posicionar ao lado da ética, da moralidade, da verdade, da honestidade, da probidade. Jamais ele deve abrir mão destes valores em nome da “amizade”, da “moderação”, do “jogo de cintura”, da “política” ou daquilo que vai agradar aos outros. Infelizmente, ao fazer isto muitos se desagradam. Curioso é como a conduta e a postura do verdadeiro cristão passa a incomodar algumas pessoas. Contudo, é muito melhor ser inimigo do mundo e amigo de Deus. Pense!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Retorno às atividades no Conselho Federal de Economia (COFECON)

      É com satisfação que informo que por meio da Portaria No. 34, de 08 de Novembro de 2012, assinado pelo Presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), Econ. Ermes Tadeu Zapelini, eu retomo as minhas atividades normais junto à instituição da qual estava licenciado em função da eleição para vereador. Volto desta forma a integrar as comissões de Educação e de Desenvolvimento Regional, lutando sempre pela valorização da profissão do economista e pelo desenvolvimento de nossa Amazônia. 

O Fim da Guerra Fiscal e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional


Recebi com surpresa a notícia de que em reunião com os governadores no dia de ontem em Brasília o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, lançou a proposta de unificação do valor do ICMS para transações entre estados para em tono de 4%. Hoje os estados praticam a famigerada Guerra Fiscal cobrando alíquotas variáveis entre 7 e 12%.  É preciso ressaltar que a Guerra Fiscal somente ocorre por não haver uma efetiva política nacional de desenvolvimento regional capaz de dar equidade ao desenvolvimento espacial brasileiro.
Outro ponto positivo, que é um anseio daqueles que estudam a temática do desenvolvimento regional, foi o lançamento da proposta de criação de um fundo de desenvolvimento regional que funcionará por 16 anos com recursos da ordem de 24 bilhões de reais oriundos do Orçamento Geral da União e dos bancos oficiais. Este é um tema que já venho defendendo há alguns anos e considero fundamental para amenizar o nosso esgarçamento federativo. Todavia, para as reais necessidades das regiões periféricas do Brasil este valor é extremamente modesto.

Ps. : Ainda sonho em ver seriamente debatido em nível nacional as perdas que o estado do Pará tem com a Lei Kandir e com a cobrança do ICMS de energia no local de consumo.

A questão dos royalties do petróleo


Não há dúvida de que o Pacto Federativo brasileiro está em xeque. A crise das relações federativas se expressam claramente quando há guerra entre os estados da federação pela repartição dos recursos. O estado do Pará já foi vítima deste processo com a Lei Kandir e com a questão do ICMS de energia. Ontem mais um capítulo desta “novela” ganhou as mídias em nível nacional: a repartição dos royalties do petróleo.
Foi aprovado na Câmara Federal o projeto que prevê a repartição por todos os estados da federação dos royalties do petróleo, impondo uma derrota ao Governo Federal e as bancadas dos estados produtores de petróleo.
Muita água vai rolar ainda nesta discussão e não creio que as bancadas dos estados produtores deixarão a Presidente Dilma sancionar a lei sem pressão. É bom dizer que nesta disputa, caso a lei seja aprovada, o estado do Pará e seus municípios, serão beneficiados.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Artigo: Uma ciência, muitas aplicações


Por Luiz Alberto Machado (*)

“Meus estudantes vão prestar mais atenção 
às minhas aulas a partir de agora.”
Alvin Roth

Venho acompanhando, há anos, a redução da procura pelas vagas oferecidas pelos cursos de Economia no Brasil, fenômeno que, aliás, aconteceu anteriormente também nos Estados Unidos e em diversos países da Europa.
Já li e ouvi as mais diferentes explicações para este fenômeno que vão da dificuldade do curso em comparação a outros cursos universitários, passam pelo seu viés excessivamente teórico e macroeconômico, e chegam à baixa empregabilidade que o curso oferece a quem se forma em Ciências Econômicas.
Não considero convincentes quaisquer dessas explicações, embora reconheça que o curso apresenta um grau de dificuldade superior ao de outros cursos de áreas limítrofes, como o de Administração, por exemplo.
Sustento minha posição na extraordinária abrangência oferecida pelo curso de Economia, o que é válido tanto no plano da teoria como no da aplicação prática.
A concessão do Prêmio Nobel de 2012, divulgada no dia 15 de outubro, aos norte-americanos Lloyd Shapley, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Alvin Roth, de Harvard, é apenas mais um reforço ao meu ponto de vista. Suas contribuições no que se convenciona chamar de “teoria da combinação”, uma ramificação da “teoria dos jogos”, permite a utilização de modelos teóricos para associar, com a maior eficiência possível, pares ou grupos de agentes em situações em que há uma falha de mercado, ou, para usar o jargão econômico, “situações em que o mercado não teria um ponto de equilíbrio, onde a oferta e a demanda se cruzam”. Entre os vários exemplos de aplicação desse modelo teórico podem ser citados a escolha mais adequada entre doadores e recebedores de órgãos, a dos homens e mulheres mais indicados para se casarem ou a alocação mais eficiente de estudantes em escolas e hospitais, no caso de residência médica.
Não é qualquer ciência que permite uma aplicação tão ampla de seus modelos teóricos, o que só é possível pela rígida e abrangente formação do economista, que combina teoria econômica, métodos quantitativos e formação histórica.
Shapley e Roth não são pioneiros nesse sentido, pois seguem uma tradição que inclui nomes como, por exemplo, o de Gary Becker, da Universidade de Chicago. Becker, reconhecido como um dos principais especialistas na teoria do capital humano, aplicou modelos econômicos baseados na problemática neoclássica (fundamentada na racionalidade dos indivíduos) para explicar como os agentes econômicos tomam decisões nos mais distintos aspectos. Segundo Becker, para se casar, para se dedicar ao crime, para consumir drogas, para ter filhos, para comprar um eletrodoméstico ou para se divorciar, o indivíduo toma sua decisão comparando racionalmente os custos e os benefícios, tendo em mente a maximização de sua satisfação.
Mais recentemente, Steven Levitt tornou-se mundialmente conhecido por ter escrito, em parceria com Stephen Dubner, o best seller Freakonomics, no qual também utiliza ferramental teórico da economia, da estatística e da econometria – que é uma espécie de soma das duas primeiras – para chegar a conclusões surpreendentes e raras vezes relacionáveis a respeito de temas aparentemente tão distantes como redução da criminalidade e legalização do aborto, trapaças envolvendo professores de ensino médio nos Estados Unidos ou lutadores de sumô no Japão.
A mesma amplitude observada no plano teórico pode ser observada no plano real, quando se observa o mercado de trabalho e a enorme gama de ocupações que podem ser desempenhadas pelos economistas.
No Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE), realizado em Belo Horizonte em setembro último, o Prof. Roberto Macedo, utilizando-se de dados que vêm sendo constantemente atualizados, chamou atenção para uma tendência verificada recentemente no mercado de trabalho, representada pelo crescente descolamento entre profissão e ocupação. Tal descolamento é maior em algumas profissões do que em outras, estando a de economista entre as que apresentam maior grau de dispersão, o que indica que o mesmo pode atuar em um número significativo de ocupações, como se vê na tabela 1, conferindo-lhe um elevadíssimo grau de empregabilidade.

Dispersão Ocupacional
Nº de ocupações que alcançam mais de 70% dos trabalhadores, por profissão – 2010
Curso/Profissão
Número
Curso/Profissão
Número
Odontologia
1
Engenharia Civil
12
Medicina
2
Matemática
13
Farmácia
2
Agronomia
13
Biologia
3
Biblioteconomia
14
Enfermagem
3
Física
17
Artes
4
Contabilidade
21
História
4
Teologia
23
Serviço Social
6
Engenharia Mecânica
25
Sociologia
6
Química
25
Filosofia
7
Engenharia Química
26
Arquitetura
8
Estatística
27
Veterinária
8
Economia
33
Psicologia
10
Administração
35
Direito
11
Engenharia Elétrica
37


Diante dos argumentos aqui apresentados, recomendo aos jovens que estão em fase de decisão do curso universitário que irão fazer para considerarem com mais carinho a opção pela Economia. Seguramente terão que se esforçar bastante ao longo de todo o curso, mas, desde que escolham uma boa faculdade e tenham um bom aproveitamento, serão amplamente recompensados na carreira profissional, seja ela mais voltada para o plano teórico, como pesquisadores e/ou professores, seja ela mais voltada para o chamado setor real da economia, atuando em empresas públicas ou privadas, tanto na macro como na microeconomia.

Iscas para ir mais fundo no assunto

Referências e indicações bibliográficas
BECKER, Gary. Teoría económica. Traducción de Ana Catalina Mayoral. México: Fondo de Cultura Econômica, 1987.
______________ Educação é o melhor investimento. Entrevista. Think Tank, Ano III, Número 9, Dezembro de 1999, pp. 13 – 16.
BECKER, Gary S. e BECKER, Guity N. The economics of life: from baseball to affirmative action to immigration. Chicago: McGraw-Hill Trade, 1998.
CHACRA, Gustavo. Americanos dividem Nobel de Economia. O Estado de S. Paulo, 16 de outubro de 2012, p. B 6.
LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Tradução de Regina Lyra. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2007.
MACEDO. Roberto. Seu diploma, sua prancha. São Paulo: Saraiva, 1998.
MACHADO, Luiz Alberto. Como enfrentar os desafios da carreira profissional: antes e após sua escolha. São Paulo: Trevisan Editora, 2012.
Referências e indicações webgráficas
MACHADO, Luiz Alberto. Grandes Economistas: Gary Becker e as diferentes aplicações de métodos econômicos. Disponível em http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1080&Itemid=114.
SEIBT, Taís. Entenda como o Nobel de Economia ajudou a melhorar o sistema de transplantes de rins nos EUA. Disponível em http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/bem-estar/noticia/2012/10/entenda-como-o-nobel-de-economia-ajudou-a-melhorar-o-sistema-de-transplantes-de-rins-nos-eua-3919439.html. 
TEORIA da combinação rende Nobel. Diário do Comércio, 16 de outubro de 2012, p. 2. Disponível em http://www.dcomercio.com.br/index.php/economia/sub-menu-economia/97833-teoria-da-combinacao-rende-nobel.
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(*) Economista, conselheiro federal, professor da Fundação Armando Álvares Penteado

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A INFANTIL BUSCA DE FELICIDADE


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Uma característica muito forte na criança é a busca do prazer. Ela quer apenas o que é agradável. Um exemplo simples, banal mesmo: legumes e verduras não são agradáveis. Doces, sim. Também para o adolescente: fazer os deveres da escola não é agradável. Perder-se em banalidades pelo celular é.
De adultos espera-se noção de dever e senso de responsabilidade. Trocar fraldas e limpar bebês não é a coisa mais cheirosa do mundo. Mas as mães fazem isso. Ser adulto é saber que a vida é algo mais que buscar prazer. Por isso, uma das frases mais tolas que li é “Todo homem tem direito à felicidade”. O que é felicidade? Para o viciado, uma pedra de crack, uma picada, mais um gole. Para o sádico, causar dor a alguém. A felicidade do atacante é a dor do goleiro adversário.
O alvo da vida é ser feliz? Isso explica o caos do mundo: o egoísmo, a indiferença aos sofredores, o luxo sibarita diante da fome alheia. Um lar desfeito por que o marido acha que tem direito a ser feliz e larga a esposa e filhos para viver com uma sirigaita mais nova. Ou por que a moça não assume que é mãe e deve viver nova realidade; ainda quer ser “gatona” e “curtir a vida”. Avultam casos de bebês largados por mães que foram ao baile, no seu direito de felicidade. Esta postura infantil de tantos adultos tem produzido um mundo miserável, onde a piedade escasseia e a mesquinhez cresce.
Isso acontece no evangelho. As pessoas não consagram mais a vida ao serviço de Deus. Ele existe para torná-las felizes. Elas não mais servem à igreja nem se engajam nela para serem úteis. A igreja se torna um espaço social onde exibem sua vaidade e buscam reconhecimento. Se não os obtêm, passam a falar mal da igreja, alheiam-se ou buscam outra. Nunca vi um crítico contumaz de igreja exibir vida espiritual exuberante. Espalham mal estar por onde passam, cheias de ranço.
Ao lavar os pés dos discípulos, Jesus ensinou uma grande lição: mostrou-se como servo, realizando uma tarefa baixa, de escravo. E disse: “Se eu, Senhor e Mestre, lavei os vossos pés, também deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). Ele disse que “não veio para ser servido, mas para servir…” (Mc 10.45). E sinalizou a vida rica, abençoada e feliz: a que é útil, a que serve. Felicidade é um subproduto de utilidade. Quem tem uma vida útil, que beneficia aos outros, é uma pessoa realizada. Quem só quer receber é como as filhas da sanguessuga: “Dá! Dá” (Pv 30.15). Nunca se satisfará.
O reino de Deus carece de mais cristãos adultos e menos bebês espirituais. Carece de gente que queira ser útil e queira servir. Que critique menos, que não queira visibilidade e importância, mas que entenda a lição de Jesus: nós nos realizamos na autodoação à obra e aos outros.
“Ninguém busque seu próprio bem, e sim o dos outros” (1Co 10.24). Adultos espirituais e emocionais são felizes. Bebês espirituais não são engraçados e dão muito trabalho

Palestra Políticas Públicas Regionais


Amanhã à noite, terça-feira dia 06 de novembro, terei o privilégio de proferir a palestra “Políticas Públicas Regionais” no Curso de Estudos e Estratégia da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). A palestra acontecerá a partir das 18h no auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª. Região, localizado na Praça Brasil em Belém do Pará. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A MARAVILHOSA GRAÇA DE DEUS


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pouquíssimas vezes usei material alheio nas pastorais de boletim de igreja que pastoreio. Mas minha ex-ovelha Adelaide Alves, de minha ex-igreja, a PIB de Manaus, enviou-me o boletim da MCA da igreja manauara de setembro de 2011. Há nele este artigo que transcrevo.
Alguns anos atrás, numa igreja da Inglaterra, o Pastor notou um ex-assaltante se ajoelhando para receber a ceia do Senhor ao lado de um Juiz da Suprema Corte da Inglaterra. O Juiz era o mesmo que, anos antes havia condenado o assaltante a sete anos de prisão. Após o culto, enquanto o Juiz e o Pastor caminhavam, o Juiz perguntou: “Você viu quem estava ajoelhado ao meu lado durante a ceia?”. “Sim – respondeu o pastor – mas eu não sabia que você o havia notado”.
 Os dois caminharam em silêncio por alguns momentos. Daí o Juiz disse: “Que milagre da Graça!”. O Pastor concordou e disse: “Sim, que milagre maravilhoso da Graça!”. O Juiz perguntou: “Mas você se refere a quem?”. O Pastor respondeu: “É claro que à conversão do assaltante!”.
 O Juiz falou: “Mas eu não estava pensando nele. Estava pensando em mim mesmo”. “Como assim?”, indagou o pastor. O Juiz respondeu: “O assaltante sabia quanto ele precisava de Cristo para salvá-lo de seus pecados. mas olhe para mim. Eu fui ensinado desde a infância a ser um cavalheiro, a cumprir minha palavra, fazer minhas orações, ir à Igreja. eu passei por Oxford, recebi o meu diploma, fui advogado e tornei-me Juiz. Pastor, nada a não ser a Graça de Deus podia ter me levado a admitir que eu era um pecador igual àquele assaltante. Levou muito mais Graça para me perdoar por meu orgulho, minha autoconfiança, para me levar a reconhecer que não sou melhor aos olhos de Deus que aquele assaltante que eu mandei à prisão!”. Que maravilha a Graça é. Boas pessoas só não entram no céu porque o orgulho as impede de chegar ao Salvador.
Terminado o artigo de Cole, minha observação: cuidado para não confiar em seus méritos e perder a graça de Deus. O que somos não nos torna aceitáveis diante dele. Pelo contrário, pois todos somos pecadores. Mas ele nos aceita pela sua graça, e a obra de Cristo nos torna aceitáveis diante dele.

Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional homenageará Armando Dias Mendes


Participei no dia de hoje, 25 de outubro, na sede do Ministério da Integração Nacional do julgamento do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional organizado em parceira entre o Ministério da Integração Nacional e o Centro Internacional Celso Furtado. O prêmio que é bianual homenageou nesta edição o economista Rômulo de Almeida pela sua contribuição a área.
Como de praxe, ao final da reunião, a comissão julgadora delibera sobre quem será o próximo homenageado pelo prêmio. Para nossa alegria, de forma unânime, a plenária deliberou que o próximo homenageado será o nosso saudoso Armando Dias Mendes.
No mês de fevereiro quando ocorrerá a Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional serão entregues os prêmios da edição de 2012 e será divulgado o homenageado da edição de 2014.
Espero que com a homenagem a Armando Mendes o Brasil possa dar um pouco mais de atenção a nossa querida Amazônia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A FORÇA DOS FRACOS


 Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

No livro Das profundezas – preces, de Kierkegaard, há uma oração intitulada “A fraqueza verdadeira”. Assim se expressa o filósofo dinamarquês: “Pai celeste! No mundo cá de fora, um é forte, outro é fraco. O forte – quem sabe – envaidece-se com a sua força; o débil suspira e, ai de mim, torna-se invejoso. Mas aqui, bem no interior da tua Igreja, todos somos fracos: aqui, perante tua presença – tu és o poderoso, só tu és o forte”.
 Gosto de Kierkegaard. Crítico severo da cultura européia, ele via a Europa indo à bancarrota. Foi duro com o cristianismo de sua época, principalmente sua Igreja, a Luterana. Ele a chamava de “igreja de domingo”. Muita forma e pouca vida. Para ele, a questão fundamental não era se o cristianismo era verdadeiro, mas se era verdadeiro para a pessoa. Se a pessoa o vivia. Hoje se procura uma igreja pelo que ela oferece, pelo entretenimento, e status que dá. Não se ela chama à vida santa. Um cristianismo social, de compromissos mundanos e conveniências: “O que é bom para mim?”.
No mundo, as pessoas são avaliadas pela força social, econômica ou cultural. A roupa e o carro dizem quem somos e quanto temos. Lutamos por status.Queremos ser grandes aos olhos alheios. Quem não pode ser apraz-se em fofocar sobre os “famosos”, na Internet. Mas dentro da igreja, diz Kierkegaard, todos são pequenos. Há só um Grande, o Senhor. Nós não fazemos a grandeza da igreja. Deus faz.
Alguém me falou que admirava os pastores por que têm uma vida espiritualmente superior. Eu não. Passo por vales e por vezes me desanimo. Não sou um super-homem espiritual. Alguns são. Eu não. Nunca fui.
No princípio, isto me arrasava. Via-me indigno do ministério. Se eu fosse Deus (a frase é retórica), não me chamaria para o ministério pastoral. Mas aprendi que não preciso ser um super-homem. Preciso apenas ser dependente da graça de Deus. Esperar e viver da sua misericórdia. Deus não espera que sejamos infalíveis e invencíveis, mas que sejamos suscetíveis à sua graça. Ele disse a Paulo: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco” (2Co 12.9).
Não somos pote de ouro, mas de barro. São estes que Deus usa: “Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós” (2Co 4.7). Somos fracos e carentes da graça de Deus. Nosso Salvador nos anima, perdoa, capacita e nos ajuda a viver.
A igreja de Jesus é a confraria de fracos e pecadores que ele, gracioso, salvou e capacita para a vida. Fracos e pecadores com um Deus de poder e graça. Isto basta. Assim o fraco se torna forte.

Crescem as denúncias de fraude nas eleições em Belém


No dia de ontem diversos candidatos a vereadores não eleitos na eleição do último dia 07 de outubro realizaram um ato público de protesto em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) denunciando fraude no sistema de totalização de votos. A denúncia foi protocolada na Junta Apuradora da Eleição e registrada como queixa-crime na Polícia Federal. De acordo com alegações dos manifestantes a manipulação do processo eleitoral foi feita por servidores do TRE que cobravam o valor de R$ 30 mil para adulterarem o sistema e creditarem votos indevidamente a alguns candidatos em detrimento de outros.
O fato é que o TRE precisa urgentemente apurar as denúncias e dar uma resposta pública a respeito da procedência ou não das denúncias. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Americanos dividem Prêmio Nobel de Economia


A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta segunda-feira (15) os nomes de Alvin E. Roth (Harvard) e Lloyd S. Shapley (Universidade da California em Los Angeles - UCLA) como ganhadores do Prêmio Nobel de Economia 2012. A escolha reconhece o trabalho de ambos "pelas teorias de alocações estáveis e modelos de mercados" - Roth trabalhou na prática com a teoria desenvolvida por Shapley. Os dois norte-americanosdividirão o prêmio de 8 milhões de coroas suecas. 
"O prêmio deste ano diz respeito a um problema central da economia: como juntar diferentes agentes da melhor forma possível. Por exemplo, estudantes precisam de parcerias com escolas e doadores de órgãos precisam ser unidos a pacientes que necessitam de um transplante", afirmou a Academia em comunicado à imprensa. "Como fazer isso da forma mais eficiente possível? Que metodos beneficiam quais grupos? O prêmio reconhece dois estudiosos que responderam estas questões passando da teoria das alocações estáveis para a prática de mercado".


Lloyd Shapley nasceu em Cambridge, Massachussets, em 1923. É PhD (1953) pela Universidade de Princeton e professor emérito da UCLA. Ele se considera um matemático e usou a chamada teoria dos jogos cooperativos para estudar e comparar diferentes métodos de parcerias. O fator chave era assegurar uma parceria estável entre pessoas ou grupos em que ninguém prefere negociar ou fazer acordos com outras pessoas que não os parceiros atuais - áreas em que as leis de mercado não necessariamente se aplicam. Shapley e seus colegas desenvolveram métodos específicos (em especial, o chamado algoritmo de Gale-Shapley) que assegura uma parceria estável. O método também limita os motivos dos agentes para manipular o processo de procura de parceiros. Shapley demonstrou como o desenho específico de um método pode sistematicamente beneficiar um ou outro lado do mercado.
Alvin Roth nasceu em 1951 e é PhD (1974) pela Universidade de Stanford, na California. É professor da Universidade de Harvard. Roth reconheceu que a teoria de Shapley poderia esclarecer o funcionamento de importantes mercados na prática. Numa série de estudos empíricos, Roth e seus colegas demonstraram que a estabilidade é a chave para entender o sucesso de algumas instituições em mercados particulares. Roth também produziu suas conclusões em exames de laboratório. Ele ajudou a redesenhar instituições para encontrar novos médicos para hospitais, estudantes para escolas e doadores de órgãos para pacientes em espera. As refirmas foram baseadas no algoritmo de Gale-Shapley com modificações que levaram em conta circunstâncias específicas e restrições éticas.

O Prêmio Nobel
O Prêmio Nobel foi criado em 27 de novembro 1895, no testamento de Alfred Nobel, cientista sueco que ficou muito rico com a invenção da dinamite. As áreas premiadas eram: Física, Química, Medicina ou Fisiologia, Literatura e Paz. Os prêmios começaram a ser entregues em 1901.
Em respeito ao testamento de Alfred Nobel, nenhuma outra área de atuação é acrescentada nas premiações. A única exceção foi a Economia. Isso porque em 1968 o Sverige Riksbank (Banco Central da Suécia), comemorando seu tricentenário, instituiu o "Prêmio Sverige Riksbank de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", patrocinado pelo próprio banco. Por esta diferença, ele não leva o nome de "Prêmio Nobel" em sua nomenclatura oficial, mas é anunciado e entregue juntamente com os outros Prêmios Nobel (embora não na mesma semana), além de ter o ganhador escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências.
O primeiro Prêmio Nobel de Economia foi entregue em 1969 para o norueguês Ragnar Frisch e para o holandês Jan Tinbergen. Nesta área, a maioria dos premiados são norte-americanos (alguns deles naturalizados). Outra curiosidade: o mais velho ganhador de um Prêmio Nobel foi o economista Leonid Hurwicz (nascido na Rússia, naturalizado norte-americano), aos 90 anos, em 2007. E apenas uma vez uma mulher ganhou o Nobel de Economia: foi Elinor Ostrom, em 2009.
Além disso, há uma tendência recente de divisão do prêmio: desde 2000, houve apenas dois prêmios individuais: Edmund Phelps, em 2006, e Paul Krugman, em 2008. Nos outros anos deste período os prêmios foram divididos entre dois ou mais ganhadores.

Por Manoel Castanho (*) -  Jornalista do COFECON

Um pequeno desabafo


O homem que tenta agradar a “gregos” e “troianos” certamente, para isto, abre mão de suas convicções e de sua ética, para tentar contemporizar conflitos. Eu prefiro manter os meus princípios éticos e morais do que tentar preservar falsas amizades e relacionamentos. Hoje eu pago um preço muito alto por não ter aberto mão em determinados momentos de minha vida do que eu achava correto, honesto, ético e moral. Poderia ter feito como alguns, deixado para lá. Mas eu seria no mínimo conivente com atos de improbidade.
É impressionante o quanto de inimizade ganhamos neste mundo por querer ser correto e se posicionar em certas questões. É um preço muito alto que muitos não estão dispostos a pagar. Vivemos numa era da hipocrisia, na qual muitos pregam aquilo que não vivem. E pior, por de trás de discursos travestidos de princípios coletivos, há claramente uma visão maniqueísta e particularista que por meio de jogos de interesse de determinadas pessoas e grupos atacam instituições e pessoas, denegrindo a sua imagem e prejudicando toda uma categoria.
O mais impressionante é a quantidade de pessoas que se deixam levar por esta onda. Alguns por ingenuidade, ou diria negligência, outros pela “amizade”. No fundo todos são cúmplices de um sistema que está a muito tempo contaminado.   

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Os rumos do PPS no Segundo Turno


Muito tem se especulado sobre os rumos que o PPS tomará no segundo turno das eleições municipais de 2012. De um lado está o candidato Zenaldo Coutinho do PSDB e de outro o candidato Edmilson Rodrigues do PSOL. De forma democrática o PPS está debatendo intensamente com as suas lideranças o rumo a ser tomado. Pelos rumos do debate nenhuma hipótese está descartada, inclusive havendo possibilidade de não alinhamento com nenhuma das duas candidaturas.
No dia de hoje haverá conversas com os dois candidatos a Prefeitura de Belém e na próxima segunda-feira uma nova rodada de debates internos. Provavelmente a decisão do partido será anunciada na próxima terça-feira.
O que sem dúvida pesará na balança será a incorporação de pontos programáticos caros ao Projeto do PPS, principalmente aqueles que dialogam com a necessidade dos excluídos em nossa sociedade.
Diferente de outras legendas, o PPS não faz questão de ser governo apenas para ocupar cargos e aparelhar a máquina pública, mas vê na atuação política um instrumento de transformação coletiva e inclusão social.