domingo, 13 de janeiro de 2013

VIDA CRISTÃ OU PIROTECNIA?


Isaltino Gomes Coelho Filho

Numa revista evangélica vejo uma propaganda camuflada de ação evangelizadora: 300 cristãos indo a Israel para “atos proféticos” para efetuarem “a unção do mar da Galiléia para que o avivamento chegue a todos os habitantes de Israel e oração no monte Carmelo para queimar toda a incredulidade e sofismas sobre Jesus, o Messias”.
Presumo que o conceito de “atos proféticos” tenha seu lastro nos atos de Isaías e de Jeremias (Is 20.1-4, Jr 19.1-10, por exemplo). Nos profetas, estes atos são chamados de “profecia simbólica”. Porque a profecia pode ser oral (“Assim diz Yahweh”), visual (“Que vês, Jeremias?”), simbólica (quando um ato simboliza o que Deus fará) e factual (quando um fato histórico é profético, como a Páscoa e o episódio de Números 21.4-8 profetizam a obra de Jesus). “Atos proféticos” têm tênue semelhança com profecia simbólica. Uma leve tintura bíblica, mas não é ensino bíblico para prática.
Nos profetas, tais atos foram usados por Deus para demonstrar algo que ele faria. Na reengenharia espiritual pirotécnica do neopentecostalismo, eles são causadores do que os gurus pretendem. Nos profetas bíblicos é uma revelação divina. Nos “profetas” atuais é uma determinação humana. Na Bíblia, Deus revelava o que faria. Agora, os homens determinam a Deus, com seus atos, o que ele deve fazer. Além da visão exagerada a seu próprio respeito, beirando à megalomania, os fazedores de atos proféticos têm uma visão distorcida das Escrituras. Na teologia cristã, cristalizada há séculos, a Bíblia é a Palavra de Deus, autoritativa e normativa. No neopentecostalismo, a Bíblia é indicativa. Ela indica ações que deram certo e que podemos repetir. Ela não é Palavra de Deus, uma revelação verbalizada e proposicional, acontecida na história, mas um depósito de práticas religiosas que podemos utilizar. Ela não mostra o Deus que age na história, mas revela práticas que devem ser repetidas. Neste enfoque, o poder não está em Deus, mas nelas. O foco é o agir humano. Este produz o agir divino.
O abandono da Bíblia como fonte de autoridade, o desprezo pelo seu estudo, o sarcasmo para com os que se aprofundam nela e a vaidade de se presumirem como oráculos de Yahweh e de não subordinarem seus insights ao crivo de outros, produzem esses gurus e suas pirotecnias. Um mínimo de razão (que não é pecado; Deus no-la deu): jogar azeite no mar da Galiléia vai produzir avivamento em Israel? É de avivamento ou de conversão que Israel precisa? Por que a deificação do azeite ou da unção? Ungem-se pessoas para vencerem o Diabo. O azeite “fecha o corpo”? Ou o Diabo é vencido conforme as orientações bíblicas (Ef 4.27, Tg 4.7 e outras)? Unção de mar faz alguém se converter ou é a evangelização e ação de Deus através dos crentes, na história e como ele deseja? A ideia de atribuir poderes mágicos ao azeite nada mais é que a visão pagã de que as coisas contêm energia espiritual. Produto do orientalismo que invadiu o ocidente com o movimento Nova Era, que nada mais era que o velho paganismo.
A pirotecnia é atraente por ser dramática. E porque é mais fácil fazer uma oração poderosa (geralmente aos gritos, pois estas pessoas associam poder espiritual a volume de decibéis) “para queimar toda a incredulidade e sofismas sobre Jesus, o Messias” que dobrar os joelhos em busca de autoridade espiritual e estudar para ter como argumentar com os judeus sobre o Messias. O neopentecostalismo é uma busca de atalhos, produto de uma cultura enraizada numa sociedade fast food, em que ninguém quer esperar. É pílula ou cirurgia para emagrecer, e não a disciplina ou tratamento. É o creme que reduz celulite enquanto a mulher dorme. Ou que faz nascer cabelo enquanto o homem toma seu chope.
A redução da vida cristã em toda a sua complexidade (mesmo na sua simplicidade) a atos pomposos eivados de pirotecnia espiritual está criando uma geração de cristãos preguiçosos, que não encaram a dureza da vida cristã nem praticam as disciplinas espirituais (leitura da Bíblia, oração, mortificação diária do seu eu, comunhão com os santos, etc.), mas buscam festa e artificialidade.
Evangelizar grupos específicos requer muito preparo espiritual e bastante estudo. Deus me deu o privilégio de dialogar com algumas pessoas de formação marxista, em meus estudos e no decorrer de meu ministério. Algumas delas foram batizadas, outras ficaram pensativas e outras mais fizeram o escarcéu habitual de quem se julga emancipado de Deus, e me consideraram um indigente mental. Foi duro, requereu estudos e até aborrecimentos. Nunca ungi O capital para ganhar algum deles para Cristo. Foi oração e preparo.
Se as coisas fossem assim tão fáceis, bastaria ungir o Lago Paranoá, a sede dos partidos políticos e os palácios de governos estaduais e municipais. Ah, sim: sem esquecer o Congresso e as câmaras estaduais e municipais. Mas não é assim que funciona. É pela atividade dos crentes, testemunhando, vivendo o evangelho, questionando atitudes erradas e denunciando o pecado. O modelo do Novo Testamento é o sal salgando a sociedade e não o azeite ungindo o mundo.
Sem dúvida que aparecerão trezentas pessoas para irem a Israel ungir o mar da Galiléia e gritar no monte Carmelo. Mas duvido que isso produza a conversão de um judeu sequer.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Para reflexão: um povo cúmplice

“O cidadão que elege um político corrupto não é vítima, é cúmplice” – Eduardo Costa

Belém 397 anos: uma pequena reflexão


Hoje a minha cidade natal comemora mais um ano de fundação. Como todo aniversário, deve ser uma data comemorativa. Contudo, não podemos perder a oportunidade da reflexão. Belém do Pará, que há cem anos era relatada pelos viajantes como uma cidade moderna, influenciada pelo Ciclo da Borracha, despontava com uma infraestrutura urbana sem igual no país. Fomos vanguarda em temos de planejamento urbano, iluminação pública, transporte urbano coletivo, saneamento urbano, sem falar na pujança cultural cujo símbolo passou a ser o nosso Teatro da Paz.
Porém, como resultado de uma elite econômica e administrativa de pouca visão, fomos ficando para trás ao longo dos anos. Hoje, nos temas que há cem anos éramos referências em termos de modernidade, somos referência em termos de atraso, descaso e ausência de visão pública de planejamento e gestão.
Sei que o que vou dizer é forte. Mas não posso me escusar. Depois de alguns anos de reflexão e análise, continuo afirmando que falta por parte de nossa elite dirigente, política e econômica, visão estratégica, capacidade de planejamento e gestão e, acima de tudo, compromisso com o coletivo e com os mais carentes.  Todavia, o povo não pode ser visto como uma vítima deste processo. O povo é cúmplice, principalmente porque elege recorrentemente os mesmos representantes.
Não resta dúvida de que o povo de Belém de uma forma dicotômica é a sua principal virtude e o seu principal problema. Não há no Brasil, quiçá no mundo, um povo tão hospitaleiro, afetivo, amigo, aberto, gostoso, como o povo de Belém do Pará. Lamentavelmente este mesmo povo está deixando muito a desejar em termos de participação cívica, controle social e maturidade democrática. Os representantes políticos democraticamente eleitos são reflexos de uma sociedade. Logo, se queremos mudar os nossos políticos, precisamos começar mudando a sociedade, o povo.
Que nesta data comemorativa fique esta reflexão. Parabéns Belém do Pará!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Aula inaugural da Faculdade de Economia da UFPA (2013)


Compartilho com todos aqueles que desejam aprender um pouco mais sobre economia ou sobre a conjuntura econômica atual o convite para a Aula Inaugural da Faculdade de Economia da UFPA com o prof. Dr. David Ferreira Carvalho. Destaco que na ocasião haverá a posse dos professores Dr. Armando Lírio e Dr. Danilo Fernandes respectivamente como Diretor e Vice-Diretor.



Cenário político para 2014 começa a ser desenhado no estado do Pará


Após as eleições municipais, que funcionam como uma prévia para as eleições estaduais, na medida em que os partidos e players políticos demonstram a sua força e a sua capilaridade, o cenário para 2014 começa a ser desenhado, mesmo que preliminarmente, no estado do Pará.
Tudo indica que o PMDB será a “noiva” a ser cotejada pelos projetos tucano e petista. Estrategicamente o Governo Simão Jatene teria, mesmo que não publicamente, deliberado pela aproximação com o PMDB de Jáder Barbalho. Como carta estratégica o Governo Tucano pode oferecer a vice-governadoria para o PMDB em 2014, que possivelmente deve indicar o ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho. Contudo esta possibilidade tem provocado resistência de alguns na medida em que pode atrapalhar o “Projeto Zenaldo Coutinho para governador em 2018”.
Ademais, há fortes rumores de que o Senador Jáder Barbalho já teria tido uma conversa preliminar com o Governo Dilma Roussef no sentido do PMDB compor uma chapa com o PT. Este mesmo rumor dá conta de que o atual Ministro da Saúde Alexandre Padilha seria candidato a governador tendo como vice o ex-prefeito de Ananindeua.

Veremos...

Governo do Estado cria Secretaria Extraordinária de Articulação Municipal


Parabenizo o Governador Simão Jatene (PSDB) por ter criado a Secretaria Extraordinária de Articulação Municipal. Não há dúvida de que a relação entre o executivo municipal e o executivo estadual precisa se afinar para a construção de um modelo social alternativo, com políticas públicas articuladas em múltiplas escalas e pactuadas com a população. A agenda federativa a ser vencida no Pará é enorme e desafiadora. Torço por um bom trabalho do colega economista Sérgio Bacury. Sei que ele tem competência e ânimo para realizar um bom trabalho.
Vale somente rememorar que no Governo Ana Júlia (PT), a então criada (e extinta logo no início do Governo Tucano) Secretaria de Estado de Integração Regional, que teve como secretário o Cientista Social André Farias (hoje professor da UFPA), da qual eu tive o privilégio além de elaborar o projeto de criação de ser o secretário adjunto, tinha, dentre outras missões institucionais, as mesmas hoje atribuídas a nova secretaria. Destaca-se naquele momento a criação da Sala das Prefeituras, a Política Estadual de Apoio ao Desenvolvimento de Consórcios Públicos, a Política de Apoio ao Desenvolvimento de Agências de Desenvolvimento Regional, os planos de desenvolvimento regionais (Marajó, Xingu, Tocantins e Lago de Tucuruí), os agentes de integração regional, o Fórum de Gestores Regionais, o Fórum de Prefeitos, os Centros de Integração Regional (Santarém e Marabá), o Atlas da Integração Regional, e uma lógica proposta diferenciada para a operacionalização do Fundo de Desenvolvimento do Estado do Pará (FDE).
Pena que a agenda proposta foi interrompida com a mudança de governo. Espero que a nova secretaria, com humildade, retome aquela agenda proposta, pois para além das picuinhas político-partidárias, há uma população, principalmente no interior do estado do Pará, extremamente carente e ávida pela presença do Estado e de políticas públicas. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Desafio da economia do estado do Pará agora é superar o fosso social

Compartilho a entrevista que foi publicada no Jornal Diário do Pará no Caderno A6 no último domingo dia 06 de janeiro.


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Salmo 1 - Uma reflexão sobre os justos e os ímpios


Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá. 

Reflexão
O Salmo 1 traz uma bela reflexão sobre o nosso círculo íntimo de influências. O líder insensato pode se perder por causa de um círculo íntimo corrupto dando ouvidos a conselhos errados. Porém, o líder sábio além de meditar constantemente na palavra busca orientações em um circulo íntimo correto que lhe proporciona: estabilidade, suporte e alívio interior, resultados e produtividade, força e durabilidade e sucesso. Para reflexão: em que círculo você está buscando orientações? 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Estado do Pará: o quintal do Brasil


A capa do Caderno Poder do Jornal O Liberal de hoje, domingo dia 06 de janeiro de 2013, é um duro alerta sobre o espaço que o estado do Pará hoje ocupa na federação brasileira. Somos um estado periférico, de um capitalismo periférico, que só é lembrado quando da necessidade de dar suporte a acumulação de capital no centro-sul do país. O fato de apenas 5% das emendas da bancada do estado ter sido viabilizada pelo Governo Federal mostra de um lado o local que o Pará ocupa na federação brasileira, e de outro o total desprestígio que a nossa bancada está submetida. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A TRÍPLICE CONVERSÃO DO CRISTÃO


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Oscar Cullmann disse que os cristãos necessitam de três conversões. A primeira é do mundo para Cristo, o arrependimento. A segunda, para a igreja, o compromisso. A terceira, para o mundo, o testemunho. O termo “conversão” é usado no sentido de mudança radical na vida.
Um cristão é um convertido a Cristo. Não se nasce cristão. Deus tem filhos, mas não netos. Não se é cristão por geografia ou por nascer em lar cristão. Cristão é quem crê em Jesus e o segue: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão” (Jo 10.27-28). O cristão ouve a Jesus, é conhecido por ele, segue-o e tem a vida eterna.
A segunda conversão é à igreja. Ela é obra do sangue de Jesus: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9-10). Quem rejeita a igreja alegando seus defeitos é arrogante e não entendeu o evangelho. Presume-se perfeito. Faz-se juiz da igreja. É ruim de convivência e culpa os outros. Está em pecado. Mas é tão orgulhoso que nem nota isso. A igreja é imperfeita, mas um dia será perfeita: “Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele” (1Jo 3.2).
A igreja local não é uma faceta do corpo de Cristo. Ela é o corpo de Cristo: “Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo” (1Co 12.27). Não se pode seguir a Jesus sem ser igreja. Quem o segue já é igreja e deve amá-la: “Porque ninguém odeia o seu próprio corpo. Pelo contrário, cada um alimenta e cuida do seu corpo…” (Ef 5.29). Ame a igreja, corpo de Cristo, do qual você faz parte. Isto é compromisso. O convertido a Cristo é convertido à igreja.
A terceira conversão é para o mundo. É o testemunho. O monasticismo surgiu na Igreja Católica no século IV, como busca de santidade fora da sociedade. O protestantismo recusou esta visão alienada e insistiu na vida social. Como Jesus, a igreja não é do mundo: “Assim como eu não sou do mundo, eles também não são” (Jo 17.16). Mas é enviada ao mundo, como Jesus: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei” (Jo 17.18).
Ela deve ser diferente do mundo. Mas não pode se alienar. Deve mostrar Jesus ao mundo. O valor do sal não é no saleiro, mas na comida. Sal guardado não salga. O cristão deve ser apaixonado pela vida. Deve viver os valores de Jesus onde está. Há pastores apaixonados por conventos, mas ele não é nosso campo de ação. É o mundo.
Você se converteu do mundo para Cristo. Converta-se à igreja. Converta-se ao mundo. Foi salvo? Engaje-se na igreja, e testemunhe ao mundo. Não use apenas palavras. Use o caráter.

Discurso de posse do Deputado Estadual Augusto Pantoja

Compartilho o discurso de posse do Deputado Estadual Augusto Pantoja na Assembléia Legislativa do Estado do Pará. Foi um discurso qualificado e forte. Tocou na ferida de muitos e gerou desconforto em  alguns. Precisamos de mais parlamentares desta estirpe. Vale a pena conferir.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Augusto Pantoja toma posse como Deputado Estadual


Estive hoje na posse do Deputado Estadual Augusto Pantoja (PPS). Suplente do Deputado João Salame (PPS), Pantoja assumiu a vaga no parlamento estadual com a eleição de Salame para a Prefeitura de Marabá. Advogado e professor de história do ensino médio, Pantoja destacou-se por sua atuação como vereador. Foi um dos vereadores mais atuantes na Câmara Municipal de Belém e foi um dos poucos vereadores que se engajou diretamente na luta contra a divisão do estado do Pará. Tenho certeza que logo Augusto Pantoja irá se destacar na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) por sua qualificação e por seu compromisso na construção de uma sociedade mais justa. Desejo sucesso ao companheiro Augusto Pantoja nesta nova empreitada de sua vida.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Artigo: O bem-estar e o Economista


Por Fernando de Aquino Fonseca Neto (*)


Na série Comunicados do Ipea, em seu n°158, “2012: Desenvolvimento Inclusivo Sustentável?”, divulgado em 18 de dezembro de 2012, é inserido um indicador social para muitos ainda inusitado, “níveis de felicidade”, obtido seguindo a padronização internacional já estabelecida de solicitar às pessoas de uma amostra representativa que atribua uma nota de 0 a 10 sobre sua satisfação com a vida corrente. Apesar de algumas reconhecidas limitações na interpretação dos resultados, esses indicadores quantitativos de felicidade vêm se disseminando vigorosamente nos últimos anos.
Em seu recente livro “Felicidade S.A.”, o jornalista Alexandre Teixeira se refere a um artigo da antropóloga Susan Andrews, que chama atenção para o que considera uma epidemia de estudos sobre felicidade. Ela computa 200 artigos acadêmicos sobre o tema nos primeiros cinco anos da década de 80, contra 27.335 nos 18 meses encerrados em agosto de 2011. Certamente, não há como dissociar essa epidemia do maior questionamento da regra “mais dinheiro, mais felicidade”, decorrente do efeito-riqueza provocado pela dramática desvalorização de ativos na crise do subprime. Mas a felicidade seria passível de tratamento apenas por filósofos, psicólogos, antropólogos e sucedâneos? Não necessariamente.
Sobre felicidade, que no jargão dos economistas se aproximaria a “utilidade” ou “bem-estar”, vale realçar que em vários manuais de economia esta disciplina tem sido definida como “a ciência do bem-estar”. Eduardo Giannetti, um dos poucos economistas no Brasil que vinha explorando o tema já em 2002, em seu livro “Felicidade”, pontua que esta seria a principal finalidade da teoria econômica. “De Petty a Turgot, no Século XVIII, a Keynes, Friedman e Samuelson, poucos economistas dignos de nota discordariam”. Mas o que esse profissional, com imagem pública, e até mesmo auto-imagem, associada ao gerenciamento de carteiras de ações e títulos, planejamento econômico-financeiro, projetos de investimento e coisas do gênero teria com o bem-estar das pessoas? Essa questão não estaria mais relacionada a profissionais da área de saúde? Dependerá do enfoque. A saúde física e mental são atributos importantes para o bem-estar do indivíduo, mas não esgotam a questão muito menos garantem a melhor vida ao nosso alcance. Deste ponto, muitos se apressarão em concluir que faltaria apenas a capacidade de consumo, de onde entraria o papel do economista – elaborar e aplicar políticas que favoreçam a ampliação dessa capacidade e de seu alcance a maior número de indivíduos.
Contudo, saúde física e mental e capacidade de consumo representariam todas as condições relevantes para o bem-estar do indivíduo? É difícil ter certeza. Assim, precisamos ir além dessa postura de suprir o que presumivelmente determinaria esse bem-estar, passando a tratá-lo de modo mais direto. Nesse sentido, um marco foi o recente documento da ONU, World Happiness Report, que propõe um criterioso levantamento do que seria um “estudo emergente da felicidade”, revelando uma vigorosa participação dos economistas em tais estudos. Tomando por base o referido Relatório, das 281 referências incluídas, a maioria, em torno de 150, são do período 2008-2012, assim como também em torno de 150 referências são de periódicos ou séries da área de economia.
Com todas as dificuldades dos estudos multidisciplinares, sobretudo no que diz respeito à linguagem e peculiaridades metodológicas, chegando ao ponto de vários de seus resultados não irem muito além de uma justaposição das diversas abordagens, tem sido fundamental a participação dos economistas na exploração dessa temática. Ressalte-se o viés cartesiano de buscar identificar objetivamente as relações e quantificar indicadores de qualquer natureza, até os tão subjetivos quanto “felicidade”. O citado Relatório, editado pelo eminente economista Jeffrey Sachs, não poderia deixar de carregar tal viés.
O documento da ONU se apoia em Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia em 2002, para diferenciar duas modalidades de bem-estar, o “percebido”, acessado com indagações sobre como as pessoas avaliam suas vidas, como é o caso dos “níveis de felicidade” do citado trabalho do Ipea; e o “sentido”, aferido com o monitoramento de como os participantes da pesquisa se sentem, em pequenos intervalos, ao longo do dia, o que pode ser medido a partir de respostas ou de dosagens de determinadas substâncias no organismo. Também a partir de Kahneman, o economista André Lara Resende, em seu artigo “Bem-estar e húbris”, pontua que “Os dois conceitos só coincidem se - como assume a teoria - as pessoas desejam o que lhes dá satisfação e têm satisfação quando obtêm aquilo que desejam. Essa coincidência está por trás da hipótese de racionalidade dos agentes econômicos.(...) [Contudo,] o grau de satisfação, ou de frustração, com a própria vida depende de coisas que não estão correlacionadas com aquelas que determinam o bem-estar cotidiano”. Dentre as regularidades empíricas identificadas nessa “epidemia de estudos sobre felicidade”, vale destacar:
1. A hipótese de utilidade marginal da renda decrescente é amplamente observada, sobretudo quando se identifica que quanto mais pobre é o país, mais favoráveis os efeitos do crescimento econômico sobre os níveis de bem-estar de sua população. A partir de certos níveis de renda, os ganhos de bem-estar deixam de superar os efeitos adversos da abundância, muitos dos quais associados às condições de vida em grandes metrópoles.
2. A desigualdade de renda e riqueza importa. O crescimento da renda agregada e a redução da pobreza não bastam. A revolta decorrente da percepção de que os seus pares estão mais bem sucedidos economicamente compromete o bem-estar das pessoas de várias maneiras. Em um amplo e prestigiado estudo epidemiológico, “The Spirit Level”, Wilkinson e Pickett mostram que todos os indicadores de saúde física e emocional estão negativamente correlacionados com a desigualdade. Em “Fairness and Redistribution: the Case of Latin American Countries”, o economista Erik Figueiredo mostra que a perda de bem-estar decorente da percepção de desigualdade de renda e riqueza é ainda maior em países como os da América Latina, onde a crença de que ela decorreria de diferenciais de mérito, em termos de habilidade e/ou empenho, não estaria tão bem estabelecida. O artigo relata evidências empíricas curiosas, como a resposta à pergunta de se o entrevistado acharia justo que entre dois indivíduos, da mesma idade e profissão, realizando as mesmas atividades, um deles ganhasse mais que o outro por ser mais rápido, eficiente e confiável. 47% dos latino americanos, e 46% dos brasileiros não acharam essa diferença de remuneração justa.
3. Ainda com base nos resultados dos abundantes estudos empíricos recentemente realizados, além da pobreza e da desigualdade o “bem-estar sentido” dependeria da saúde, emprego e socialização do indivíduo, o que indica medidas complementares de promoção desses atributos. Em relação ao emprego, vale salientar que não se trata apenas da renda gerada para o indivíduo, mas também pelo sentimento de inclusão proporcionado. Tal condição foi aferida pelos níveis de bem-estar sentido pelos que estão com seguro-desemprego serem muito mais baixos do que os dos que estão empregados ganhando renda equivalente. Quanto à socialização, vale destacar medidas que melhorem a mobilidade urbana, criem espaços públicos de convivência e mantenham um policiamento eficaz.
4.  O “bem-estar percebido”, por sua vez, estaria associado a objetivos alcançados. Nessas circunstâncias, em um jogo com resultados negativos o êxito de alguns implicará em fracasso de  outros. Em grande parte dos casos concretos, como no caso da competição nos mercados, existe uma tendência de muitos perderem, os losers, e haver uma perda líquida de bem-estar. Assim, quanto mais forte for a cultura competitiva em uma sociedade, mais casos de “mal-estar percebido” ocorrerão. Observe-se que, no referido trabalho do IPEA, embora seja chamad atenção para o nível de felicidade maior no Nordeste que nas demais regiões, uma avaliação dos números revela um decolamento para baixo do Sudeste e as outras com níveis similares. Nessa perspectiva, dois determinantes podem ser importantes para tal descolamento, uma cultura e mercado de trabalho mais competitivos naquela região e as condições de vida mais estressantes nas duas maiores regiões metropolitanas do país.     
Uma questão crucial para todos os interessados na elevação dos níveis de bem-estar social é que tal agenda tem aparecido associada ao chamado “Desenvolvimento Sustentável”, como é o caso do próprio World Happiness Report. As idéias e propostas dos defensores dessa abordagem têm sido muito controvertidas. O próprio termo “sustentabilidade” vem sendo adotado com significados distintos, em geral de duas formas, para expressar “sustentabilidade temporal”, que não teria porque carregar controvérsias, e “sustentabilidade ambiental”. Mesmo neste último significado, quando se trata de combate à degradação ambiental local e à utilização racional dos recursos naturais não renováveis, pode-se identificar um certo consenso no debate público. Em relação à ideia de que a humanidade está afetando  as condições climáticas globais, inaugurando uma nova época geológica, o Antropoceno, muitos especialistas se opõem frontalmente. Desse modo, é mais prudente para os não especialistas se manterem céticos.
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(*) Doutor em Economia pela UnB e Presidente do Corecon-PE.

Confira o perfil dos novos gestores da Prefeitura de Belém do Pará

Cargo
Nome
Perfil
Ouvidoria Geral do Município (OGM)
Antônio Alberto Taveira dos Santos
Advogado e Pós-graduado em Direito do Estado. Foi advogado da Carreira Jurídica do Banco do Estado do Pará (Banpará) e Assessor da Caixa de Previdência do Banpará com ampla experiência em gestão empresarial.
Auditoria Geral do Município (AGM)
Sérgio de Amorim Figueiredo
Formado em Administração Pública e Empresarial, Pós-graduado em Gestão. Integrou como servidor a equipe de  Acompanhamento de Metas e Resultados do Governo do Estado do Pará pela Secretaria Especial de Estado de Proteção e Desenvolvimento Social, com experiência em Auditoria Interna Privada e Consultoria de Negócios.
Secretaria Municipal de Economia (Secon)
Marco Aurélio Nascimento
Advogado, pós-graduado em Direitos Difusos e Coletivos. É Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor desde 1994, trabalhando no Ministério Público do Estado do Pará com atuação em diversos municípios do Estado do Pará, como Curionópolis, Marabá, Bragança, Peixe-boi e Belém.
Secretaria Municipal de Finanças (Sefin)
Suely Azevedo
Formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com especialização em Planejamento Estratégico e em Finanças Públicas. Durante 20 anos ocupou a diretoria de Planejamento Orçamento e Finanças da Secretaria de Estado Orçamento e Finanças (Sepof) e por oito anos exerceu a função de Secretária Adjunta da mesma Secretaria. Suely Azevedo também foi Secretária de Planejamento e Finanças do Tribunal de Justiça do Estado do Pará - TJE-PA (2003-2012).
Secretaria Municipal de Coordenação Geral do Planejamento e Gestão (Segep)
Teresa Cativo
Possui larga experiência na administração pública e esteve à frente da Secretaria Extraordinária de Estado para Projetos Estratégicos do Governo do Estado do Pará na gestão de Simão Jatene, além de ex-secretária de estado de Meio Ambiente. Antes de assumir a Segep, Teresa Cativo esteve à frente da equipe de Transição de Zenaldo Coutinho.
Secretaria Municipal de Habitação (Sehab)
João Cláudio klautau
Formado em Administração de Empresas e especialista em Marketing e Finanças. Há dez anos é professor da Universidade da Amazônia (Unama) no curso de Relações Internacionais e atuou como Gerente Regional de Habitação da Caixa Econômica Federal nos últimos sete anos.
Secretaria Municipal de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel)
Thales Costa Belo
Oficial da Polícia Militar, bacharel em Direito e pós-graduado em Gestão Estratégica. Já foi coordenador geral do Sistema Penitenciário do Pará, Secretário Adjunto de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), presidente do Conselho Gestor do Programa de Proteção a Crianças Ameaçadas de Morte- PPCAM/Pará, presidente do Conselho de Política Criminal e Penitenciário do Estado do Pará, diretor presidente do Fundo Social da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará, além de Comandante do 1º Batalhão da PMPA.
Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos (Semaj)
 
Leonardo Maroja
Advogado, pós-graduado em Processo Civil e foi Procurador Chefe da Prefeitura Municipal de Belém durante os últimos sete anos.
Secretaria Municipal de Administração (Semad)
Augusto César Neves Coutinho
Advogado, especialista em Direito Eleitoral. Foi vereador de Belém por dois mandatos exercendo vários cargos na Câmara Municipal de Belém, inclusive na condição de integrante da mesa diretora. Ocupou importantes cargos no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), sendo hoje, vice-presidente do Diretório Municipal do Partido. Foi também coordenador geral de várias campanhas políticas do PSDB, incluindo a que elegeu Zenaldo Coutinho Prefeito de Belém. Augusto Coutinho tem vasta experiência em Gestão Pública e Privada
Secretaria Municipal de Educação (Semec)
Nelly Cecília Rocha
Professora, escritora e Membro Imortal da Academia Paraense de Letras (APL). É Licenciada em Letras, Português e Inglês pela  Universidade Federal do Pará e é especializada em Língua Portuguesa e Comunicação, Tendências da Linguística Moderna, Iniciação à Pesquisa Linguística,  Metodologia do Ensino Superior e Filosofia Contemporânea. Além das especializações é mestre em Letras: Teoria Literária e tem os créditos do doutoramento em Ciências da Linguagem. Nelly Cecília é professora universitária aposentada da UFPA e professora de Literatura Portuguesa e Teoria Literária da Universidade da Amazônia (Unama), onde é coordenadora do Curso “Arte da Palavra".
Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma)
 
Maria Cristina César de Oliveira
Advogada, mestre em Instituições Jurídico-Políticas e Doutora em Direito. É professora de carreira da Universidade Federal do Pará (UFPA) onde ocupou também o Cargo de Procuradora-geral da Instituição por 10 anos. Atualmente é Consultora Geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Sua tese de doutorado é baseada nos Princípios Jurídicos e na Jurisprudência Socioambiental.
Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan)
Luiz Otávio Mota
Engenheiro Civil e Sanitarista, professor universitário, Luiz Otávio Mota Pereira já foi presidente da Companhia de Saneamento do Pará, Amazonas e Mato Grosso do Sul; já exerceu a função de Secretário Municipal de Saneamento e atua como Consultor em Engenharia Sanitária e Ambiental.
Secretaria Municipal de Saúde (Sesma)
Joaquim Pereira Ramos
Foi vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) durante os dois últimos mandatos. É formado em medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e possui duas pós-graduações: em Administração Hospitalar e Medicina Esportiva. Além disso, Joaquim Ramos é especialista em ortopedia.
Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb)
José Eduardo Beliche de Souza Leão
Arquiteto formado pela UFPA. Foi Secretário Adjunto de Obras do Estado, posteriormente arquiteto da mesma Secretaria. Foi presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Presidente do Sindicato Nacional dos Escritórios de Engenharia e Arquitetura.
Guarda Municipal de Belém (Gbel)
Sandro Augusto de Sales Queiroz
Sandro Queiroz é aspirante Oficial desde 1994, Bacharel em Direito, especialista em Segurança Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e possui curso Superior de Polícia pelo Instituto de Ensino de Segurança do Pará (IESP).
Coordenadoria Municipal de Turismo (Belemtur)
Fábio Haber
Advogado especialista em Direito Agrário e Ambiental, foi Comissário durante 4 anos do Juizado da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Estado; Presidente do Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado do Pará; Diretor Jurídico da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos  - Sejudh; Chefe de gabinete da liderança do PSB na Câmara Municipal de Belém (2005-2006) e na Assembleia Legislativa do Pará (2007-2010).
Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura (Comus)
Iran de Souza
Jornalista profissional. Formado pela UFPA em 1990. Tem experiência em rádio, jornal impresso, televisão, assessoria de imprensa e marketing político. Foi diretor da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) e até o momento chefiava a Assessoria de Imprensa e Divulgação da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém
Erick Pedreira
Mestre e Doutor em Odontologia pela USP e Professor Adjunto da Faculdade de Odontologia da UFPA há 9 anos. Além de ter sido Pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal do Pará.
Companhia de Desenvolvivemento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem)
Rosa Cunha
Arquiteta, Mestre em Planejamento e Desenvolvimento e Professora universitária. Foi Superintendente da Fundação Municipal de Assistência ao Educando (FMAE), ocupou importantes cargos no Município de Belém e no Estado do Pará, como Secretária Estadual de Educação e Diretora Superintendente do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (DETRAN). Posteriormente assumiu a Diretoria geral do Departamento Nacional de Trânsito. Rosa Cunha possui ampla experiência em gestão pública, educação, planejamento urbano e gestão de transporte e trânsito.
Companhia de Transportes do Município de Belém (Ctbel)
Maisa  Sales Gama Tobias
Engenheira Civil,  especialista em Gerenciamento do Transporte Fluvial pela Universidade Federal do Pará (1992), Mestre em Engenharia Civil, com ênfase em Geotecnia e Transportes pela Universidade Federal da Paraíba (1990), Doutora em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (2000), com ênfase em Planejamento e Operações de Transportes e Pós-Doutora em Planejamento Urbano e Regional.
Fundação Papa João XXIII (Funpapa)
Nilda Paula
Pedagoga, Assistente Social e Bacharel em Direito. Além disso, possui especialização em Gestão Escolar. Nilda Paula também trabalhou na Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Entorpecentes (CONEN) e foi assessora especial do Governador Simão Jatene na Casa Civil (2011-2012).
Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel)
Heliana da Silva Jatene
Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) com especialização em Pesquisa Social pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e em Demografia pela Pontifície Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e mestra em Sociologia pela Universidade de Campinas (Unicamp). Foi professora da UFPA e ocupou importantes cargos públicos. Foi Diretora de Estudos e Pesquisas Sociais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), Superintendente do Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA) e Diretora Geral da Escola de Governo do Estado.
Agência Distrital de Mosqueiro (Admos)
Ednei Sousa Calixto
Comerciante e mora há mais de 25 anos no Distrito de Mosqueiro. Possui experiência em trabalhos comunitários e por muitos anos coordena atividades comunitárias e religiosas em todo o Distrito de Mosqueiro

As primeiras ações do novo prefeito

       O novo Prefeito de Belém Zenaldo Coutinho anunciou no dia de hoje grande parte de seu secretariado. Dois pontos podem ser positivamente destacados. O primeiro é a composição, em sua maior parte, de quadros técnicos a frente das principais secretarias do município. Em segundo lugar, o corte de 30% dos cargos comissionados, o que representará uma economia significativa para os cofres públicos. Com isto, certamente a gestão municipal terá mais recursos para investimento. Não resta dúvida de que um dos maiores desafios do novo prefeito será a modernização da gestão. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Participe da enquete – Prioridades da nova gestão em Belém


A partir de janeiro de 2013 a cidade de Belém do Pará virará uma página em sua história com a posse de seu novo Prefeito Zenaldo Coutinho que terá muito trabalho pela frente. Inúmeros serão os seus desafios. Participe da enquete do Blog Economia, Política e Religião e eleja na sua opinião qual deve ser a principal prioridade do novo prefeito.

BRT Belém


Como bom belenense fiquei triste, mas não surpreso, com a notícia de que o projeto do BRT teria que ser parcialmente modificado em função de alguns problemas identificados. A inauguração que foi prometida ainda para 2012 ficou agora para 2014 se não houverem mais imprevistos na obra. Lamentável é o desperdício de dinheiro público em função de erros no projeto. Espero que com as devidas adequações o BRT realmente traga alívio ao nosso caótico trânsito.

Ps.: Ainda não me conformo de não termos investido em uma alternativa em minha opinião muito mais moderna que é o metrô de superfície. 

Estádio em Santarém

      O jornal O Liberal de hoje traz estampada uma matéria de que o Governo do Estado irá modernizar o estádio de futebol de Santarém no padrão FIFA para tentar receber uma seleção para a preparação da Copa de 2014. Fico me perguntando, será que não existe algo de mais importante para ser realizado em Santarém? Talvez a Região do Baixo Amazonas já tenha resolvido os seus problemas com educação, saúde, saneamento, infraestrutura, segurança, dente outros...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Singela mensagem de Natal


Hoje é um dia muito especial. A comunidade cristã comemora o nascimento de Jesus Cristo. Deus encarnado que veio ao mundo para reconciliar a humanidade. Após o seu nascimento teve uma infância, uma adolescência e uma juventude discreta. Mas aos 30 anos passou a exercer o seu chamado e por meio do seu ministério transformou a história da humanidade. Ensinou o amor, o perdão, a caridade e a humildade. Permitiu ser morto por uma humanidade pecadora para que todos aqueles que Nele creem possam alcançar o perdão e a vida eterna. Ensinou que até mesmo o maior pecador pode ser perdoado e ter a sua vida transformada mediante o amor de Deus e a fé. Deixou como legado a maior história de amor já escrita, a história da Cruz.
Que neste Natal haja um renovo em nossos corações. Que possamos olhar menos para as coisas e mais para as pessoas. Que façamos de pequenos gestos que tenham grande significados.

Feliz Natal!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ermes Tadeu Zapelini e Luiz Alberto Machado são eleitos para Presidente e Vice do COFECON


Acabou de ser eleito para a Gestão de 2013 do Conselho Federal de Economia (COFECON) o Conselheiro Federal por Santa Catarina Ermes Tadeu Zapelini, para Presidente (sendo reeleito), e o Conselheiro Federal por São Paulo Luiz Alberto Machado, para Vice-Presidente. A chapa única que concorreu na 646ª Sessão Plenária Ordinária do COFECON obteve 16 votos, contra 06 votos em branco.  O maior desafio da próxima gestão é a atualização da legislação que regulamenta a profissão e a ampla divulgação do campo de atuação profissional do economista ampliando o campo de atuação da categoria. Ademais, está sendo discutida a possibilidade de realização de um amplo seminário nacional, com a presença de representantes de todos os cursos de graduação em economia, para discutir a formação profissional e a inserção dos recém-formados no mercado de trabalho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CACHORRO QUENTE NA BARRACA DO TIÃO


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Dia 4, Meacir e eu completamos 41 anos de casados. Sem melosidade: deu certo. Fomos almoçar fora e comentei com uma pessoa: “Vou levá-la para comer cachorro quente na barraca do Tião”. Tal barraca é fictícia. Nós a criamos. Na nossa ficção, dizemos que os urubus pousam na cumieira da barraca, mas de vez em quando algum deles desmaia, só com o cheiro do produto tiãozeiro. Nem eles aguentam. Imaginem, dois branquelos comendo o sanduba de salsicha, em pé, ao sol de Macapá, sol que frita o rio Amazonas. Tentei casar o Tião com uma amiga, dizendo-o um Adônis: só tem dois dentes, mau hálito, nariz escorrendo e pé cascorento, mas a amiga não quis.
A pessoa perguntou se era legal levar a esposa ao Tião. Meacir citou Provérbios 15.17: “É melhor comer verduras na companhia de quem a gente ama do que comer a melhor carne onde existe ódio” (LH). A felicidade conjugal não depende de coisas, mas das pessoas. Não é o volume de bens ou o lugar onde se vive. É o relacionamento. É a visão. Nós casamos para dar certo. Com a graça de Deus, fizemos dar certo. Aliás, pregarei sobre este texto de Provérbios, domingo que vem: “Rúcula ou picanha?”.
Há quem se casa pensando: “Se não der certo, a gente separa”. Condenou o casamento ao fracasso. Já deu errado. Outros casam e querem seus direitos, sem pensar em deveres. A outra parte deve fazê-la feliz. Não pensa que é sua responsabilidade fazer a outra parte feliz. Nós casamos para tornar nosso cônjuge feliz. Outros mais pedem amor. Amor não se pede. Ganha-se. E, curioso, quem quer receber amor, deve dá-lo. Amor é assim: quem dá recebe. Outros querem um clone, não aceitando alguém diferente. O povo diz que os “opostos se atraem”. Bobagem! Opostos sadios se repelem. O certo é: opostos se complementam. As diferenças devem se ajustar. É o sentido de “uma ajudadora que fosse como a sua outra metade” (Gn 2.20, LH). Eu sou idealista. Meacir é pragmática. Ela me finca os pés no chão. Eu a ajudo a ser sonhadora. Clones são um problema, não solução. A chave é adaptabilidade.
Outros casam querendo alguém que se dobre à sua vontade, mas nunca cede. Veem suas razões, não as razões da outra parte. Quando um cônjuge se presume a quarta pessoa da Trindade, é óbvio que as coisas darão erradas. A postura correta não é a de mando; é a de serviço. Jesus se mostrou assim: “Mas entre vocês eu sou como aquele que serve” (Lc 22.27). Porque se mostrou como quem ama a ponto de morrer pelos seus seguidores (Jo 15.13), milhões de seguidores morreriam hoje por ele, realizados, por terem sido achados dignos disso. Ele conquistou pelo amor. Truculência não consegue amor. Amor consegue.
Para ter um casamento ajustado basta doar-se, não cobrar e adaptar-se àquela pessoa. Cobranças matam um casamento. Doar-se o vivifica.

Compartilho a Deliberação Nº 4.774 que declarou nula a eleição realizada pelo CORECON/PA em 14.11.2012


DELIBERAÇÃO Nº 4.774, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2012
Declara nula a eleição realizada pelo CORECON/PA em 14.11.2012.

O CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA, no uso de suas atribuições legais e disposições regulamentares conferidas pela Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, Decreto 31.794, de 17 de novembro de 1952, Lei 6021, de 03 de janeiro de 1974, Lei 6.537, de 19 de julho de 1978; CONSIDERANDO o disposto na Resolução nº 1.865/2011; CONSIDERANDO que é vedada a propaganda eleitoral nas dependências da sede dos Conselhos Regionais ou das Delegacias em que se processe a votação; CONSIDERANDO o que consta do Processo nº 15.606/2012, apreciado na 645ª Sessão Plenária Ordinária, realizada no dia 29 de novembro de 2012; CONSIDERANDO os inúmeros equívocos e vícios ocorridos durante o processo eleitoral; CONSIDERANDO especialmente o relatório da Conselheira Federal que acompanhou a realização do pleito eleitoral do CORECON/PA, que comprova a ocorrência de "boca de urna" dentro das dependências do CORECON/PA durante a votação; CONSIDERANDO ainda os pareceres 208/2012 e 270/2012 exarados pela procuradoria jurídica do Conselho Federal de Economia; resolve:
Art. 1º Declarar de ofício a nulidade da eleição realizada em 14.11.2012, no CORECO-PA, nos termos do voto do Relator e do parecer jurídico que o integra.
Art. 2º Determinar a realização de Eleição Extraordinária no CORECON/PA, que deverá ocorrer em estrita conformidade com o disposto na Resolução nº 1.865/2011.
Art. 3º Fica o Conselho Federal de Economia responsável pela viabilização do pleito eleitoral, que será realizada pela Comissão Eleitoral, composta pelos Economistas Paulo Dantas da Costa, como Presidente, Nei Jorge Correia Cardim e Carlos Roberto de Castro, como membros efetivos e pelo Economista Antonio Eduardo Poleti, como membro suplente, de acordo com o que prescreve o art. 63, da Resolução COFECON nº 1.865/11.
Art. 4º Esta deliberação entra em vigor na data de sua assinatura.

ERMES TADEU ZAPELINI
Presidente do Conselho

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CADA UM É LIVRE PARA FAZER O QUE QUER


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Ouvi esta frase, num programa de televisão: “Cada um é livre para fazer o que quer”. Ela me fez pensar.
O homem é dotado de capacidade de pensar e tomar decisões. É responsável por seus atos. Não se pode impor a alguém uma religião ou uma ideologia, por exemplo. Pais escrupulosos não imporão uma profissão a seus filhos. Respeitarão suas habilidades e o seu pendor. Neste sentido, a frase tem certa razão. Cada um faz o que quer de sua vida, sendo por isso responsável. Neste sentido, a liberdade é plena.
Mas nem sempre somos livres para fazermos o que queremos. Eu gostaria de fazer muitas coisas que simplesmente não posso. Neste sentido, não somos livres para fazer o que queremos. Querer não é poder. Podemos querer coisas que não podemos ter.
Há coisas que não apenas não podemos fazer, mas que não devemos fazer. Um homem pode desejar ter todas as mulheres do mundo, mas ficará no desejo. Alguém disse que Deus é mal humorado porque parte dos dez mandamentos começa com um não. Ele nos proibiu coisas boas que gostaríamos de fazer. Por isso diz uma música popular que “tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda”. As coisas boas são proibidas. Deveríamos poder fazer e ter todas as coisas que gostaríamos. Abaixo as leis, abaixo os conceitos moralistas, abaixo as religiões com suas regrinhas! Viva a anarquia, vivam os desejos, façamos o que queremos e chega de conversa.
Mas isso funciona? Por querer a mulher de Urias o rei Davi planejou a sua morte. Fez o que quis: adulterou e idealizou um assassinato. Mas pagou um preço muito alto pelo que fez. Pode-se fazer o que se quer ou é necessário ter regras? Liberdade é o direito de fazer o que se quer? O que uma pessoa quer e pensa ser seu direito pode ser a transgressão do direito de outra.
Deus colocou tantos não nos dez mandamentos não por mau humor, mas por saber que somos maus, que somos pecadores. É uma incoerência o conceito humanista de que o homem é bom. Se o homem é bom, por que a maldade e tantas desgraças? Dizer que ele é bom e que a sociedade o corrompe é uma incongruência. A sociedade não é pau nem pedra. É gente. A sociedade é a soma das pessoas, que são más. Davi confessou sua maldade inata, quando declarou: “eu nasci em iniquidade” (Sl 51.5). Isso é o que os teólogos chamam de “depravação, a capacidade inata no ser humano de buscar o mal”. O homem não é bom. É pecador. Bem disse Billy Graham, “o homem é exatamente aquilo que a Bíblia diz que ele é”.
Por ser pecador, o homem não pode fazer o que deseja, pensando que assim é livre. Disse Paulo: “o bem que quero, esse não faço; o mal que não quero, esse eu faço” (Rm 7.19). Quando seguimos nossos instintos e paixões, não nos realizamos, mas nos frustramos. Ouvimos a iniquidade, desprezando leis e princípios que orientam a vida, e nos tornamos como os irracionais, que não têm capacidade mental e seguem o instinto. E nos damos mal.
Fazer o que se quer não é ser livre. É ser escravo. Dos instintos. De uma natureza corrompida. Por isso Jesus disse que “todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). Não somos livres quando fazemos o que queremos, e regras e princípios não são algemas. Imaginemos um trem que quisesse trafegar fora dos trilhos para poder ser livre. Saísse dos trilhos e entrasse pelo gramado, cheio de flores, alegre e festivo. Ele afundaria, com seu peso. Há um lugar para ele transitar e fora deste lugar ele se imobiliza.
Liberdade não é o direito de se fazer o que se quer. O pensador cristão Elton Trueblood disse que “liberdade não é liberdade para, mas liberdade de”. Somos livres não para fazermos o que queremos, mas somos livres de alguma coisa. Somos livres para sermos o que Deus espera de nós. Como disse Kierkegaard: “Com a graça de Deus serei o que devo ser”. Jesus ilustrou isto muito bem: “se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8.36). Liberdade é a capacidade de poder gerir a sua vida. É a capacidade de viver sem ser escravo de vícios, de paixões vis, de drogas, da ansiedade, do medo do futuro. Desde quando uma pessoa escrava de um pedaço de papel com mato dentro, um cigarro, é livre? Desde quando alguém que não consegue livrar-se de uma garrafa é livre? Livre é a pessoa que pode dizer: “Isto me faz bem e eu aceito. Tenho forças para fazê-lo, mesmo não gostando”. Livre é a pessoa que pode dizer: “Isto é agradável, mas trará más consequências. É bom, mas tenho a capacidade de rejeitar”. Liberdade é o direito de saber usar bem a vida, de discernir entre o que se deve e o que não se deve.
Voltemos a Jesus: “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Ele dá discernimento espiritual e moral para sabermos o que buscar e o que evitar. Ele dá poder para vencer o que é agradável, mas daninho. Ele torna a pessoa livre. Muita gente censura os crentes, dizendo sermos escravos, que não podemos fazer muitas coisas. Não é que não podemos. É que não queremos. Não nos têm valor. Volto à questão do cigarro: é ridículo um adulto chupando sofregamente um mau cheiroso invólucro de papel com mato dentro, sem poder parar de fazê-lo, embora muitas vezes querido fazê-lo. Coisa triste um bêbedo, caído na sarjeta, escravo do álcool. Coisa deprimente e triste um casal se separando, com os filhos prejudicados, por causa da infidelidade conjugal de uma das partes.
Os crentes não vivemos debaixo de regrinhas. Vivemos na liberdade que Cristo nos deu. Ele nos abriu os olhos e capacitou nossa vida para vencermos o mal que desgraça e optarmos pelo bem que exalta.
Você pode ser livre. Pode deixar de fazer o que lhe prejudica e fazer o bem que sabe que deve fazer. Basta confiar em Cristo, fazendo dele seu Senhor, cedendo-lhe sua vida, confiando-lhe a direção do seu viver. Você descobrirá o que Jesus quis dizer com “e conhecereis a verdade e verdade vos libertará”. Jesus é a verdade que liberta. O resto é mentira. Seja livre. Assuma um compromisso com Cristo.